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Mostrando postagens de 2018
Dica de Disco

"Tranquility Base Hotel And Casino"
2018
Artista: Arctic Monkeys


MAIS INTIMISTA DO QUE NUNCA, O ARCTIC MONKEYS VOLTA AO PASSADO PARA REFLETIR O PRESENTE

Climático. É assim que começa o novo disco da banda Arctic Monkeys, Tranquility Base Hotel And Casino. E, pelo menos, durante todo o seu trajeto de 11 faixas, o álbum vai seguir nessa toada, em doses maiores ou menores. Mas, sempre numa levada mais cadenciada, mais intimista do que em seus trabalhos anteriores. A primeira música, por exemplo, "Star Treatment", parece algo saído de alguma jam session com o Joy Division; tão soturno quanto, mas, com um pouco mais de requinte instrumental. E, isso talvez choque os fãs mais ardorosos e xiitas do grupo, principalmente para aqueles que consideram Whatever People Say I Am, That's What I'm NotFavourite Worst Nightmare pequenas joias do indie rock moderno.



Soa simplista, no entanto, dizer que o Arctic Monkeys ficou chato porque os seus integrantes  enve…
Dica de Filme

"Coisas Belas e Sujas"
2002
Direção: Stephen Frears

FREARS USA O SUSPENSE PARA TECER UMA CRÍTICA BEM CONTUNDENTE À SITUAÇÃO DOS IMIGRANTES NO PRIMEIRO MUNDO
O diretor Stephen Frears é um diretor bastante habilidoso. Tendo comandado filmes de inegável qualidade, como "Ligações Perigosas", "Os Imorais" e "Alta Fidelidade", ele tem um gosto apurado para ir além das convenções dos mais diversos gêneros, e mostrar "algo a mais" em suas obras, por mais despretensiosas que elas aparentem ser. E, um de seus trabalhos mais emblemáticos é este "Coisas Belas e Sujas", que se apropria de um gênero já um pouco batido do cinema, o thriller de suspense, para dialogar sobre um assunto bastante delicado e complexo nos dias atuais: a situação de penúria pela qual vivem os imigrantes ao redor do mundo. Neste caso aqui, a ambientação é na Inglaterra, mais precisamente em Londres, lugar que Frears conhece muito bem.




Com uma narrativa qu…
Dica de Disco

"Family Tree"
2018 
Artista: Black Stone Cherry


É ROCK'N ROLL NA VEIA, E NADA MAIS
Num tempo em que a música precisa ser intrincada e complicada demais, gerando um som quase "alienígena", às vezes, um bom feijão com arroz é mais do que suficiente. Não que o rock, por exemplo, precise de fórmula A ou b para dar certo, mas, parece que quando ele segue o básico, o resultado é quase sempre animador.

Nisto, chegamos ao novo disco da banda Black Stone Cherry, Family Tree.

E, é com muito gosto que estamos diante de um dos melhores disco da banda. Após uma ótima estreia com um disco homônimo, de 2006, e uma continuação espetacular com Folklore and Superstition, de 2008, foi só decepção, com o grupo enveredando por um caminho bem mais pop, e bem menos interessante. Eis que, 12 anos após o seu debut, o grupo lança, agora, sim, um discaço.



E, o que fez a Black Stone Cherry realizar um retorno triunfal? Bem simples: eles assumiram de vez a sua via southern rock, …
Disco Mais ou Menos Recomendável

"Viagem ao Coração do Sol"
2018 
Artista: Cordel do Fogo Encantado


O RETORNO DO CORDEL DO FOGO ENCANTADO AOS ESTÚDIOS ESTÁ LONGE DE SER MEMORÁVEL
Nesse clima de revival que tomou conta da música brasileira, pelo menos, de uns 15 anos pra cá, muitas bandas vão e voltam, sejam através de especiais do tipo Acústicos, sejam através de álbuns inéditos, onde, muitas vezes, a gente só vislumbra um pouco do que a banda foi há tempos, apesar do referido trabalho ter uma indiscutível qualidade. Mas, a mesma aura de outrora, parece ter se esvaziado um pouco. Ouvir o novo disco do Cordel do Fogo Encantado não deixa de passar um pouco dessa sensação em alguns momentos. Em outros, a gente enxerga nitidamente o que foi o Cordel um dia, mas, ainda assim, parece que faltou alguma coisa.



Mais precisamente, falta um pouco mais frescor ao trabalho, com aquela sensação de empolgação que sentíamos ao ouvir músicas como "Chover", "Palhaço do Circo sem Fu…
Dica de Filme

"O Insulto"
2017 
Direção: Ziad Doueiri


"O Insulto" mostra como o poder das palavras pode abrir velhas feridas num ambiente sócio-político extremamente complicado
As palavras têm poder. Para o bem e para o mal. Muitas guerras e conflitos em geral começam assim: com uma palavra mal-dita, com um gesto imprudente, enfim, com um insulto. Um insulto, inclusive, que pode deixar vir à tona uma série de feridas ainda não cicatrizadas. Feridas geradas por situações estúpidas, de governos estúpidos, onde não há vencedores entre a população mais pobre; somente perdedores. E, é isso o que vemos em O Insulto, que parte de uma situação cotidiana banal (uma calha de uma casa) para estender o seu debate de forma macro e poderosa.



E, aqui, não estamos falando de um conflito qualquer, mas, da complicada situação social do Líbano, que recebe continuamente refugiados palestinos, que, muitas vezes, são estigmatizados entre os libaneses, a maioria cristãos. É nesse contexto di…
Dica de Filme

"Extermínio"
2002
Direção: Danny Boyle


Danny Boyle inaugura a nova moda dos zumbis no cinema com um filmaço
Alguns cineastas dispensam muitos comentários, seja para o lado positivo, seja para o lado negativo. No caso do visionário Dabby Boyle, dificilmente, encontraremos alguma produção meia-boca em sua filmografia. Isso porque o cineasta consegue imprimir um tom muito autoral em seus projetos, por mais que eles pertençam a um nicho bem específico. No caso de "filmes de zumbis", o que ele fez foi "apenas" iniciar toda essa onda dos mortos-vivos viraram pop, bem antes de The Walking Dead, por sinal. E, a culpa disso recai sobre um filmão chamado Extermínio.




As primeiras sequências de Extermínio já demonstram o domínio narrativo de Boyle. Numa sequência onde são exibidas cenas de violência de todos os tipos (terroristas matando possíveis dissidentes, policiais empancando manifestantes...), um chimpanzé, amarrado a uma mesa, observa tais cenas. Mes…
Dica de Filme

"Vidas ao Vento"
2013
Hayao Miyazaki


Um dos mais românticos filmes de Miyazaki é uma ode a favor da vida e contra a guerra

A fantasia no cinema de Miyazaki sempre teve propósitos claros de passar alguma moral para as crianças, numa linguagem só para elas, mas, não subestimando a inteligência das mesmas. E, talvez seja esse o grande triunfo das animações do mestre da animação japonesa: tratar crianças com o devido respeito. "Vidas ao Ventos", que na época foi anunciado como o último filme dele (felizmente, isso não se concretizou), é um exemplo perfeito de como uma animação pode dialogar com crianças e adultos, com temas um tanto pesados, mas, sem soar forçado, muito menos, irrelevante.




Valendo-se de personagens históricos que realmente existiram, Miyazaki tece uma belíssima fábula sobre a vida humana, onde desejos, sonhos, amores e frustrações se misturam para nos mostrar que, às vezes, as pequenas coisas importam mais, e que, por detrás de grandes projet…