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Mostrando postagens de Novembro 16, 2014
DICA DE FILME

"AMNÉSIA" (2000)
Direção: Christopher Nolan





Que há muito tempo o cinemão hollywoodiano carece de qualidade nos enredos, isso não é mistério pra ninguém. Geralmente, são filmes com muita pompa e pouco conteúdo, com roteiros burocráticos demais, e fórmulas requentadas. Muitas vezes, não passam de meras adapatações de alguma coisa (de livros sobre a Segunda Guerra a quadrinhos de super-heróis). As exceções são raríssimas. "Amnésia", dirigido pelo sempre competente Christopher Nolan, pode ser enquadrado nessas exceções.

A espinha dorsal do filme envolve um típico caso de vingança; a forma como a história é contada é o que faz toda a diferença. Com uma cronologia que mostra os fatos de traz pra frente, o roteiro brinca com a percepção do espectador o tempo todo, obrigando-o a prestar mais atenção às cenas do que o habitual. Sem forçar nenhuma situação em momento algum, não se sabe quem é o herói ou o vilão nessa história. Nada, aqui, portanto, é óbvio demais…
DEBATE SÓCIO-POLÍTICO

POR QUE A CAUSA GAY INCOMODA TANTO?




Algumas coisas parecem sem importância apenas por tratarem de uma minoria. O conceito deturpado de democracia nos leva a isso: a acharmos que um sistema democrático seria a maioria impondo seus dogmas e opiniões ao restante. Porém, é preciso salientar que o fundamento da democracia é bem mais amplo do que isso, e que visa construir e manter os direitos de qualquer cidadão, sendo ele pertencente a muitos ou a poucos.

Tendo como base esse preceito, fica incompreensível que certos grupos como o dos gays, por exemplo, ainda precisem lutar bastante por algo que, num Estado mais justo, seria natural, como o casamento civil e a adoção de crianças, passando pela simples (mas. importante) integridade física do cidadão. Por um viés mais humanista, chega a ser incrível que hoje um debate desses persista (e, com muita força).

Por que a causa da comunidade gay incomoda tanto?

Tanto a discriminação quanto o preconceito têm suas formas de se p…
DICA DE LIVRO

"1984" (1949)
Autor: George Orwell




Originalmente, a palavra distopia vem da medicina. Serve para indicar a localização anormal de algum órgão. Eis que o termo passou a ser empregado também para caracterizar sociedades imaginárias, controladas pelo Estado ou por outras entidades sociais. A opressão, nesse sistema, é o principal método.

Claro que a literatura não poderia se furtar em aproveitar tal ideia, e foram muitos os livros que se utilizaram do conceito de distopia para criarem alegorias críticas da sociedade, seja ele no momento em que foi escrito o livro, seja num futuro próximo. E, geralmente, tais obras são atemporais, não envelhecem, e ainda continuam a serem relevantes.

Dentre esses, um está no panteão dos grandes escritos distópicos, e conseguiu a façanha de servir de influência para várias formas de cultura. Trata-se de "1984", de George Orwell. Tal influência reside até no fato dele ter "emprestado" um de seus termos ("Big Br…
DICA DE LIVRO

"A QUEDA" (1956)
Autor: Albert Camus





Falar com base em si pode ser uma armadilha. Geralmente, cai-se na auto-indulgência, na falsa modéstia ou no egocentrismo descarado. Para o "juiz-penitente", narrador-personagem do livro "A Queda", expôr sua alma na bandeja é, no entanto, uma forma de se flagelar pelas dores do mundo, e não um mero exercício de vaidade.

Aqui, ele mostra nossa indiferença perante os outros, por exemplo:

"(...) ouvi falar de um homem cujo amigo tinha sido preso e que todas as noites se deitava no chão do seu quarto para não gozar de um conforto do qual havia sido privado aquele que ele amava. Quem, meu caro senhor, quem se deitará no chão por nós?" 





Quem terá tal atitude? Quem será o primeiro altruísta a quem atirarão a primeira pedra? Essa inquietação também resvala no seu amor-próprio (ou, na falta dele). Quem sente mais, quem enxerga mais e quem entende mais, acaba por ser um solitário, um pária a perambular por e…