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Dica de Disco

"The Brightest Void" (2016)
Artista: Tarja Turunen.


O metal melódico com altas doses operísticas sempre sofreu certo preconceito por parte doas fãs mais xiitas do metal. É quase como se fosse a versão mais "limpa" e "trabalhada" do new metal. Só que, de fato, a cisma tinha (e tem) fundo de verdade, visto que grande parte das bandas apelam demais para os mesmos clichês, não se reinventando a fazendo tudo muito igual. Tarja Turunen, que foi integrante de um grupo cuja vertente era essa (o Nightwish), hoje parece ter evoluído bem mais do que os seus ex-companheiros de banda. Pelo menos é o que demonstra esse seu mais novo trabalho solo.

As composições não perderam certa grandiloquência nos arranjos, mas, em geral, as músicas de Tarja ficaram mais diretas, mas carismáticas, mais empolgantes. E, isso está bem explicitado na ótima trinca que abre o trabalho ("No Bitter End", "Your Heaven and Your Hell" e "Eagle Eye"). Todas não são somente muito bem elaboradas, como também possuem até alguns elementos novos para a carreira de Tarja, como a veio um tanto blues em "Your Heaven and Your Hell". Só por serem diferenciadas na forma e no conteúdo, já estão à anos-luz do que o Nightwish faz hoje em dia.



"An Empty Dream" é um pouco mais experimental, como toques de eletrônica, o que talvez desagrada os seguidores mais ardorosos da cantora. Mas, só o fato de tentar algo diferente já faz como que ela ganhe pontos pela ousadia. Sem contar que a parte operítica da canção é de uma beleza ímpar. A soturna "Witch Hunt" serve para aquele momento de introspecção, tendo uma veia tão eletrônica quanto a composição anterior, só que que um degrau abaixo em termos de qualidade. Nada que seja, necessariamente, irritante, mas, um pouco mais de esmero teria deixado essa música bem melhor.

"Shameless" volta com o peso do metal em grande estilo, numa cadência e ritmo que trasborda competência de toda a banda de Tarja, principalmente, do guitarrista argentino Julián Barret, que emprega belas distorções no som, além de cantar ao lado dela. Ah, e o final ainda revela uma (tenebrosa) surpresa no que se refere aos vocais. Já, "House of Wax", mesmo sendo uma composição competente, é apenas isso mesmo: só competente. Não tem nada a mais que a diferencie das outras, tornando ela a pior música do disco, apesar de não ser ruim, é verdade.



O álbum caminha para o seu encerramento com "Goldfinger", que mesmo tendo a grandiosidade clichê do metal sinfônico mais tradicional, é uma composição mais redonda e audível. E, chegamos ao fim com a derradeira "Paradise (What About Us)", composição em que Traja colaborou no disco "Hydra", do Within Temptation. E, não há melhor canção para encerrar esse disco da Tarja, já que a canção é empolgante demais, e possui um ótimo refrão, fechando o álbum de maneira muito positiva.

Tarja mostra que realmente está se reinventando, e buscando novas vertentes para incrementar ainda mais o seu trabalho. Nessa pisada, quem perdeu mesmo foi o Nightwish, cujos competentes instrumentistas (é bom dizer) poderiam estar fazendo uma tremenda parceira com as novas ideias que Traja Turunen está trazendo para a sua carreira. No final, ela é quem está se sobressaindo (e, muito bem). Que ela continue nessa crescente.

Link para fazer o download do disco:


Nota: 8/10.


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