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Mostrando postagens de Fevereiro 12, 2017
Dica de Filme

"A Tartaruga Vermelha" (2016)
Direção: Michaël Dudok de Wit


O que pode ser "dito" sem palavras, apenas com gestos, movimentos, olhares, atitudes? Muito, não é verdade? Só que em se tratando de cinema, os filmes estão cada vez mais verborrágicos, necessitando muito dos diálogos. Nada contra, e está aí a maioria dos filmes de Tarantino para comprovarem que, quando as falas são boas, elas ajudam demais o filmes, e se tornam tão marcantes quanto algumas atuações, por exemplo. Mas, na maioria das vezes, o que temos é um amontoado de palavras ditas ao vento, e que tornam certos filmes ainda mais chatos. Portanto, chega a ser louvável, e até corajoso, que tenham feita uma animação como "A Tartaruga Vermelha", um longa de oitenta minutos sem absolutamente um diálogo sequer.
Esta ousadia acaba sendo uma faca de dois gumes, pois, para nos prender na cadeira por quase uma hora e meia, usando apenas imagens, seria preciso que a narrativa fosse, no mínimo,…
Dica de Filme

"A Pequena Loja da Rua Principal" (1965)
Direção: Ján Kadár e Elmar Klos


Nem sempre o que é complexo surte o efeito desejado. Vejam o cinema, por exemplo. Existem filmes e mais filmes que apelam para histórias demasiadamente complicadas para contarem, em essência, algo muito simples, que, com poucos recursos, passa a mensagem de maneira devida. Sejamos mais específicos ainda: produções que retratam a Segunda Grande Guerra, com enfoque na perseguição aos judeus, parecem ser todas iguais, correto? Porém, um filme, em especial, não só colocou o cinema da Tchecoslováquia na mapa mundial, como também se tornou, até hoje, um dos longas mais peculiares a respeito do Holocausto. Trata-se de "A Pequena Loja da Rua Principal".
O enredo é simples, mas, muito bem desenvolvido, contando a história de Tono, um carpinteiro que vive uma vida simples, sem muitas ambições, e se comportando de uma maneira boa e até ingênua com as outras pessoas. Nesse ciclo de pessoas que…
Dica de Filme

"A Mãe" (1926)
Direção: Vsevolod Illarionovich Pudovkin



Ah, as velhas adaptações literárias para o cinema... Sempre uma tendência, vez ou outra, temos a transposição de uma obra assim para a tela grande, na maioria das vezes, porém, sem resultados satisfatórios. O que não deixa de ser óbvio, afinal, alguns livros são, realmente, difíceis de se adaptar, seja pela estrutura narrativa, linguagem ou ambientação da história. É o caso de "A Mãe", do russo Maksim Górki. Pungente retrato da luta do proletariado contra um patronato explorador na essência, ele é um dos pilares da literatura russa. Mas, além da grande carga social que carrega, o livro também expõe a tomada de consciência por gente simples, mas, que aprende a pensar por conta própria, além das limitações de seu mundo. Aí está a dificuldade de sua adaptação, e é nesse ponto que a sua versão cinematográfica peca um pouco.
Logo no início da película, lemos algumas palavras de Lênin para, digamos, ambi…
Filme Não Recomendável

"A Vila" (2004)
Direção: M. Night Shyamalan


"Não conte a ninguém o final deste filme!"

Era essa a campanha de marketing de "A Vila" na época de seu lançamento. Instigante, não? O problema é que esse tipo de propaganda, geralmente, verde "gato por lebre". O que aparenta ser extraordinário não passa de algo muito simples, até medíocre. Então, como a promessa de algo verdadeiramente espetacular não se cumpre, a frustração logo vem. Mas, então, sejamos equilibrados, não é?  Independente de qualquer de qualquer expectativa, seja ele positiva ou negativa, o importante é analisar a obra pelo o que ela é, ou, mais especificamente, pelo o que ela se propõe. 
E, qual a proposta de "A Vila"? Bem, em tese é ser um filme de terror. Consegue? Não. Ao contrário do formidável "O Sexto Sentido", que, naturalmente, já dava a sensação de medo constante, aqui, Shyamalan perde a mão de vez no quesito suspense. As cenas que dev…
Dica de Filme

"Perdidos na Noite" (1969)
Direção: John Schlesinger


Desesperança, pessimismo, solidão. A Guerra do Vietnã gerou marcas profundas na sociedade norte-americana, e um desses reflexos foi no cinema. Hollywood, antes berço de produções iluminadas pela prosperidade, começava a ficar um pouco mais realista, mais crua, mais visceral. A década de 70 foi o auge dessa tendência, com filmes como "Serpico" e "Taxi Driver", que expunham a escória da sociedade sem muitos pudores. Mas, o grande pioneiro nisso, aquele que trouxe Hollywood para uma fase mais adulta, foi "Perdidos na Noite".
E, por ter sido pioneiro, alguns temas abordados aqui chocaram na época de seu lançamento, como a prostituição de garotos de aluguel,, que, junto com a questão das drogas, dos marginalizados e da indiferença criam um panorama nada glamouroso dos EUA. E, tudo sob a ótica do ingênuo Joe, texano, que viaja a Nova York em busca de novas oportunidades. Acredita ter um …