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Mostrando postagens de 2018
Dica de Livro

"As Coisas que Perdemos no Fogo"
2017
Autora: Mariana Enriquez


Escritora usa o terror para abordar, nas entrelinhas, temas como ditadura militar, violência urbana e outros assuntos realmente assustadores da vida real
Fazer histórias terror não é algo relativamente fácil, ainda mais nos dias de hoje, onde parece que praticamente tudo já foi feito em se tratando desse gênero, e nada mais consegue assustar as pessoas. Mas, eis que surgem, de vez em quando, artistas com um toque genial, que conseguem pegar algo clichê, misturá-lo com fatos do cotidiano, e fazer com que medos reais se tornem tão ou mais aterrorizantes do que o pior dos monstros. A escritora Mariana Enriquez é uma dessas artistas, e consegue com este As Coisas que Perdemos no Fogo, algo que parecia distante nos tempos atuais: faz com que sintamos um pavor enorme com histórias de terror, algo que vai do incômodo gerado por um ambiente estranho, ao choque por presenciar algo verdadeiramente macabro.


Mas, o…
Dica de Documentário

"Feministas: O que elas estava pensando?" 2018 Direção: Johanna Demetrakas

Documentário original da Netflix expõe a necessidade do Feminismo nos dias atuais através da perspectiva de quem viveu a efervescência do movimento nos anos 70
O Feminismo ainda incomoda. Muito. Sejam homens ou mulheres, só a menção da palavra parece causar ojeriza em algumas pessoas, como se ser feminista fosse uma grave doença. De fato, há muito o que melhorar nesse sentido, mas, então, imaginemos como era há cerca de 40 anos atrás, quando o machismo conseguia ser ainda mais forte e brutal? E, é justamente nesse contexto que as personagens do documentário Feministas: O que eles estavam pensando? estavam inseridas, e, décadas depois estão aqui para relembrar o passado, analisar o presente e propôr para o futuro.



O documentário tem por base um ensaio fotográfico feito por Cynthia MacAdams na década de 70 com algumas ativistas do movimento feminista, como, por exemplo, a atriz Jane Fon…
Dica de Filme

"Nasce uma Estrela"
2018
Direção: Bradley Cooper


Quarta refilmagem de Nasce uma Estrela é um comovente relato de um relacionamento amoroso cheio de complicações
Por mais que se diga o contrário, as histórias de amor são, sim, repletas de possibilidades. Através delas, você pode contar um drama, uma comédia ou até mesmo um enredo de terror. E, ainda por cima, são narrativas que podem ter camadas e mais camadas, onde se pode flertar com diversos e pertinentes temas. Nasce uma Estrela, quarto filme a ser feito com a mesma historia (o primeiro é datado de 1937), aborda justamente uma dessas histórias. Essa nova versão se atualiza para contar aquilo que, aparentemente, é um típico romance água com açúcar que tanto vemos por aí, mas, que aponta para outros horizontes, alguns deles, bem pouco óbvios.




Os primeiros minutos de projeção são interessantíssimos. Mostram ambos os protagonistas, cada um inicialmente separado do outro, em seus respectivos ambientes, para depois se…
Dica de Filme

"O Bebê de Rosemary"
1968
Direção: Roman Polanski


Pós-terror em pleno século XX? Desculpe os desavisados, mas se pós-terror significa horror psicológico, com elementos que remetem diretamente a desarranjos familiares, isso já era (muito bem) feito há cerca de 50 anos atrás, quando um tal de Roman Polanski dirigiu um perturbador pesadelo de nome O Bebê de Rosemary, uma produção que envelheceu muito pouco, e que ainda pode agoniar os espectadores mais impressionados por aí, principalmente aqueles que gostam de uma boa história contada aos poucos, sem pressa, onde a ambientação é o horror em si. Se esse é a seu caso, o quinto longa de Polanski é um prato cheio para você (e, para a sua mente, claro).




Quando o filme começa, vislumbramos uma panorâmica aérea que diz muito logo de início. Prédios modernos são mostrados em sua grandiosidade, para a câmera parar, justamente, num prédio de estilo bem mais antigo (e, soturno). É como se, mesmo moderno, o mundo ainda estivess…
Dica de Disco

"Anthem of the Peaceful Army"
2018
Artista: Greta Van Fleet


Primeiro disco da banda Greta Van Fleet reforça a influência do Led Zeppelin, mas aponta para outros caminhos bastante interessantes
O fã de rock, seja ele novo, ou com uma idade já avançada, e muitos discos escutados, infelizmente, tem uma tendência um tanto chata de reclamar por reclamar. Se a banda soa muito diferente dentro do estilo, ela é acusada de experimental e enfadonha demais. No entanto, se o grupo, mesmo demonstrando grande talento, emula bastante as baandas clássicas, ele é acusado de plágio, de falta de originalidade. A verdade é que agradar a gregos e troianos é difícil, ainda mais num meio onde o fundamentalismo de ideias, muitas vezes, dá a tônica da questão. Dito isso, a jovem banda Greta Van Fleet já foi acusada de ser uma cópia descarada do Led Zeppelin antes mesmo que lançassem o seu primeiro disco "cheio", e com todos os integrantes na faixa dos seus 22 anos, ainda tendo, p…
Dica de Filme

"BLACKkKLANSMAN - Infiltrado na Klan" 
2018
Direção: Spike Lee

Falar em cinema "panfletário" causa ojeriza em alguns cinéfilos. Em parte, faz sentido. Muitos filmes que tentam "passar uma mensagem" são, de fato, forçados, mas, muitos outros conseguem passar o que querem de maneira mais natural, mais orgânica do que o normal. É aí que entra o trabalha do ótimo cineasta Spike Lee, que faz da sua arte um grande panfleto político e social, sem pudor algum, e, na maioria das vezes, acerta no alvo. Chegamos, então, na sua mais recente empreitada, Infiltrado na Klan, que conta a história verídica de Ron Stallworth, um policial negro do Colorado, que, em 1978, conseguiu entrar na temida Ku Klux Klan. 



Primeiramente, vamos às falhas. Sim, aqui temos um típico filme "cool" até o osso, com uma mensagem fortíssima em todas as suas camadas, mas, que tem momentos nos quais se perde um pouco, e isso é culpa do roteiro inconstante escrito pelo própri…
Dica de Filme

"O Beijo da Mulher Aranha" 
1985
Direção: Hector Babenco


Adaptação para cinema do belíssimo romance de Manuel Puig é um triste e poético estudo de personagens tão diferentes, quanto fascinantes
Nos filmes, uma boa história se faz, essencialmente, com bons personagens. Fato. Tudo bem que o autor da história pode tem um tremendo domínio narrativo, e contar uma trama de maneira bem redonda, sem grandes atropelos. Os efeitos visuais podem ser de cair o queixo de tão bonitos. A trama pode ser a mais inteligente possível, com reviravoltas mirabolantes a cada 15 minutos. Ou simplesmente os atores podem dar o melhor de si em interpretações excelentes. Muito provavelmente pouco ou nada disso vai surtir efeito prático para classificar um filme de bom se os personagens, em si, não forem minimamente interessantes sob algum posto de vista. E, aqui, em O Beijo da Mulher Aranha, temos não um, mais dois personagens interessantíssimos, e sob duas óticas distintas, mas que vão dialo…