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Dica de Filme

"Testemunha de Acusação"
1957
Direção: Billy Wylder


A junção de Billy Wylder com Agatha Christie que rendeu um dos melhores filmes de tribunal de todos os tempos
O mistério, seja em filme ou em livro, é uma arma poderosa. Tão poderosa que pode fazer qualquer uma dessas obras ser maravilhosa, ou um fiasco total. Afinal, poucos realizadores (sejam cineastas ou escritores) possuem o traquejo necessário para arquitetarem boas histórias de suspense, daquelas que fazem o leitor (ou espectador) ficar tenso o tempo todo, e ainda ser surpreendido no final. São poucos os que conseguem essa façanha. Uma delas era a escritora Agatha Christie, com seus romances ou contos cheios de mistérios indecifráveis até o último momento. O que aconteceria, então, se esse talento se unisse a um dos melhores cineastas norte-americanos de todos os tempos, Billy Wylder? Bem, isso aconteceu de fato, e o resultado foi este "Testemunha de Acusação".




Como é de praxe nas produções de Wild…
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Dica de Filme

"Louca Obsessão" 
1990
Direção: Rob Reiner


Adaptação de obra de Stephen King é tensa, claustrofóbica e perturbadora
Ter um fã daquilo que você faz de melhor é prazeroso, e afaga o ego de qualquer um. A questão é quando lembramos que fã é, em sua origem, abreviação para a fanático, termo, ao contrário do outro, bem pouco lisonjeiro. E, fanático acaba por se encaixar muito bem em uma geração onde se perdeu bastante dos limites com relação à admiração por um artista. Não raro, muitos cometem verdadeiras loucuras, em nome do seu cantor ou escritor favorito, chegando às raias da sociopatia. Nesse sentido, o escritor best-seller Stephen King soube muito bem adaptar esse conceito mais absurdo de fã no livro Misery, numa história extremamente perturbadora, que funciona fácil como um enredo de terror.




A adaptação para cinema, lançada e 1990, muito se beneficiou de diversos fatores, fazendo o filme ser melhor do que o livro. Um desses fatores é ter pego um diretor no auge de…
Dica de Filme

"Alguns Dias na Vida de Oblomov" 
1979
Direção: Nikita Mikhalkov


Adaptação de clássico da literatura russa é um apaixonante retrato da vida de um homem com uma extrema consciência
A consciência é uma maldição. Na melhor da hipóteses é um fardo usado para se acomodar. Por vezes, uma cruz carregada com bastante dor e sofrimento. Saber realmente quem você é, quem os outros são, e o que os outros esperam de você é demasiadamente pesado. E, Ilya Ilyich Oblomov sabe disso. Herdeiro de uma considerável fortuna, passa dias e dias deitado em seu sofá, enquanto pensa na vida. Às vezes, nem se dá ao trabalho de pensar nisso. Demanda muito trabalho, muito esforço. E, pra quê? Pra se inserir numa sociedade que ele tem plena consciência de ser abjeta, doente, sem escrúpulos. Por quê não continuar dormindo, alheio ao que se passa "lá fora"?




Engana-se redondamente, no entanto, quem se precipite e taxe Oblomov de preguiçoso. Não. No início desta adaptação para cinema, pod…
Dica de Disco

"Tranquility Base Hotel And Casino" 
2018
Artista: Arctic Monkeys


MAIS INTIMISTA DO QUE NUNCA, O ARCTIC MONKEYS VOLTA AO PASSADO PARA REFLETIR O PRESENTE

Climático. É assim que começa o novo disco da banda Arctic Monkeys, Tranquility Base Hotel And Casino. E, pelo menos, durante todo o seu trajeto de 11 faixas, o álbum vai seguir nessa toada, em doses maiores ou menores. Mas, sempre numa levada mais cadenciada, mais intimista do que em seus trabalhos anteriores. A primeira música, por exemplo, "Star Treatment", parece algo saído de alguma jam session com o Joy Division; tão soturno quanto, mas, com um pouco mais de requinte instrumental. E, isso talvez choque os fãs mais ardorosos e xiitas do grupo, principalmente para aqueles que consideram Whatever People Say I Am, That's What I'm NotFavourite Worst Nightmare pequenas joias do indie rock moderno.



Soa simplista, no entanto, dizer que o Arctic Monkeys ficou chato porque os seus integrantes  env…
Dica de Filme

"Coisas Belas e Sujas"  
2002
Direção: Stephen Frears

FREARS USA O SUSPENSE PARA TECER UMA CRÍTICA BEM CONTUNDENTE À SITUAÇÃO DOS IMIGRANTES NO PRIMEIRO MUNDO
O diretor Stephen Frears é um diretor bastante habilidoso. Tendo comandado filmes de inegável qualidade, como "Ligações Perigosas", "Os Imorais" e "Alta Fidelidade", ele tem um gosto apurado para ir além das convenções dos mais diversos gêneros, e mostrar "algo a mais" em suas obras, por mais despretensiosas que elas aparentem ser. E, um de seus trabalhos mais emblemáticos é este "Coisas Belas e Sujas", que se apropria de um gênero já um pouco batido do cinema, o thriller de suspense, para dialogar sobre um assunto bastante delicado e complexo nos dias atuais: a situação de penúria pela qual vivem os imigrantes ao redor do mundo. Neste caso aqui, a ambientação é na Inglaterra, mais precisamente em Londres, lugar que Frears conhece muito bem.




Com uma narrativa …
Dica de Disco

"Family Tree"
2018 
Artista: Black Stone Cherry


É ROCK'N ROLL NA VEIA, E NADA MAIS
Num tempo em que a música precisa ser intrincada e complicada demais, gerando um som quase "alienígena", às vezes, um bom feijão com arroz é mais do que suficiente. Não que o rock, por exemplo, precise de fórmula A ou b para dar certo, mas, parece que quando ele segue o básico, o resultado é quase sempre animador.

Nisto, chegamos ao novo disco da banda Black Stone Cherry, Family Tree.

E, é com muito gosto que estamos diante de um dos melhores disco da banda. Após uma ótima estreia com um disco homônimo, de 2006, e uma continuação espetacular com Folklore and Superstition, de 2008, foi só decepção, com o grupo enveredando por um caminho bem mais pop, e bem menos interessante. Eis que, 12 anos após o seu debut, o grupo lança, agora, sim, um discaço.



E, o que fez a Black Stone Cherry realizar um retorno triunfal? Bem simples: eles assumiram de vez a sua via southern rock, …
Disco Mais ou Menos Recomendável

"Viagem ao Coração do Sol"
2018 
Artista: Cordel do Fogo Encantado


O RETORNO DO CORDEL DO FOGO ENCANTADO AOS ESTÚDIOS ESTÁ LONGE DE SER MEMORÁVEL
Nesse clima de revival que tomou conta da música brasileira, pelo menos, de uns 15 anos pra cá, muitas bandas vão e voltam, sejam através de especiais do tipo Acústicos, sejam através de álbuns inéditos, onde, muitas vezes, a gente só vislumbra um pouco do que a banda foi há tempos, apesar do referido trabalho ter uma indiscutível qualidade. Mas, a mesma aura de outrora, parece ter se esvaziado um pouco. Ouvir o novo disco do Cordel do Fogo Encantado não deixa de passar um pouco dessa sensação em alguns momentos. Em outros, a gente enxerga nitidamente o que foi o Cordel um dia, mas, ainda assim, parece que faltou alguma coisa.



Mais precisamente, falta um pouco mais frescor ao trabalho, com aquela sensação de empolgação que sentíamos ao ouvir músicas como "Chover", "Palhaço do Circo sem Fu…