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DICA DE DISCO

"BLOOD SUGAR SEX MAGIK" (1991)




Tornar-se pop nem sempre é um pecado no meio musical. Mesmo que o termo seja designado, muitas vezes, para apontar artistas descartáveis, vez ou outra, aparece alguma exceção para confirmar a regra. Quando a banda Red Hot Chilli Peppers surgiu, o som deles era um flerte com de tudo um pouco, mas sempre puxado mais pro funk. Após o ótimo "Mother's Milk", eles se trancafiaram num castelo abandonado, sob a produção do sempre competente Rick Rubin, e saíram de lá com "Blood sugar sex magik", sem dúvida, seu melhor disco.

A primeira música, "The Power of Equality", já dá uma bela pista do que o ouvinte irá encontrar ao longo do álbum: bastante swing e cadência, com a cozinha do baixo e da bateria ditando as regras. Não que a guitarra esteja ausente aqui, muito pelo contrário. John Frusciante faz aqui um de seus melhores trabalhos, só que não tenta se sobrepor ao conjunto, apenas complementá-lo.




O disco segue com "If You Have to Ask", de irresistível balanço. A pausa vem com a balada "Breaking the Girl", muito bem dosada, sem soar piegas. "Funky Monks" e "Suck my Kiss" apostam em mais peso, principalmente na segunda. O megahit "Give it Away" é outro destaque, com uma levada mais acelerada, típica para ser tocada em shows. Falando em shows, uma que não pode faltar nas apresentações é "Under the Bridge", mais uma balada que não agride os ouvidos.

Daí por diante, o que vemos é um funk mais invocado, com uma guitarra mais nítida. "Naked in the Rain" e "The Geeting Song" são bpons exemplos. A espetacular "Sir Psycho Sexy", com seus mais de 8 minutos de duração, trata-se de um funk mais arrastado e trabalhado. Aqui, toda a banda está impecável. "They're Red Hot", cover do bluseiro Robert Johnson, ficou irreconhecível e bem louca. Fecha um trabalho brilhante com chave de ouro.




Após esse álbum, o Red Hot teve ainda diversos problemas em sua formação interna, com separações, desentendimentos e lançamentos com qualidade duvidosa. Chegaram até a colocar no mercado, 8 anos depois, um disco tão "ensolarado" quanto ele: "Californication". Porém, toda a química alcançada antes não era mais a mesma.

"Blood sugar sex magik" ficou como um registro leve de um grupo de músicos fenomenais, que resolveram (mesmo que momentaneamente) desencanar e relaxar o som, provando que o pop nem sempre é ruim. Um disco para qualquer ocasião.




NOTA: 9,5/10.

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