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DEBATE SÓCIO-POLÍTICO

O ÓDIO À DEMOCRACIA




A confusão parece estar sendo a grande característica dessa geração. Uma coisa é facilmente tomada por outra, quando, na verdade, uma rápida reflexão já bastaria para reconhecer onde está o erro.

Depois dessas recentes eleições, o Brasil tem passado por isso de maneira preocupante. O mote agora é dizer que o país está dividido. Se a referência a essa "divisão" fosse à porcentagem de votos que os dois principais candidatos obtiveram, seria ótimo.




Disputas acirradas fazem parte do processo, e são, até certo ponto, justas e necessárias.

Mas, o que, perigosamente, está sendo colocado é que a nação está dividida em duas regiões bem distintas, que votaram em dois partidos bem diferentes. E isso está causando uma verdadeira avalanche de discursos de ódio.

Os alvos principais estão sendo pobres e nordestinos, teoricamente, os "culpados" pela reeleição de Dilma Roussef, do PT. Não é preciso muito para encontrar a falha nessa linha de pensamento.




Primeiro, se formos analisar friamente, o candidato Aécio Neves perdeu por (de)méritos próprios. Alguém que consegue perder, proporcionalmente, em dois turnos seguidos em seu estado de origem (no caso, Minas Gerais), só pode ter algo de errado com ele.

Além disso, tirando o fato de que em São Paulo, os votos no candidato tucano foram bem maiores, em todo o país (repito: EM TODO O PAÍS), a quantidade de votos foi muito bem distribuída entre ambos os candidatos, como bem demonstra o quadro abaixo:




"Culpar" uma região ou classe social é arrumar as desculpas mais frouxas para expôr preconceitos e intolerâncias de toda a espécie. Trata-se, pois, de um problema educacional, da aceitação do outro; algo bem longe da questão político-partidária, portanto.

Falando em aceitação, toda essa celeuma também resvala em nossa preguiça. Sim, porque, a partir do momento em que questionamos o processo de uma eleição, e voltamos a pedir até intervenção militar no caso, é porque queremos ser mandados, pois achamos que não temos capacidade de auto-gestão, nem que conseguimos "votar bem".




O ódio, aqui, também está contra a democracia, considerado um sistema falho. A prerrogativa é a corrupção generalizada. No entanto, esquecemos de que a corrupção existe em sistemas tanto democráticos quanto ditatoriais. Com uma diferença:

numa ditadura, qualquer desmando torna-se pior, pelo simples fato de que toda informação é censurada. Onde há censura, não há denúncia, e o corrupto fica bastante à vontade, sem ser incomodado.

Percebe-se que todo esse discurso de "volta à Ditadura Militar" tem como base o ódio a quem pensa diferente e à não-aceitação da democracia, sem que se deem conta, no entanto, de que eles próprios só conseguem dizer o que pensam porque estamos nesse tipo de sistema.




Ao que tudo indica, essas eleições ainda deixarão muitas marcas difíceis de apagar logo. Temos muito o que aprender. Precisamos combater os desmandos políticos, mas respeitando os processos democráticos legítimos, pois eles (e, só com eles) temos a base para essa luta.

Nos próximos meses, o governo tentará aprovar o tão falado projeto da Reforma Política. Antes, contudo, precisaremos passar por três outras importantes reformas:

EDUCAÇÃO, CONSCIÊNCIA E TOLERÂNCIA.


Erick Silva
29/10/2014.

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