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DICA DE DISCO

"ST. ANGER" (2003)




Essa dica daqui é polêmica, mas só o fato de um álbum ser tão massacrado como este, é merecido que ele seja escutado com atenção redobrada sempre que possível. Principalmente, se levarmos em consideração que a banda em questão é a clássica Metallica. Quando iniciou  suas atividades, exatamente 20 anos antes do lançamento deste "St. Anger, ela sempre foi criticada e/ou mal-interpretada pelo público de heavy metal. Hoje, por exemplo, seus primeiros discos são considerados obras-primas, mas na época, foram malhados sem dó nem piedade. Depois, foram julgados dentro do universo musical por diversos motivos: por terem gravado seu primeiro videoclipe ("One"), por terem feito estrondoso sucesso com o "Black Album", por terem optado pelo Hard Rock ao invés do Thrash Metal em "Load" e "Re-Load"...

Com um histórico assim, "St. Anger", mesmo antes de lançado, já nasceu com status de lixo. Virou o disco ideal para ser rechaçado. Porém, nada nele justifica tamanhas críticas; ao contrário. Tudo aqui está acima da média, mas como no mundo do Metal as coisas só tem valor se seguirem à risca fórmulas já consagradas, o disco pagou um preço alto pela ousadia de tentar fazer diferente.




Os principais argumentos contra "St. Anger" não se sustentam até hoje. O primeiro diz que o álbum não possui solos de guitarra, e por isso, é ruim. Bem, Kirk Hammett é um exímio instrumentista, mas não é obrigado a fazer malabarismos o tempo todo com seu som. Se solos fossem sinônimo de qualidade, o que dizer de Beatles e Ramones? Já o outro argumento diz que o disco não presta devido ao seu som seco de bateria, rústico e primal. Mas, essa era, justamente, a proposta desde o início: fazer um som de garagem, sem grandes pretensões.

Tirando esses dois pontos, que nada mais são do que birra de muita gente, "St. Anger" é uma ótima coleção de músicas intensas e empolgantes. Já começa com a paulada "Frantic", cuja parte melódica é muito boa. Segue, então, para a faixa-título, que não deixa dúvidas de que estamos ouvindo um álbum com muita energia, e que é desnecessário querer compará-lo com os trabalhos da banda nos anos 80. Os tempos mudaram, meus caros. Conformem-se!




O fato do Metallica, à época deste álbum, ter passado por momentos difíceis, como a saída do baixista Jason Newsted e os problemas com álcool do vocalista James Hetfield, contribuíram para o clima das composições. As letras falam por si. Em "Dirty Window" (Eu vejo meu reflexo na janela / Ele parece diferente, tão diferente do que você vê / Projetando julgamentos no mundo), "My World" (Quem está no controle da minha mente hoje? / Demônios dançando em forma de anjos) e "Shoot me Again" (Todos os tiros que eu tomo / Eu cuspo de volta em você) são exemplos claros desse ambiente nas gravações.

Todas as músicas são longuíssimas, beirando os 8 ou 9 minutos de duração, e a maioria não cansa (ao contrário do tão alardeado "retorno às raízes" que foi o "Death Magnetic"). A parte melódica é muito bem dosada e os refrões, impactantes. No geral, não se trata de um disco super-clássico, mas de um ótimo trabalho de uma banda aguerrida, que persistiu no que queria, e isso, por si só, já é digno de nota.




Portanto, não tem motivo algum para "St. Anger" ser tão odiado. A história de sua concepção é muito boa, e, como música, ele se sustenta fácil. Agora se você é daqueles que exigem que a banda faça sempre a mesma coisa, sem direito a mudanças, sugiro procurar outra para ser fã. O Metallica já provou que não está preso a nada, muito menos a rótulos.


NOTA: 8,5/10.

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