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DICA DE FILME

"A PEQUENA LOJA DOS SUICÍDIOS" (2012)




Alguns temas são delicados de abordar pela nossa total inabilidade de lidar com eles de forma sutil e até leve. O que dizer, pois, de um desenho animado que trata do suicídio, embalado num musical?

A estória, por si, já é interessante: uma cidade possui moradores extremamente tristes e pessimistas, e, devido a isso, o índice de suicídios é altíssimo. Nesse ambiente, uma família aproveita-se da situação e tem uma loja que vende artigos especializados para as pessoas se matarem com mais facilidade. A vida dessa família, porém, começa a mudar quando nasce mais um filho, que desde seu nascimento, mostra-se feliz demais, contrastando com a tristeza dos outros, e por isso, torna-se um empecilho para os "negócios" da loja à medida que vai crescendo.




Um enredo assim dá margem para realizar inúmeras críticas à sociedade atual (cada vez mais pessimista e mesquinha). O melhor de tudo? É que o diretor de "A Pequena Loja dos Suicídios", Patrice Leconte, não se intimida, e tece um mosaico irônico das relações humanas com certa facilidade, até. Por exemplo: no desenho, não é permitido por lei se matar na rua (você teria que cometer o ato em casa). Caso desobedeça, o corpo sem vida do "infrator" recebe uma multa da polícia!

Um diálogo em específico é emblemático:

- Você não pode se matar na rua! Pense que quem irá arcar com a multa é a sua família!!

- Mas, eu não tenho família!

- E, se você tivesse falhado? Seria uma multa e uma cadeira de rodas!!!




Somente a sequência final ficou um tanto esquemática e até piegas, mas nem isso atrapalhou a mordaz crítica que ele expõe ao longo de mais de uma hora de projeção. Há de se destacar também que as músicas que ilustram as cenas ficaram muito boas, além da direção de arte, que caracterizou muito bem a triste cidade e seus depressivos moradores.

Pouco convencional e muito cativante. Recomendado.




Nota: 8,5/10.

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