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Mostrando postagens de Setembro 27, 2015
DICA DE DISCO

"Rainha dos Raios" (2014)
Artista: Alice Caymmi.


Mesmo com uma aparente variedade, é difícil uma cantora se destacar no meio musical aqui no Brasil. Há várias saídas. Temos aquelas que são declaradamente pops; dessas, não esperemos nada de muito arrojado. Existem outras que se travestem de alternativas minimalistas, como Céu, mas, que não conseguem força nem na interpretação, nem na composição. Há também um sem-número de imitadoras de Elis Regina e Cássia Éller, fazendo aquele tipo de sambinha bossa-nova pra gringo ver.

Porém, no meio de tudo isso, existe uma outra via. Nessa, encontramos cantoras pouco preocupadas com convenções. São naturalmente ousadas, inquietas. Provocadoras, digamos. Fazem questão de entregarem um trabalho que soe, minimamente, diferenciado. Dessa turma, uma das melhores é a incrível Juçara Marçal. E, lado a lado com o seu nível de inventividade, descobrimos Alice Caymmi.


O sobrenome pode denunciar algo que, talvez, já conheçamos. Mas, não.…
DICA DE DISCO

"Selvática" (2015)
Artista: Karina Buhr.


Difícil falar de uma cantora como Karina Buhr. Além de sua carreira solo, ela escreve alguns ótimos textos sobre a condição atual da mulher na sociedade, além de fazer participações especiais muito boas para outros artistas, como a Banda Eddie. Mas, sozinha, ela deixou um pouco a desejar nos dois primeiros discos dela. Não que sejam necessariamente ruins, mas há algo ali que não se encaixa.

Olhando friamente pra esses primeiros trabalhos, podemos perceber que o que faltou mesmo é harmonia. Karina teve boas ideias para as suas músicas, mas se perdeu no exagero, e acabou deixando tudo meio freak (da forma de cantar, até as letras fracas). Já, em "Selvática", seu mais recente disco, a coisa parece que começa a mudar de figura logo na faixa de abertura.


"Dragão", que abre o álbum, não tem Karina carregando demais a sua voz, a letra é razoavelmente boa ("A tristeza ensina a enfrentar leões"), e o s…
DICA DE FILME

"Que Horas Ela Volta?" (2015)
Direção: Anna Muylaert.


De uns tempos pra cá, o cinema brasileiro vem tentando criticar a classe média. O problema é que geralmente essas produções, no alto de suas pretensões, não conseguiram realizar uma avaliação verdadeiramente mordaz ao estilo de vida individualista e mesquinho desse grupo, e, em alguns casos, parecem fazer apologia a ele (vide os sofríveis "O Som ao Redor" e "Casa Grande", por exemplo).

"Que Horas Ela Volta?" quebra esse paradigma. Consegue fazer uma boa análise dessas novas engrenagens sociais do Brasil, mas sem oferecer algo panfletário. A cineasta Anna Muylaert conduz o filme com muita leveza, simplicidade, com um certo minimalismo. E, que bom. Sem soar nem um pouco prepotente, o resultado é a exposição do cotidiano de uma família, com foco em sua empregada doméstica. A mensagem, então, vai sendo passada através dos pequenos acontecimentos.



No início, vemos Val (a empregada) cui…