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DICA DE FILME

"E AGORA, AONDE VAMOS?" (2011)
Direção: Nadine Labaki.


O que é preciso fazer para se manter a paz? Para as mulheres retratadas em "E Agora, Aonde Vamos?" a solução encontrada foi distrair os homens de todas as formas possíveis.

A aldeia na qual a estória se desenrola fica no Líbano. Lá, há uma clara divisão entre as religiões cristã e islâmica. O lugar, rodeado por minas terrestres, tem apenas uma velha ponte que o liga às outras comunidades da zona.



À medida que a guerra avança no país, as mulheres da aldeia, fartas de fazer o luto pelos seus maridos e filhos, decidem boicotar a informação que lhes chega, destruindo o rádio e televisão comunitários.

Este é um filme que consegue mesclar comédia e drama de maneira bastante eficiente. Ao mesmo tempo que rimos dos planos das mulheres para entreter os homens, em outras cenas sentimos um nó na garganta com situações muito tristes, como o de uma mãe que chora a morte de seu filho, numa sequência realmente forte.


A história expõe, inclusive, algo que talvez possa soar revelador para alguns, mas que se trata de uma evidente realidade: são os homens que fazem, em essência, a guerra, e não as mulheres.

Em "E Agora, Aonde Vamos?", são ELES que sempre começam uma briga pelos motivos mais banais possíveis, para logo depois, ELAS tentarem apaziguar os ânimos, com receio de que um conflito armado se inicie no local.


Uma fala de uma personagem é bastante contundente para entender o cerne do drama dessas mulheres:

"Não aprenderam nada! Tenham um pouco de dignidade! Vamos acabar renegando a nossa fé! Acham que o único destino das mulheres é chorar por vocês?! Vestir luto nossa vida inteira?! Tenham piedade! Não passam de uns canalhas! Acabaremos enojadas de Deus e dessa aldeia de merda! É isso que é ser homem pra vocês?"

"E Agora, Aonde Vamos?" foi o segundo longa-metragem da atriz, roteirista e diretora franco-libanesa Nadine Labaki, que estreou em 2007 com o elogiado Caramelo. O roteiro ela fez a partir da guerra civil que dizimou o Líbano por 15 anos.


No entanto, a diretora faz questão de não citar o local da estória no enredo, pois, como disse à época do lançamento do filme, acredita que é o tipo de conflito de pode acontecer em qualquer lugar onde hajam diferença (principalmente, religiosas).

O final da produção (uma autêntica inversão de papéis) mostra de maneira simples e honesta que a tolerância religiosa é, sim, possível e nem um pouco utópica. Basta apenas que, principalmente, os homens saibam que a boa convivência deve ser um princípio básico.


NOTA: 8,5/10.

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