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DICA DE DISCO

"HYDRA" (2014)
Artista: Whitin Temptation




Para os metaleiros mais radicais (muito frequentemente chamados de xiitas), alguns subgêneros do estilo heavey metal soam intragáveis. Muitos não suportam, por exemplo o metalcore, de levada bem mais rápida, no qual o punk é a principal influência. O metal sinfônico cantado por mulheres também tem seus detratores. Mas, também tem muitos adeptos.

O Whitin Temptation, oriundo da Holanda, é uma banda que conquistou um público fiel ao longo desses anos, fazendo realmente uma música de muita qualidade, mais calcada no lado sinfônico do que no metal propriamente dito. Este "Hydra" é o seu sexto trabalho de estúdio, e o grupo resolveu pegar um pouco mais "pesado".




As partes orquestradas continuam belíssimas e bem trabalhadas, mas as canções soam mais diretas, mais "na cara". Nota-se isso logo na faixa de abertura, "Let us Burn", com ótimo refrão e um entrosamento competente da banda. A música seguinte, "Dangerous", com participação de Howard Jones (da banda Devil You Know) vai basicamente na mesma linha, e também agrada.

Então, chega "And we Run", e ela pode, de fato, dividir opiniões. Por que? Simplesmente por ter a participação do rapper Xzibit. Os fãs mais ardorosos do metal mais tradicionalista sempre tiveram um pé atrás com esse tipo de mistura, que gerou o tão odiado new metal. Mas, convenhamos: quando o resultado fica bom, não há porque não apreciar.




E, em "And we Run", a vocalista Sharon den Adel canta lindamente bem e Xzibit usa linhas vocais que se encaixam como uma luva no instrumental. Talvez, uma das melhores músicas do disco. Após o "susto" na primeira audição, basta relaxar, tirar qualquer preconceito da cabeça, e se deixar levar.

Porém, se é algo convencional que pode fazer ganhar pontos, então temos a quarta faixa, "Paradise (What About us)", com um som mais pesado e certeiro. A presença de Tarja Turunen faz a diferença. Tem até solo de guitarra (rápido, diga-se), algo inexiste no álbum até então. O estilo épico, excelente para shows lotados, é adequado e nada exagerado.




Uma certa calma reina em "Edge of the World". Tempo para meditação. Faixa intensa e muito bem trabalhada. Metade do disco já se foi, e os destaques foram muitos. Só que a faixa 6 do álbum, "Silver Moonlight" escancara mais uma boa faceta desse lançamento: o bom gosto para criar refrões. Fica impossível não se imaginar cantando "" numa apresentação qualquer da banda.

E, essa é a toada desta segunda parte de "Hydra". A faixa "Covered by Roses" começa com um forte dedilhado de guitarra, para apresentar uma faixa com tudo no lugar: vocais, instrumental... tudo "redondo" e de qualidade, não faltando, nem sobrando nada.

"Dog Days" segue a mesma "tranquilidade" da faixa "Edge of the World", e onde temos mais um ótimo refrão para cantar junto. Um pouco mais de ousadia aqui, no entanto, talvez surtisse melhor efeito. Quem sabe mais "sinfônico" e menos "metal" tivesse deixado a música mais atraente. O final (do disco) se aproxima.




"Tell me Why" assusta com seu início pesado e épico. O seu defeito, porém, foi ter se alongado demais. 6 minutos foi muito para uma música sem grandes alterações de andamento. E, chegamos na derradeira parte, com "Whole World is Watching". Uma faixa sem maiores atrativos, muito "básica" para o ótimo e empolgante clima criado até aqui. A participação de Dave Pirner (ex-integrante do Soul Asylum) não ajuda, infelizmente.

Por ser um álbum um pouco diferenciado na discografia da banda, é o tipo de trabalho que precisa ser ouvido mais de uma vez. Mas, é quase certo que o arrependimento não virá. Para fãs de heavy metal, música clássica ou simplesmente de boa música não têm do que reclamar em relação a "Hydra".


NOTA: 8/10.

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