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Mostrando postagens de Setembro 11, 2016
Dica de Filme

"Mãe só Há Uma" (2016)
Direção: Anna Muylaert.


Muitas vezes, o que o cinema nacional precisa são de histórias simples bem contadas. Sem clichês relacionados à favela, ao sertão ou à Ditadura Militar, e sem arroubos pseudocults de quem coloca mil e uma referências em seus filmes (da Nouvelle Vouge à Fellinni), mas, de sem nenhuma substância. A diretora Anna Muylaert está num seleto grupo de realizadores que se preocupam, apenas, em contarem um bom enredo de maneira correta. O que vier além disso, acaba sendo lucro, como foi o caso de "Que Horas Ela Volta?", filme anterior da cineasta, que falou a respeito de assuntos muito pertinentes para a época atual (a exploração das empregadas domésticas e a mesquinharia latente da nossa classe média). Sem dúvida, foi a melhor produção nacional de 2015.
Neste "Mãe só Há Uma", no entanto, temos um tema que não é tão facilmente identificável, sendo algo um pouco mais intimista: a luta por uma identidade. Bas…
Dica de Filme

"Born to be Blue" (2015)
Direção: Robert Budreau.


Cinebiografias são sempre um terreno muito nebuloso. Ou, elas são esquemáticas, e, por isso, pouco interessantes (a não ser para os fãs do biografado, ou elas são mais ou menos arrojadas em sua proposta, tirando o gênero do lugar comum. "Born to be Blue", baseada na vida e obra do grande trompetista Chet Baker, consegue fluir pelas qualidades de ambas as vertentes. Mesmo não investindo no óbvio, consegue retratar momentos importantes da vida de Baker de uma maneira competente, mas, sem soar tão clichê.
Muito contribuiu a forma como o filme começa, em preto e branco, mostrando um pequeno recorte da vida de Baker, para depois descobrirmos que aquelas sequências estavam sendo encenadas para um filme sobre a vida dele, e a produção passa a mostrar os "momentos reais" em cores. Um artifício muito bom, visto que, ao longo do filme, ele voltará a ser utilizado, mas, para compor as lembranças do trompe…
Dica de Filme

"Palombella Rossa" (1989)
Direção: Nanni Moretti.


Há filmes, por assim dizer, inclassificáveis. É o tipo de produção que mexe com o espectador. perturbando-o de tal forma, que que este não sabe se ri, chora, reflete, ou qualquer outra coisa. Mas, dificilmente, ele fica indiferente ao que vê. E, há aqueles cineastas que são inclassificáveis, profissionais que sempre (repito: SEMPRE!) nos proporciona experiências interessantíssimas com seus trabalhos, e, por isso mesmo, são, às vezes, de difícil assimilação pelo público médio. O italiano Nanni Moretti pode, sem maiores problemas, ser colocado nesse rol privilegiado de diretores em que cada um dos seus filmes nos proporciona momentos únicos.
Este "Palombella Rossa", por exemplo, é um filme de descrição um tanto complicada. Como classificá-lo? Uma drama? Uma comédia? Os dois juntos? Ou, algo mais? É preciso, como se vê, ter certa paciência e atenção para "pegar" sua história. No decorrer das cenas…
Dica de Filme

"Lemon Tree" (2008)
Direção: Eran Riklis.


As sutilezas, geralmente, conferem ótimo cinema, apesar de pouco praticadas. E, mais geralmente ainda, arroubos narrativos, jogos histéricos de câmera e muita pseudointelectualidade resultam em filmes pedantes, aplaudidos por muitos, é verdade, mas, sem a mínima substância para classificá-los como autêntico cinema. Simplicidade não significa descuido; é apenas um dos melhores jeitos de passar uma mensagem, e mesmo assim, ter algum verniz artístico. Algumas produções falam, por exemplo, da desapropriação de terras pelo governo ou por empresas privadas, mas, provavelmente, poucas têm o impacto de "Lemon Tree".
A história, por si, já dá margem para que se desenvolva algo muito bom a partir dela. Conta as agruras de Salma Zidane, uma viúva que mora na fronteira entre Israel e Cisjordânia. Sua vida passa a ter sérios problemas quando o Ministro da Defesa israelense vem morar em frente às sua plantação de limoeiros, e…
Curta não Recomendável

"Eletrodoméstica" 
Direção: Kléber Mendonça Filho.


Não basta você ter uma grande ideia nas mãos, é preciso saber como executá-la de maneira satisfatória. Caso contrário, a premissa ficará apenas na promessa de ter entrega algo verdadeiramente marcante. Este curta de Kléber Mendonça é um bom exemplo disso. A princípio, temos, a partir do título, um trocadilho interessante com o termo eletrodoméstico (o aparelho, a máquina), aonde é mudado para eletrodomésticA, o que pode denotar, de cara, que se trata de uma crítica à mecanização das pessoas, cada vez mais parecidas com os objetos que usa no dia a dia.
Porém, o curta já começa de forma péssima, situando o espectador nos bairros do Recife, mas, alongando-se demais nessas cenas, pontuadas por uma péssima música da banda Paulo Francis vai pro Céu ("Eu Queria Morar em Bervelly Hills"), que apela mais para as notórias gracinhas, pra fazer os pseudocults rirem mesmo, do que para fazer refletir ou algo…
Dica de Filme

"Santa Sangre" (1989)
Direção: Alejandro Jodorowsky.


A liberdade, sem dúvida, é um os bens mais preciosos do ser humano. Não uma mera liberdade que se fazer tudo o que quer, mas, sim, aquela que permite nossa autonomia, nossa capacidade de discernimento, enfim, o nosso caráter. E, esse é o tema central de "Santa Sangre". mesmo que, aparentemente, estejamos vendo aqui uma história mais "tradicional" do inquietante cineasta Alejandro Jodorowsky. Pra quem já conhece a filmografia do diretor, sabe muito bem que as suas produções são tudo, menos, convencionais.
Porém, enquanto o tema central desse filme é a liberdade, o seu universo é totalmente circense (lembrando que o próprio Jodorowski trabalhou no circo quando jovem). Por sinal, este talvez seja o filme onde mais se veja essa influência, não só porque o cenário do primeiro ato se passa, de fato, num circo, mas, devido às metáforas que versam sobre a representação de cada pessoa no palco que é …