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Mostrando postagens de Agosto 17, 2014
DICA DE FILME

"O EXORCISMO DE EMILY ROSE" (2005)




O grande problema dos filmes de terror é que eles mais parecem paródias do que qualquer outra coisa. É só pegar essas produções de seriais killers indestrutíveis para poder fazer um parâmetro mais claro. O medo é relegado a pequenos sustos, que, no final das contas, fazem rir. Poucos filmes se atrevem a fugir desse clichê e criar um clima soturno e macabro o suficiente que faça o espectador não apenas se assustar, mas sentir um profundo pavor, daqueles que espreitam na calada da noite. "O Exorcismo de Umily Rose" consegue isso.

Baseado numa estória real, o filme ganha pontos por não mostrar as sequências que antecederam o exorcismo de Emily de forma linear. O longa, ao contrário, já começa com ela tendo morrido em decorrência dos graves problemas de saúde que passou a ter após as supostas possessões demoníacas. Devido a isso, o padre Moore, que comandou as sessões de exorcismp, é preso por homicídio culposo, e o filme…
DICA DE DISCO

"SEM NOSTALGIA" (2009)




A MPB, hoje, vem se mostrando um museu "sem grandes novidades". Outrora uma das mais inventivas expressões artísticas que tínhamos, atualmente, temos meio mundo de artistas que insistem em fazer uma música "sem sal", com uma mistura chata, geralmente, um samba muito dispensável pra gringo ver (Seu Jorge que o diga...). Tirando Lenine e os atuais trabalhos de Caetano Veloso, pouca coisa se salva nessa "seara". Por isso mesmo que um cantor e compositor como Lucas Santtana precisa ser cada vez mais conhecido.




Oriundo da Bahia, ele consegue fazer uma música que aponta novos caminhos, sem ser pseudo-revolucionária. E, ainda reverencia o que de melhor tivemos no passado sem ser saudosista. Em suma, trata-se da boa e (inúmeras vezes) mal usada atitude. Esse disco, lançado há cinco anos, é sua obra mais rica; um mosaico de sons, balanços, poesias e ritmos que só alguém bem antenado poderia produzir. É do tipo pra se o…
DICA DE LIVRO

"A MÃE" (1907)




"Todos os dias, o apito pungente da fábrica cortava o ar esfumaçado e pegajoso que envolvia o bairro operário e, obedientes ao chamado, seres sombrios, de músculos ainda cansados, deixavam seus casebres, acanhados e escuros, feito baratas assustadas. Sob o frio amanhecer, seguiam pela rua esburacada em direção às enormes jaulas de pedra da fábrica que os aguardava, desdenhosa, iluminando o caminho lamacento com centenas de olhos empapuçados. Os pés pisavam na lama. Vozes sonolentas emitiam roucas saudações, palavrões dilaceravam, raivosamente, o ar. Mas, eram diferentes os sons que acolhiam os operários: pesadas máquinas em funcionamento, o resfolegar do vapor.

(...)

Com o pôr-do-sol, cujos raios vermelhos iluminavam, cansados, os vidros das casas, a fábrica vomitava os seres de suas entranhas de pedra, como se fossem escória, e eles voltavam a espalhar-se pelas ruas, com o rosto enegrecido pela fuligem, sujos, fedendo a óleo, com o brilho bran…
DICA DE FILME

"O DEMÔNIO DAS ONZE HORAS" (1965)




Há muitas maneiras de se fazer poesia no cinema. Existe o artifício da metalinguagem (onde os personagens e situações literalmente "dialogam" com o espectador), o realismo fantástico (no qual coisas absurdas ocorrem com ar de naturalidade), entre tantas possibilidades. "O Demônio das Onze Horas", um dos principais filmes do cineasta da Nouvelle Vague francesa Jean-Luc Godard, utiliza esses artifícios, e se sai muito bem.

A estória gira em torno de Ferdinand (Jean-Paul Belmondo), um professor de espanhol cansado da vida fútil que leva. Em determinado momento, numa festa, ele afirma, categoricamente, a todos dali que ele está farto de conviver com idiotas todos os dias. A partir daí, ele conhece Marianne (a "musa" de Godard, Anna Karina), e foge para o sul da França, cometendo vários delitos, escondendo-se da polícia, ficando recluso em lugares abandonados, dentre outras ações que o fazem redescobrir …
DICA DE FILME

"O SÉTIMO SELO" (1956)




Analisar um clássico não é das tarefas mais simples, afinal, praticamente tudo, e mais um pouco, já se disse a respeito de obras amplamente conhecidas. Com esse pensamento, o ideal é assistir a um filme como "O Sétimo Selo" sem maiores pretensões, esquecendo até que seu realizador se trata do tão falado Ingmar Bergman. O resultado, com ou sem o peso de ser um clássico, é que esse continua sendo um dos melhores filmes já feitos.

A força do longa reside no fato de unir situações aparentemente díspares, como humor e questionamentos filosóficos; coisas simples, rotineiras, com inquietações que perturbam o ser humano há milênios, como o vazio da vida e o medo da morte. Algumas cenas de "O Sétimo Selo" são bastante pungentes nesse aspecto.




Por exemplo, num determinado momento, um cavaleiro medieval interroga um pintor:

- Por que você pinta coisas tão tristes como a morte?
- Para que as pessoas se lembrem de que irão morrer.
- Ma…
DICA DE FILME

"LARANJA MECÂNICA" (1971)




Há várias formas de se retratar a violência. Uma delas é mostrar suas causas e efeitos, num jogo onde quem era o algoz até pouco tempo, passa a se tornar a vítima da vez. Em "Laranja Mecânica", adaptação de Stanley Kubrick do livro de Anthony Burgess, a violência não só trará consequência sérias a quem a pratica, como também abrange o seu foco. Na primeira parte do filme, o que vemos é a violência individual, mesmo que feita por grupos, onde conceitos como moral e ética já não são mais entendidos e aceitos. Já, na segunda parte, vemos a agressão institucional, do Estado, que se utiliza de indivíduos violentos para conseguir mais poder político.




O enredo, inicialmente, conta a trajetória de um bando de jovens delinquentes, liderados por Alex, um dos personagens-ícones do cinema, que passam as noites brigando, assaltando, espancando e até estuprando. Inclusive, é por esse último aspecto que o filme de Kubrick é mais controverso.…
DICA DE FILME

"O PREÇO DO AMANHÃ" (2011)




Andrew Niccol é um cineasta bastante incomum. Seus filmes têm jeito de blockbusters, mas, quando vistos mais atentamente, passam mensagens que não costumam-se ver no cinemão hollywoodiano. Em "O Show de Truman", por exemplo, ele já preconizava a febre dos reality shows e fazia uma bem-vinda análise ao culto às celebridades e a transformação da vida em espetáculo. Já, em "O Senhor das Armas", em plena época da chamada "guerra ao terror", o diretor mostrou um pouco da sordidez e da ganância que permeia a indústria bélica, dando nomes aos bois com muito cinismo e ironia.

O que diferencia "O Preço do Amanhã" desses outros filmes é que ele não se limita apenas à mensagem em si, mas cria todo um universo onde ela é passada, e, de forma simbólica, dialoga com a nossa realidade. (ATENÇÃO! SEGUEM ALGUNS SPOILERS!!) No enredo, a população, ao completar 25 anos, só tem mais um ano de vida, e um relógio orgâ…