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10 Grandes Discos que Transbordam Tristeza e Melancolia


Às vezes, uma boa dose de tristeza e melancolia é necessária. A alegria, entorpecente da realidade, pode, facilmente, iludir. Na arte, não são raros os casos em que dores profundas produzem obras magníficas. Infelizmente, tal sentimento também cobra o seu preço. Mas, o que esperar de uma sociedade que adora se enganar. Um artista colocar o dedo na própria ferida, de maneira bastante passional, obviamente, não é perdoado. Mas, continuam sendo grandes artistas, mesmo sendo julgados de maneira moralista. E, compuseram um material brilhante. Vamos à lista:


10° "Pink Moon" - Nick Drake
Aparentemente, tudo na composição de "Pink Moon" foi muito simples. Ele foi gravado em apenas duas sessões, com Drake tocando todos os instrumentos (violão e piano). Detalhe: após o término da gravação, o cantor deixou as fitas no estúdio, e saiu sem falar com ninguém. Essas fitas só foram notadas alguns dias depois! E, felizmente foram notadas. Caso contrário, ficaríamos privados de versos poderosos, como: "Quando eu era mais novo, nunca via a verdade pendurada na porta; E, agora que estou mais velho, a vejo cara a cara".


9° "O Tempo não Para" - Cazuza
Já bastante debilitado fisicamente, Cazuza juntou suas últimas forças para nos presentear com um disco lindamente cheio de energia e vida, o que pode parecer uma ironia. Mas, não é! Extremamente consciente de sua condição, o cantor se joga no palco em interpretações magníficas de "Ideologia" e "O Tempo não Para". Parafraseando uma de suas músicas, expôs a alma na bandeja e fez um disco com uma tremenda carga emocional.


8° "Grace" - Jeff Buckley
No início dos anos 90, Buckley era o "pato feio" no meio do rock alternativo. Com uma voz mais doce, aguda e afinada do que os cantores grunge, ele conseguia passar uma aura melancólica muito sofrida em suas músicas. Ouça a parte final da canção "Grace", e comprove! E, neste, que é o seu único registro lançado em vida, ainda temos uma das melhores versões de todos os tempos, para a música "Hallelujah", originalmente, de Leonard Cohen.


7° "Dirt" - Alice in Chains
O que dizer de um discos, cujas faixas apresentam títulos como "Them Bones" e "Down in a Hole"? Pois, é. "Dirt" é melancolia em estado brutíssimo, rock virando as costas pro mainstream  As letras podem até parecer apologia às drogas, mas, só se fizermos uma interpretação superficial delas. Na realidade, o álbum como um todo passa uma mensagem anti-drogas, um grito desesperado de alguém acuado com seus próprios demônios. O triste destino do vocalista Layne Staley comprovou isso.


6° "The Bends" - Radiohead
Esse disco é um caso peculiar. Aos mesmo tempo que as canções são intensamente melancólicas, elas também passam uma sensação de alívio e paz, como se fossem o ocaso de uma longa e dura batalha. Também carregadas de ironia, as músicas daqui serviriam como mote para a banda gravar aquele que, por muitos, é considerado o último grande disco da história: "Ok Computer". Da interpretação de Thom York ao gás que os instrumentistas dão, "The Bends" é sublime, dolorosamente, sublime.


5° "Lóki?" - Arnaldo Baptista
As letras podem parecer desconexas e até estranhas, mas se pensarmos que Arnaldo sempre foi uma pessoa que viveu em seu mundo particular, e que ele realmente surtou com a separação de Rita Lee, vamos entender melhor esse disco. No piano, o cantor/compositor expõe suas angústias de forma visceral, como se ele estivesse gravando a última coisa de sua vida. Arnaldo foi, é, e sempre será um artistas completo, talvez o mais rock'n roll que tivemos.


4° "Closer" - Joy Divison
Na realidade, qualquer música, qualquer letra, qualquer disco, qualquer coisa que leve o nome Joy Division é carregada da mais profunda tristeza. Muito colabora a interpretação contida de Ian Curtis e suas letras que mostram um grande tédio pela vida. Não era pose. Ele cometeu suicídio aos 23 anos, enforcando-se com o próprio cinto, enquanto escutava "The Idiot", do Iggy Pop. Foi a prova de que Curtis, em todos os sentidos, não pertencia a este mundo.


3° "I Put a Spell on You" - Nina Simone
O jazz, em si, já expõe muita dor e sofrimento. Mas, no caso de Simone, a música era reflexo puro de sua vida pessoal. Às vezes, irônica, às vezes, depressiva, às vezes, sensual. E, detalhe que nenhuma das músicas aqui é da cantora; todas são interpretações suas de canções populares europeias e norte-americanas. Mas, cada uma, até pela intensidade vocal dela, casou perfeitamente com o estado de espírito da artista, um das mais notáveis de nosso século.


2° "Back to Black" - Amy Winehouse
A despeito de sua magnífica voz, Amy quase sempre foi taxada de louca pelos mais preconceituosos e ignorantes de plantão. Não perceberam o óbvio: a cantora era muito passional, e transbordava de amor. Só que o amor, muitas vezes, é doloroso, e isso se refletiu tanta na sua vida pessoal, quanto na sua música. "Back to Black" é o seu auge, feito num período extremamente difícil, e mostrando, depois, que infelizmente, este mundo hipócrita não estava preparado para tal obra.


1° "Unplugged in New York" - Nirvana
Este disco foi gravado 5 meses antes de Kurt morrer, e lançado após sua partida. A banda, propositalmente, só escolheu músicas "lado B" de seu repertório, com exceção de "Come as You Are", fazendo deste trabalho algo único. O show teve participação especial do desconhecido grupo Meat Puppets, com o Nirvana tocando 3 músicas suas. O álbum tem a versão definitiva para "The Man Who Sold the World", de David Bowie. E, pro fim, o acústico se encerra com Kurt numa interpretação visceral de "Where Did You Sleep Last Night", dando, literalmente, seu último suspiro de vida. Precisa dizer mais?


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