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Mostrando postagens de Julho 13, 2014
DICA DE FILME

"UMA NOITE DE CRIME" (2013)




Às vezes, não dá para entender certas exigências do público e dos críticos de cinema. Quando um filme se propõe a ser crítico, é quase unânime que querem que ele seja panfletário, à lá Michael Moore. Esquecem-se, no entanto, que o tiro, com frequência, sai pela culatra, e muitos cineastas, na empolgação de passarem a sua mensagem, deixam seus filmes pedantes, afastando-se da proposta inicial.

Peguemos a produção "Uma Noite de Crime" para exemplificar. Ele foi bastante malhado por uma boa parte das pessoas que o assistiram sob a justificativa de que ele começa levantando pontos interessantes, como a nossa relação com a questão da violência, e depois, descamba para um suspense vazio. Falam muito de "oportunidades perdidas" neste longa. Só que não é bem assim.




Ele, de fato, em seu início, foca-se num hipotético futuro, onde a população dos EUA conseguiu baixar a criminalidade do país ao instaurar o "dia da purgaç…
DICA DE FILME

"DOGVILLE" (2003)




Lars Von Trier é o cineasta atual preferido para se odiar. Mostrando-se, é verdade, muitas vezes pedante, arrogante e sendo criador de polêmicas vazias, de algo não se pode acusá-lo: oportunismo. Desde sua estréia em 1988 com "Os Idiotas", que fez parte do movimento Dogma 95, ele nunca teve concessões com sua arte. Nessa produção, expunha, sem pmudores, cenas de sexo e grupo explícitas e colocava deficientes mentais para atuarem como eles mesmos. Depois, quase levou Björk à loucura em "Dançando no Escuro". Chocou o público com "Anticristo", e, recentemente, mostrou muita técnica em filmes enfadonhos ("Melancolia" e "Ninfomaníaca").

No meio de todos estes, porém, conseguiu fazer sua obra-prima: "Dogville". Até mesmo quem costuma torcer o nariz para as produções do dinamarquês, rende-se a este puro exercício de fazer cinema. Trata-se, antes de tudo, de um desafio. O cenário onde se passa…
DICA DE FILME

"VIVA À LIBERDADE" (2013)




Nem sempre a primeira impressão ser diferente do previsto é algo necessariamente ruim. Peguemos como exemplo o filme "Viva à Liberdade". Além da produção ser italiana, o enredo fala da troca de papéis por irmãos gêmeos. Seria de supor que se trata daquelas comédias escrachadas, em tom de besteirol, fazendo a platéia morrer de rir o tempo todo. Aqui, no entanto, não é bem assim.

Esse longa tem até alguns momentos de humor, mas são esparsos durante toda a narrativa, e servem mais para sorrir do que para gargalhar. Ele, inclusive, é bem comedido, sem atuações exageradas. E isso é bom. A partir do instante em que quebra convenções ao anão dar exatamente o que esse tipo de estória geralmente nos oferece, "Viva à Liberdade" foca em outras questões bem mais interessantes, como o desconforto com a vida cotidiana e o nível de falsidade no jogo político.




E, essa estória poderia render, por sinal, um sem número de clichês, o qu…
DICA DE DISCO 

"ONCE MORE 'ROUND THE SUN" (2014)




O Mastodon é uma das poucas bandas atuais que vem mostrando uma carreira com bastante unidade. Todos os seus discos lançados até agora são dignos de nota, alguns sendo considerados por muitas pessoas como os melhores da década, caso de "Leviathan", "Blood Mountain" e "Crack the Skye". Após o ensolarado "The Hunter", de 2011, o grupo parece ter abandonado de vez os discos temáticos, partido para uma produção mais heterogênea. O resultado continua acima da média.

"Once More 'Round the Sun" é fácil um dos álbuns do ano. Começa sua viagem sonora com a música "Tread Lightly", onde uma suave introdução de violão logo é substituída pela poderosa massa sonora do Mastodon, aqui, mais entrosados do que nunca. A voz rasgada do baixista Troy Sanders já se faz familiar para quem acompanhou os lançamentos da banda ao longo desses anos.




Mas, é na faixa seguinte, "The Mot…
DICA DE DISCO

"DIRT" (1992)




Rótulos, às vezes, atrapalham e muito, principalmente no tocante à música. Quando a turma do grunge explodiu há mais de 20 anos em Seatle, várias bandas de sons muito diferentes foram colocados no mesmo pacote. O Alice in Chains, por exemplo, podia ter um visual que lembrasse todo aquele hype, mas sua música era calcada totalmente no heavy metal setentista, mais precisamente tendo o Black Sabbath como influência. Já, os outros grupos da cena eram mais voltados para o punk dos Sex Pistols, em sua maioria.




Depois de lançarem o ótimo "Facelift" e de terem emplacado um mega-hit, "Man in the Box", o Alice compôs aquele que seria seu disco essencial, "Dirt". Com linhas vocais mais arrastadas e soturnas de Layne Staley, guitarras ora enfurecidas, ora tristes de Jerry Cantrell, e ainda tendo uma coesa cozinha a cargo do baixista Mike Starr e do baterista Sean Kinney, o grupo conseguiu fazer um poderoso álbum de puro rock, mas …
DICA DE FILME

"DO AMOR E OUTROS DEMÔNIOS" (2009)

"- O Mal não está em Deus, mas em sua ausência.
- Ou talvez no livre-arbítrio que Deus nos deu.
- Não se combate o Mal com a razão, mas com a fé!"




Esse diálogo entre o jovem padre Cayetano e seu bispo pontua bem a espinha dorsal do filme "Do Amor e Outros Demônios", adaptação da obra de Gabriel Garcia Marquez. As interpretações a cerca do Bem e do Mal, de Deus e do Diabo determinam o rumo que os personagens da estória deverão trilhar. Por exemplo: uma simples febre provocada pela mordida de um cão portador de raiva numa moça é pretexto para que os religiosos da localidade entendam que ela está possuída por forças malignas, e designam sua internação num convento a fim de curá-la.

A menina é filha do marquês de Cartagena das Índias, e trata-se de uma jovem sonhadora e apaixonada pelas coisas, e que foi criada pelos escravos da família. Só que suas paixões, como descobrir o sabor que tem um beijo, irão de encontro…