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Mostrando postagens de Maio 11, 2014
DICA DE FILME

"SEM NOVIDADE NO FRONT" (1930)




Filmes de guerra possibilitam várias abordagens. E, justamente, por isso, os resultados finais são distintos, indo da abordagem psicológica detalhada ("Apocalipse Now"), passando pela pirotecnia de mostrar mais explosões do que humanidade ("Falcão Negro em Perigo"), até a ironia e o sarcasmo para mostrar alguma crítica ("Nascido Para Matar"). Porém, poucas produções, de fato, expõem todas as incongruências e inutilidades de uma guerra. "Sem Novidade no Front" chegou bem perto, nesse quesito.

Baseado no livro de Erich Maria Remarque, "Nada de Novo no Front", o filme se distancia da obra original por abordar o assunto de maneira mais coletiva, enquanto que no romance, a situação era mais centrada no personagem Paul Baumer. Não chega a ser necessariamente pior, apenas uma forma diferente de apresentar a estória. Estória, essa, que manteve sua força na adaptação para cinema. As cenas de…
DICA DE LIVRO

"ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA" (1995)




Há o consenso de que existam diversas formas de cegueira, principalmente, no âmbito metafórico. "O pior cego é aquele que não quer ver" é frase recorrente entre as pessoas, mesmo que seu real significado não seja devidamente absorvido. Saramago utilizou-se desse mote para compor uma fábula sobre o rebaixamento da condição humana, sobre a recusa de ver miséria que nos rodeia, numa forma de indiferença, e seu consequente reaprendizado em formar novamente uma espécie de civilização. "Ensaio Sobre a Cegueira" é, portanto, bem mais do que uma mera estória de um grupo de pessoas que, repentinamente, ficam cegas.

O enredo começa mostrando um dia típico numa grande cidade, com todos os seus problemas e contradições. De repente, eis que alguém, dirigindo seu carro, parado num semáforo, vê-se completamente cego. Porém, ao invés de ver tudo preto, o que seria normal, passa a ver tudo branco. O desespero toma conta dele, …
DICA DE LIVRO

"VIAGEM AO FIM DA NOITE" (1932)




Os relatos precisam ser incômodos, de alguma maneira, viscerais (a menos que se queira fazer um conto de fadas edificante). Praticamente auto-biográfico, "Viagem ao Fim da Noite", escrito por Louis-Ferdinand Céline, conta a história de um dos melhores personagens literários do século XX: Ferdinand Bardamu. Extremamente irônico, ríspido e honesto, Bardamu não tem qualquer filtro ao mostrar o que pensa, e sempre com muita razão.

A obra o acompanha desde a sua participação na Primeira Grande Guerra, passando por um sanatório em que ele se interna, vai até uma viagem que o mesmo faz até a África, e por fim, Bardamu retorna ao seu país de origem para exercer a função de médico. O início do livro é forte, bastante forte. Sem o mínimo de pudor, o personagem descreve a tensão dos soldados, que, longe do heroísmo de propaganda, estão tentando apenas sobreviver. Essa parte chega a ser nauseante devido à riqueza de detalhes que o a…
DICA DE FILME

"A CAÇA" (2012)




Alguns assuntos parecem estar sempre presentes a ponto de vermos algo (como um filme), e dizermos: "Coincidentemente, é isto que está acontecendo, hoje em dia". No caso de "A Caça", produção do dinamarquês Thomas Vinterberg, cineasta oriundo do movimento Dogma 95, a sensação para os brasileiros de casos recentes torna-se ainda mais desconcertante, principalmente porque expõe muito bem certas mazelas.

O longa trata de Lucas, professor do jardim da infância que é acusado de abuso sexual por uma menina. A partir de então, passa a ser hostilizado na cidade onde vive, mesmo as autoridades não comprovando nada contra ele. Interessante notar que o diretor não tem pressa ao abordar esse fato, colocando tempo suficiente para apresentar cada um dos personagens. Lucas, por exemplo, é mostrado como uma pessoa tranquila e reclusa, só se expondo um pouco mais na presença dos amigos, que assim como ele, tem por tradição cultural a caça como …
DICA DE DISCO

"CABEÇA ELÉTRICA, CORAÇÃO ACÚSTICO", SILVÉRIO PESSOA (2005)




Alguns termos, de tão usados, acabaram se vulgarizando. Cosmopolita e eclético, por exemplo. A ideia de amalgamar diversas tendências, a princípio, foi boa, mas com o passar dos anos, isso gerou muita coisa descartável, como diversos copiadores de Tom Zé ou o tecnobrega. Portanto, é louvável quando artistas com verdadeiro talento, como Silvério Pessoa, conseguem atingir um meio termo.

Oriundo de uma das melhores bandas pós-mangue, o Cascabulho, Silvério consegue unir várias tendências, e mesmo assim, ser original. Nesse álbum, ele mescla de tudo (ciranda, coco, frevo e forró) sem ser datado ou retrô. É apenas música cosmopolita, ou mesmo "world music".




Músicas como "Nas Terras da Gente", "Cipó de Goiabeira", "Na Boleia da Toyota" e "Sambada e Massapê" evocam o que há de mais autêntico em nossas tradições, e mesmo assim, ainda consegue "dialogar"…