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Dica de Disco

"Stronger Than Ever" (2016)
Artista: Hangar.


E, lá vei o Hangar, firme e forte com o seu 6° lançamento de estúdio, este "Stronger Than Ever". E, pra quem pensa que o metal brasileiro se resume apenas a Sepultura ou Angra (e, até o Dr,. Sin, para aqueles mais antenados), precisa conhecer o trabalho que o Hangar vem fazendo desde 1997, quando começou suas atividades. E, nada melhor do que começar com este que é um dos discos mais completos deles. Sem tempos para brincadeiras, e afiados como instrumentistas e compositores, os componentes da banda se empenharam bastante, e o resultado é um álbum que transpira heavy metal, principalmente aquele mais old school.

Pra quem duvida, basta escutar as duas primeiras faixas do trabalho, "Reality is a Prision" e "The Revenant". Trata-se de uma empolgante atualização de Iron Maiden e Judas Priest, mas, sem soar datado ou mera cópia. Detalhe que é tudo bem dosado, sem exageros, vide a parte "épica" dessas músicas, que não se alongam, e terminam no momento certo. Nada de megalomania ou a técnica pela técnica, somente. Algo que o metal fez muito bem nos anos 80, e que, de certa forma, foi se perdendo no caminho.Escutar esse novo disco do Hangar, portanto, é como voltar no tempo, só que sem nostalgias baratas. O som é atual, contemporâneo, "moderno", como queiram.



E, todos esses predicados com relação a esse lançamento do Hangar se confirmam na estonteante sonoridade de "Forest of Forgotten", que, ora suave e melódica, ora pesada e energética, é excelente para ser tocada ao vivo. Um primor. Já, "A Letter From 1997 (MHJ)" começa de maneira acústica, não muito diferente de tantas outras baladas por aí, mas, convenhamos que é bonita. Essa parte toma conta só nos primeiros segundos, pois, logo após essa "introdução", a música, de fato, começa, e, apesar de ainda mostrar competência por parte dos músicos, ela talvez seja a mais fraca do disco, provavelmente, por abusar de sua melodia. E, sinceramente, ela tira um pouco do brilhantismo de "Stronger Than Ever", já que se arrasta por mais de 7 minutos.

Balada por balada, "Just Like Heaven" (não confundam com aquela outra grande canção, do eterno The Cure) é bem melhor. Curta, serve mais como um momento de alívio, de descanso. Isso porque o começo de "The Silence of Innocent" já mostra a que a música veio: pesada, com ótimos vocais e um instrumental soberbo, é séria candidata a melhor do disco. Merece. Composição completa, cheia de variações, não possui falhas. Ponto alto do disco. "Beauty in Disrepair" é outra composição de grande duração do álbum, mas, ao contrário de "A Letter From 1997 (MHJ)", não é chata de se ouvir. Isso porque a banda consegue manter o pique de sua cadência do começo ao final. Conclusão: "Beauty in Disrepair" é mais uma musicaça desse trabalho.


Estamos quase no final do disco, e as músicas se dividem entre o bom e o regular. "We Keep Runing the Course", por exemplo, pegou todos os clichês que a própria banda forjou neste disco, e fez uma música até competente, mas, sem muito carisma. O bom é que ela é curta, e nem chega a incomodar tanto. Bem mais azeitada é "The Hangar of Hannibal", com batidas quebradas e uma levada até mesmo um pouco mais hardcore. Nada excepcional, é verdade, mas, ela tem "sangue nos olhos", e isso já é o suficiente. O álbum se encerra com uma bem-vinda versão acústica de "Just Like Heaven", que termina tudo de maneira digna e honesta.

O metal nacional sempre foi composto de grandes bandas, e agora, com este "Stronger Than Ever", o Hangar vem engrossar esse caldo. Aproveitando-se dos melhores momentos do gênero, porém, olhando para o futuro, a banda, mesmo passando 7 anos sem lançar um disco novo (o mais recente foi "Infallible", de 2009), prova que tem muita coisa boa pra mostrar, e, sinceramente, este novo trabalho comprova que ainda podem evoluir mais. Basta não se renderem a convenções do mercado, e continuarem provando que o Brasil é (também) o país do metal. Aumentem o som!

Download do disco:
http://metaltorrent.ucoz.com/publ/progressive_metal/hangar_stronger_than_ever_japanese_edition_2016/10-1-0-1565


Nota: 8/10.

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