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Mostrando postagens de Janeiro 10, 2016
Dica de Documentário

"Em Nome da Razão" (1979)
Direção: Helvécio Ratton.


A loucura sempre foi tabu, mas, antes era tratada de maneira pior, tanto pela classe médica, quanto pelas autoridades, e a sociedade como um todo. Documentos, oficiais e extra-oficiais, dão conta dos horrores que se passavam por trás das paredes de um sanatório. Um pouco disso é mostrado neste eficiente documentário de Ratton, que dada a época em que foi feito, percebe-se o quanto é difícil falar sobre a "loucura", visto que a luta anti-manicomial só ganhou força recentemente.
Narrado pelo próprio cineasta, "Em Nome da Razão" é desconcertante por contestar os métodos utilizados para se tratar os chamados loucos. Tendo como foco o Manicômio de Barbacena, as imagens de pessoas em situações realmente degradantes (nus, sujos, deitados no chão, às vezes, em condições piores do que animais) choca. 
Mas, o documentário, acertadamente, faz questão de mostrar que não só doentes mentais iam para…
Dica de Filme

"Whiplash - Em Busca da Perfeição" (2014)
Direção: Damien Chazelle.


Estórias de superação são recorrentes no cinema. Tão recorrentes que todas parecem ter a mesma estrutura: um mestre, mais experiente, que, não raro, assemelha-se a um verdadeiro carrasco, e seu pupilo, geralmente, uma pessoa ingênua, que vai aprender aos poucos, apanhando muito de seu mestre, até vencer no final. Sim, "Whiplash" segue exatamente à risca essa cartilha, e, mesmo repleto de obviedades, é um filme que funciona bem.

Pra falar a verdade, o que mais incomoda nesse filme é o antagonismo claro entre o tal mestre e o tal pupilo. Esteriótipos não faltam. Terence Fletcher, professor de música do renomado conservatório de Shaffer, é mostrado como alguém, propositalmente, repugnante, impiedoso, mal caráter. Não adianta de nada o roteiro forçar a barra num determinado momento mostrando Fletcher chorando devido à morte de um de seus ex-alunos. Sua figura é carregada e bastante forçada …
Dica de Filme

"Bastardos Inglórios" (2009)
Direção: Quentin Tarantino.


Ok, Segunda Guerra de novo. O cinema parece ter uma verdadeira tara pelo tema. Já foi feito praticamente de tudo com esse assunto, mas, vez ou outra, um novo filme sobre o conflito estréia em nossas salas. Por que, então, esta produção de Tarantino haveria de ser especial, e merecer a nossa atenção? Simples: o diretor conseguiu realizar uma impagável sátira com ares de clássico. Parece algo convencional ao gênero, mas, aqui e acolá, encontramos a marca registrada do cineasta (e, muito bem dosada).

O impacto já começa com uma das melhores sequências do cinema norte-americano recente. É quando conhecemos o temido Coronel Landa, simplesmente, um vilão excepcional por mérito e natureza. Seu diálogo com um homem que está escondendo judeus refugiados num porão é digna de nota. Apenas com palavras (e o olhar ameaçador de Landa), Tarantino construiu algo tenso e brutal (sem derramar uma gota de sangue sequer!). E, …
Tamanho não é documento, principalmente, quando se fala em literatura. Não é raro encontrarmos as melhores obras de grandes autores em seus menores livros; aqueles que, aparentemente, são descompromissados em sua proposta, mas, que acabam reunindo, de forma brilhante, todo o pensamento do escritor em poucas palavras e páginas. Muitos estão longe de serem leituras simples, possuindo uma enorme reflexão do ser humano. Algo, enfim, que só pode ser atribuído aos grandes gênios das palavras.


10 PEQUENOS GRANDES LIVROS


10°
"Fup"
Ano de lançamento: 1983.
Autor: Jim Dodge.
Não se enganem com relação ao enredo, teoricamente, infantil (um velho fazendeiro e seu neto adotam uma pata como animal de estimação). Logo de início, a linguagem é rústica e cheia de palavrões, a cargo do Vovô Jake, o velho fazendeiro. Em tom de fábula, mas, com situações adultas e complexas, e um realismo fantástico fascinante, o livro é de uma incrível sensibilidade, de tom crítico, e até melancólico e triste. Uma…
Dica de Filme

"A Viagem de Chihiro" (2001) Direção: Hayao Miyazaki.

Alguns, realmente, nascem com um dom para certos tipo de arte. Por exemplo, é quase impossível desvencilhar Miyazaki das animações. Seus desenhos, até para os padrões japoneses, possuem muitos diferenciais. Apesar de alguns serem violentos (e, por tabela, assustadores) para crianças, eles também possuem mensagens muito pertinentes, não só para os pequenos, mas, para os grandes. São, em suma, produções de uma sensibilidade ímpar.
"A Viagem de Chihiro", um dos mais conhecidos de sua obra, não é seu melhor trabalho (posto que cabe a "Princesa Mononoke" e "Nausicaä do Vale dos Ventos". Mas, é uma animação muito acima da média do que nos acostumamos a assistir das superproduções hollywoodianas. Isso porque Miyazaki trata a figura da criança como um ser inteligente, e não como alguém mais bobo do que os adultos. O diretor, de fato, sabe ter respeito pelos mais novos.




A protagonista aqui…
Dica de Filme

"O Regresso" (2015)
Direção: Alejandro Gonzáles Iñarritu.


Depois do grande sucesso de público e crítica de "Birdman", o diretor Iñarritu virou uma incógnita. Será que conseguiria manter o ótimo padrão que os seus filmes sempre demonstraram, mesmo após um Oscar debaixo do braço? E, a resposta está aqui, em "O Regresso", um vigoroso exercício cinematográfico, que coloca muita superprodução badalada por aí no chinelo. Épico por natureza, este filme possui diversas cenas marcantes, e é um dos melhores do ano que passou.

Seus 15 primeiros minutos são tão tensos que me lembrou a sequência de abertura em "O Resgate do Soldado Ryan". A câmera de Iñarritu está melhor do que nunca, enquadrando cada cena no devido lugar, com pouquíssimos cortes. O olhar do cineasta, propositalmente, é de baixo pra cima, como que para dizer o quão somos pequenos perante tanto à natureza, quanto à uma real luta pela sobrevivência. Um começo de tirar o fôlego.




Mas…