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Mostrando postagens de Janeiro 24, 2016
Dica de Disco

"The Congregation" (2015) Artista: Leprous.

Ok, eu tenho que começar sendo clichê (é inevitável): este é um disco difícil, daqueles que precisam de sucessivas audições para que todas as nuances, detalhes e miudezas do som sejam amplamente entendidas. A primeira impressão, por si, já engana. O que esperar de um álbum com uma capa tão tenebrosa? Um brutal heavy metal de letras macabras? Não, mesmo. As composições são, sim, sombrias, mas, tristes, com uma bela dose de melancolia e poesia, até.
Se não, vejamos como a coisa aqui é inusitada e estranhamente cativante. A primeira música, "The Price" se inicia com uma batida quebrada, porém, cadenciada. Então, uma voz suave, à lá anos 80, entra fazendo a cama de uma composição que, em poucos segundos, já se mostra completa. É aí que o refrão explode com tudo, nesse momento, para os mais entendidos de plantão, a ficha cai. O Leprous faz é prog metal, e dos bons. De cara, por exemplo, uma das influências parece s…
Dica de Disco

"The End" (2016)
Artista: Black Sabbath.


Pois, é. O fim chegou. O ocaso foi inevitável. Depois de décadas de ótimos serviços prestados ao rock'n roll a visionária banda Black Sabbath faz a sua última turnê agora em 2016, e, de quebra, lança o seu derradeiro disco. Trata-se, é bom dizer, de uma edição limitada, que será vendida exclusivamente nos shows do grupo. Ótima estratégia. Mas, e o som do álbum, como está?

Bem, aqui temos 4 faixas inéditas, "sobras" da gravação do mais recente disco deles, "13", e mais 4 músicas ao vivo, gravadas em diversos shows do Sabbath. A primeira das inéditas "Season of the Dead" não se diferencia muito do que a banda mostrou no lançamento anterior. Ou seja, esperem a voz peculiar de Ozzy, o baixo poderoso de Butler e, claro, os riffs de guitarra inconfundíveis de Iommi. Tudo está lá, magistralmente. Sem novidades, mas, é necessário a essa altura do campeonato?

"Cry All Night", a segunda in…
Dica de Filme
"Mistérios e Paixões" (1991) Direção: David Cronenberg.

O senhor Cronenberg, maluco por natureza e profissão, quase sempre se mostrou um cineasta arrebatador. Mestre do desconforto, dirigiu obras seminais como "A Mosca", "Crash - Estranhos Prazeres" e "Marcas da Violência". Mas, os seus últimos filmes têm se mostrado uma verdadeira negação. O que é uma pena, pois até os seus trabalhos menos conhecidos possuem uma qualidade bem ausente em muitos diretores norte-americanos de hoje: a ousadia para chocar (mas, sem ser apelativo).
Este "Mistérios e Paixões", por exemplo, o que temos aqui é cinema com categoria. Baseado livremente num livro de outro notório insano (William S. Burroughs), intitulado "Almoço Nu", a produção começa minimalista, como qualquer outro filme de época. Estamos na década de 50, portanto, a sonoridade pontuada por jazz dá o tom. É quando conhecemos Bill Lee, que quer ser escritor, mas, ganha a vi…