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Mostrando postagens de Julho 30, 2017
Dica de Filme

"Eu, Daniel Blake"
2016
Direção: Ken Loach


A HISTÓRIA DE UM HOMEM COMUM, UM CIDADÃO COMUM, DECENTE, EM BUSCA DO BÁSICO: DIGNIDADE
O cinema, às vezes, tem disso: dá um nó na gargante, provoca revolta, externa alguma dilacerante angústia presa no peito, dá voz aos humilhados. Por definição e excelência, é "cinema político", engajado, que pode ser tanto panfletário, quanto sutil, contanto, que seja bem realizado. O veterano cineasta Ken Loach é um dos poucos diretores antigos em atividade que ainda fazem da sétima arte uma plataforma de luta, para expressarem as maiores discrepâncias de uma sociedade doente e medíocre, como Constantin Costa-Gavras e Nani Moretti. E, mesmo que os filmes destes não tenham mais o mesmo "furor" ou a mesma "energia" de outrora, suas inquietações continuam dolorosamente pertinentes, só que apresentadas de maneira mais intimista. É o caso de "Eu, Daniel Blake", produção que desperta crítica, tristeza e…
Dica de Disco

"The Rise of Chaos"
2017
Artista: Accept


"THE RISE OF CHAOS" É MAIS UM ÓTIMO DISCO DO ACCEPT, MESMO PERDENDO UM POUCO DE FÔLEGO EM SUA PARTE FINAL

Depois de sua volta triunfal em 2010, com "Blood for the Nations", o Accept vem mantendo uma boa regularidade ao lançar, pelo menos, a cada dois anos, um disco que exige respeito. Foi assim com os petardos "Stalingrad" (2012) e "Blind Rage" (2014). E, agora, eis que temos mais um novo trabalho do grupo no mercado, e se não é um álbum pra ser chamado de clássico (pelo menos, ainda), mantém o nível do bom e velho heavy metal lá em cima. Afinal, estamos falando de veteranos do naipe de Mark Tornillo (vocal), Wolf Hoffmann e Herman Frank (guitarras), Peter Baltes (baixo) e Stefan Schwarzmann (bateria), e, é bom falar, todos continuam afiadíssimos em suas respectivas funções, o que torna o Accept uma das melhores bandas antigas ainda em atividade.
Voltando a "The Rise of Chaos"…
Disco Mais ou Menos Recomendável

"Coração"
2017
Artista: Johnny Hooker


JOHNNY HOOKER LANÇA UM SEGUNDO DISCO MELHOR QUE O PRIMEIRO, MAS, AINDA NÃO CONSEGUE FAZER ALGO QUE SUPERE AQUELE VELHO SABOR DE "SOM REQUENTADO"
A arte é feita de reciclagens, num ciclo, por vezes, sem fim. Se, por um lado, isso pode ser bom, pois, dá a oportunidade às novas gerações de terem conhecimento de coisas mais antigas, por outro, dá aquela inevitável sensação de falta de criatividade, de mais do mesmo, de déjà-vu, por mais bem feito que um produto possa ser. É o caso do cantor e compositor Johnny Hooker, por exemplo, que acaba de lançar o seu segundo trabalho, "Coração", que é, sejamos honestos, melhor que o primeiro disco dele, mas, que ainda repete os mesmos problemas de seu antecessor, justamente por se parecer demais com todo o que já ouvimos antes, sem esforço de temperar a mistura com algo novo. Quando escuto Johnny Hooker, tenho uma incômoda impressão de que ele tem a nece…
Debate

O fascismo em "The Walking Dead", ou: uma obra de arte nunca é "apenas" uma obra de arte Por Erick Silva

(AVISO: CONTEM SPOILERS)

"Hoje em dia, tudo é fascismo!", brada aquele que acha que nada no mundo pode ser problematizado, e que a sua série de TV ou filme de super-herói, por exemplo. são imunes a críticas ou análises de qualquer espécie. É a boa e velha recusa diante do óbvio (na maioria das vezes). Talvez seja por isso que o universo nerd, vez ou outra, seja apontado como um ambiente em que reinam o preconceito e a intolerância, não muito diferente dos fãs xiitas de heavy metal, que abominam qualquer estilo musical que não seja o rock pesado. Só que, como qualquer outro produto da indústria de entretenimento, a série televisiva "The Walking Dead" não está isenta de críticas e análises das mais diversas, mesmo que isso signifique comprar briga com um grupo que faz de seu divertimento algo mais pessoal do que deveria, tornando um simples …
Dica de Filme

"Moby Dick" 1956 Direção: John Huston

MONUMENTAL ADAPTAÇÃO DE UM CLÁSSICO DA LITERATURA MOSTRA COMO DEVERIAM SER AS SUPERPRODUÇÕES DO CINEMA
Uma verdadeira força da natureza. É assim que pode ser descrito, literal e metaforicamente falando, o livro "Moby Dick", escrito por Herman Melville. Num texto famoso, Jorge Luís Borges define a obra como um “romance infinito - uma narrativa que, página a página, se amplia até superar o tamanho do cosmos”. Pra quem já teve a oportunidade de ler as quase 600 páginas de "Moby Dick", talvez não ache a opinião de Borges tão exagerada assim. E, como toda magnífica obra literária que se preze, sempre que ela tem alguma forma de adaptação, algo parece que fica desconexo, fora do lugar, ou, simplesmente, toda a essência da obra é modificada. Para transpor um livro para o cinema, por exemplo, sempre há a velha dificuldade de se conseguir passar para os espectadores as mínimas sensações que os leitores tiveram. E, no…