Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Agosto 30, 2015
DICA DE FILME

"A Classe" (2007)
Direção: Ilmar Raag.


Linhas tênues precisam ser quebradas, vez ou outra. O risco é alto, mas, com isso, consegue-se fazer um debate mais amplo e profundo sobre assuntos que, geralmente, são tratados com superficialidade. Mas, não é fácil. A má-fé faz de uma boa abordagem algo distorcido, muitas vezes, distanciando-se do objetivo inicial. E, é assim que "A Classe" se insere.

É um filme bastante pertinente, mas não é para qualquer um assistir. Fica muito evidente que a interpretação que se pode tirar daqui seja o da violência pela violência. Só que, com um pouco de cuidado, vê-se que não é isso o que a produção se propõe. Longe de ser apelativa, ela mostra como a humilhação e o sofrimento podem afetar a mente de toda e qualquer pessoa.



Mas, não só isso. A partir do momento em que o enredo conta como Joosep passa a ser protegido por Kaspar, seu colega de classe, dos abusos dos outros alunos, o longa dialoga com outros assuntos, como a pie…
DICA DE FILME

"Marcas da Violência" (2005)
Direção: David Cronenberg.



Cronenberg é um diretor com estilo. Seus filmes têm uma carga autoral muito forte, e, mesmo os mais recentes, que possuem cenas mais comedidas e sutis, possuem aquela carga de outsider com o cineasta mostrou desde os primórdios, incluindo seu grande sucesso "A Mosca". Este "Marcas da Violência" pode ser definido com um meio termo de várias suas produções.

A estória original em quadrinhos é muito bem bolada e envolvente. Tratando de um típico pai de família que, aos poucos, vai mostrando sua verdadeira face, e desencadeia uma onda de violência sem limites, o enredo conta, de forma muito competente, como essa espiral de sangue afeta na vida das pessoas, e como atos violentos acabam caindo na banalidade do dia a dia.




Coube a Cronenberg realizar uma forte adaptação para cinema, e, de quebra, revigorou a carreira dele, que estava em baixa. Mas, convenhamos que, aqui, ele realmente caprichou. P…
DICA DE FILME

"O Cemitério dos Vagalumes" (1988)
Direção: Isao Takahata.


Falar de guerras no cinema pode soar clichê. Quando envolve crianças, então, parece que a coisa já virá viciada com aquela manipulação dramática de melodrama. Mas, existem ocasiões em que certas estórias devem ser contadas, mesmo correndo esse risco. Só que o resultado de algumas fica tão fascinante que a emoção vem natural, e não forçada, mesmo que numa aura bastante triste.

"O Cemitério dos Vagalumes" é extremamente lindo. E, intenso. Dos primeiros segundos, quando vemos o jovem Seita caído no chão, como um mendigo, nosso envolvimento com estória e personagens é total. Mas, não esperem sentimentalismos baratos ou maniqueísmos fáceis. Cada cena tem o peso dramático que a narrativa exige, e isso vale não polpar o espectador com situações fortes.



E, logo no início, sem a mínima cerimônia, já sabemos o destino de Seita. Um destino que se torna ainda mais cruel após vermos ele tentando sobreviver a…
DICA DE DISCO

"VII - Strum und Drang" (2015)
Artista: Lamb of God.


Tudo intacto e no seu devido lugar. É isso o que pensa o ouvinte de longa data da banda Lamb of God ao ouvir apenas os segundos iniciais de "Still Echoes", primeira faixa do mais recente disco deles, "VII - Strum und Drang". A cadência, a bateria alucinada, os riffs certeiros e um vocal infernal. É, o Lamb of God não mudou muito (e isso pode ser bom ou ruim, dependendo do que você espera de um artista). A segunda música do trabalho, "Erase This", ainda mais pesada e rápida do que a anterior confirma: ame ou odeie, mas eles fazem música com muita competência.

E, olhem que o grupo passou, recentemente, por sérios problemas. Randy Blythe, o vocalista, foi acusado de ter causado a morte de um fã da banda na República Tcheca em um show em 2010. Preso dois anos depois, quando retornou ao país para tocar, foi julgado e inocentado. Some-se a isso, o baixista John Campbell ter precisado se …
DICA DE FILME

"Abril Despedaçado" (2001)
Direção: Walter Salles.


A eterna tradição que nos oprime. Podemos encontrá-la em qualquer lugar, a qualquer momento. Muitas vezes, cobra um alto preço. No caso de Tonho, esse preço é a sua vida. A tradição? Um rixa de família que ultrapassa gerações, e que não dá trégua. O sangue de um pago somente com o sangue do outro. Essa é a regra, e que ninguém ousar quebrar. Um ciclo interminável de violência.

O calvário de Tonho começa quando matam seu irmão. Sua obrigação? Matar o seu assassino. E, o irmão deste irá continuar o ciclo, tirando a vida de Tonho. Mas, há regras. A vingança só pode ser consumada quando o sangue da camisa da vítima, pendurada num varal, "amarelar". Aí, será a hora. E, todos, como num acordo formal, cumprem isso religiosamente.



A contestação desses absurdos vem justamente do irmão mais novo de Tonho, a quem chamam apenas "Menino". O garoto é um típico estranho no ninho. Mesmo num ambiente tão desol…