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Filme Mais ou Menos Recomendável

"Baskin" (2015)
Direção: Can Evrenol


Alguns filmes são de difícil assimilação. Outros, simplesmente são apelativos, e não querem dizer coisa nenhuma. E, há aqueles que você assiste e passa um bom tempo sem saber se são bons ou ruins. Apenas que incomodaram, que foram além do que se esperava, mas, que ainda assim, não chegaram a ser geniais, somente, no máximo, interessantes. O turco "Baskin" se enquadra bem nesta última categoria. À primeira vista, parece ser apenas um exemplar mais sisudo e "sério" do que o descartável "O Albergue". Mas, com o passar da narrativa, o filme vai meio que "tomando de assalto" o espectador, mas, sem necessariamente se mostrar antológico no saldo final.

Basicamente, temos a história de cinco policiais muito machistas, irritantes e estúpidos de uma maneira geral tendo que atender a um chamado no meio da noite para irem a uma delegacia abandona, aonde, de acordo com denúncias, coisas estranhas estariam acontecendo. Pronto. E, é somente isto, de início, o que precisamos saber da história em si. No entanto, é preciso certa dose de paciência, pois, o filme começa de maneira péssima, "apresentando" os personagens principais de forma extremamente caricata. Não que personagens amorais não possam ser interessantes (Alex, de "Laranja Mecânica" que o diga), mas, os diálogos introdutórios são tão insuportáveis e carregados de um preconceito tão tosco, que fica a impressão de que o roteirista assistiu aos melhores momentos de Tarantino, e quis imitá-lo através de falas nonsenses (sem êxito, claro).




A partir daí, o filme toma um aspecto mais onírico, repleto de metáforas, a maioria envolvendo sapos, o que deixa a produção mais com cara de David Lynch, o que dá um certo upgrade a "Baskin". Tudo, então, vai se desenrolando de maneira lenta e gradual, até chegarmos ao "inferno" propriamente dito, que é quando os policiais invadem a delegacia abandonada. E, o clima dentro do lugar é extremamente macabro e desconfortável, sendo uma versão bem mais hardcore do que o quarto do serial killer de "Seven". O jogo de câmera, a iluminação e a trilha sonora contribuem muito bem para o clima pesado, proporcionando alguns dos melhores momentos da produção.

Quando o terror, propriamente dito, começa, os fãs de cinema extremo , com certeza, vão adorar, pois, as "criaturas" que habitam o lugar são implacáveis, mas, curiosamente, acaba não sendo algo tão barbaramente violento quanto um "Albergue" da vida, por exemplo, já que tudo é mostrado muito rápido, gerando mais tensão e angústia do que repulsa. É quando aparece um personagem bastante inusitado, que, com certeza, causará calafrios nos mais desavisados, e que acaba sendo a parte mais interessante do filme, apesar de ser a mais longa, e, por isso, cansar bastante em certos pontos. Fosse esse momentos mais editado e mostrado, portanto, de maneira mais concisa, o impacto teria sido maior.




O roteiro, acima da ,édia das produções usuais de terror, aborda temas inusitados, que, unidos à metáforas bem colocadas, e um clima eterno de sonho (ou, de pesadelo) contribuem muito para a produção sair (um pouco) da caixa, e tentar (em parte) mostrar algo novo ao espectador. O problema é que, mesmo com o choque de cenas estranhas e quase filosóficas, o que fica é meio que a catarse pela catarse, o incômodo pelo incômodo. Mesmo que o final seja algo atordoante, e que faça quem assistiu pensar um pouco, e tentar encontrar as suas próprias respostas para o que acabou de ver, "Baskin", apesar de fugir um pouco do óbvio, também não vai muito além do que aquilo que é mostrado. Talvez, nesse aspecto, tenha faltado um pouco mais de ousadia na condução, e, claro, personagens melhores.

As interpretações, pelo menos, não comprometem, e os atores conseguem passar todo o desespero que os seus personagens sentem, tornando a experiência bem mais real. A direção do estreante Can Evrenol também se mostra boa na medida certa, alternando momento violentos com aqueles mais sutis e que exigem um pouco mais da nossa interpretação. E, os momentos em que o terror impera são, sim, sanguinolentos, mas também não chegam às raias de uma grande apelação (e, nesse quesito, o clima onírico ajuda bem a amenizar tais cenas). Unindo bem o conjunto, a parte técnica é um ótimo destaque, não precisando de artifícios tão modernos assim, e investindo numa composição mais clássica, como na entrada dos policiais na delegacia, por exemplo, em que a única luz do cenário são as lanternas deles, gerando, acertadamente, uma expectativa de muita tensão.



No geral, "Baskin" é um filme apenas razoavelmente bom, que, em muitos momentos se sobressai em relação à maioria do que é feito por aí, e, em outros, rende-se aos clichês mais rasos do gênero. Já que esse é apenas o primeiro filme do diretor Can Evrenol, ótimo. Ele ainda tem tempo de melhorar, e, por consequência, conseguir fazer algo verdadeiramente impactante, e que fuja do trivial do começo ao fim, e não apenas em momentos pontuais, sendo clichê no restante do tempo. Os fãs dos filmes de terror, decerto, agradecerão (muito).


Nota: 6/10

Comentários

  1. Haha,lendo, tem ora q dá vontade de assistir,tem ora que não.No geral,impera a curiosidade...

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