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DICA DE DISCO 

"SYSTEM OF A DOWN" (1998)




A alcunha de "new metal" foi amplamente usada como rótulo para bandas que faziam um som mais pesado no final dos anos 90 e início dos 2000. Ter guitarras distorcidas e vocais berrados, com algo de rap na entonação dos cantores, eram as prerrogativas. Devido a esse simplismo, podíamos encontrar grupos bastante díspares no mesmo saco, do Queens of the Stone Age ao Soulfly; do Korn ao System of a Down. Este, no entanto, tinha um diferencial além das guitarras distorcidas e dos vocais berrados: a riqueza rítmica. O dedilhado criativo feito por Daron Malakian e o canto exótico de Serj Tankian fizeram do System um grupo, no mínimo, curioso.




O primeiro disco deles, lançado em 1998, reúne todas essas características de forma marcante. Já começa com "Suite-Pee", e suas diversas mudanças de andamento. A música seguinte, "Know" vai na mesma linha, com ainda mais sotaque de Tankian, parecendo entoar cantigas árabes. "Sugar" é o primeiro single do álbum, e não se diferencia muito das outras; ou seja, é ótima, também. "Suggestions" vem depois, mostrando um inusitado swing e as habituais estripulias vocais de Tankian.




Já "Spiders" vem mostrar que a banda tem seu lado "operístico", numa quase balada. A melhor faixa do disco "War?", possui um impressionante ritmo, além de uma levada mais calma no meio dela, que explode no final. "Mind" e seus mais de 6 minutos dão uma derrapada na sequência avassaladora de canções quase perfeitas. Não é uma música ruim, mas parece estar deslocada, assim como "Cubert". Felizmente, o disco encerra com chave de ouro, nas músicas "Darts" e "P.L.U.C.K."; esta aqui, praticamente um resumo de todo o som do System of a Down, e que dá pistas de como seria o álbum seguinte, "Toxicity".




As letras também mostram uma bem-vinda revolta. "Suite-Pee", por exemplo, alfineta a religião: "Eu tive uma experiência fora do corpo / Outro dia / O nome dela era jesus! / E por ela todos choraram". Encontramos lirismo em "Spiders": "As aranhas todas afinadas / A noite da lua / Sonhos são feitos retorcidos pela minha cabeça". E, há a clara alusão aos conflitos armados em "War?": "Segurança Internacional / O chamado homem certo / Precisa de uma razão pra matar alguém / A história nos ensina assim".




Esse não é o melhor trabalho do System (posto que cabe a "Toxicty"), nem se tornou tão popular quanto a dobradinha "Mesmerize/Hypnotize". Mas, é um disco bastante honesto de uma banda talentosa, e que, merecidamente, iria colher os frutos disso num futuro próximo. Uma pequena obra-prima do peso moderno, sem dúvida.


NOTA: 8,5/10.

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