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DICA DE FILME

"A PEDRA DA PACIÊNCIA" (2012)
Direção: Atiq Rahimi.


O cinema com enfoque no Oriente Médio tem nos proporcionado boas surpresas no decorrer dos anos. Já tivemos desde a simplicidade de "A Maçã" até a intensidade de "A Separação". O que todos têm em comum é que não vemos neles arquétipos sociais do lugares que retratam, mas, simplesmente, pessoas comuns tentando levar suas vidas. Essa universalidade de temas é que faz toda a diferença e ainda quebra alguns preconceitos.

"A Pedra da Paciência" vai mais ou menos pelo mesmo caminho. Mais ou menos porque, a cada momento, temos a nítida sensação de onde estamos: num lugar e numa cultura realmente opressoras, cuja guerra faz parte do cotidiano dos que vivem ali. Em especial, vamos encontrar a figura da mulher reprimida, não só pelo contexto político, mas também, e, principalmente, religioso.



O filme também é universal ao expôr a ânsia de sua personagem principal pela liberdade. Algo que pode ser encontrado tanto nas mais liberais democracias ou nas mais pesadas ditaduras. Esse desejo por liberdade começa a aflorar na personagem quando seu marido leva um tiro, e, em decorrência disso, perde todos os movimentos do corpo. Agora, ela cuida dele sozinha.

Porém, o que era para ser sua ruína, acaba por ser a sua salvação, ou, pelo menos, a sua válvula de escape. Sempre tendo tido o marido como um mero estranho, no momento em que este fica inválido, ele passa a ser um "ouvinte" das mais íntimas confidências dela. Confidências, essas, que ela nunca teve coragem de expôr a ninguém. Eis aí o começo de sua liberdade.


O que mais chama a atenção no filme é o seu enfoque. Mesmo apresentando um ambiente tão opressor para a mulher, a personagem nunca é retratada como um pobre coitada, ou como uma brava lutadora que irá ter uma redenção no final. Não! Ela é vista como um ser humano, apenas, cheio de desejos, e que vê numa situação difícil a chance de se desprender de diversas amarras.

Ela não é uma heroína, e nem precisa ser. Suas atitudes, muito provavelmente, nós também faríamos, caso estivéssemos na mesma situação. Isso faz com que nada soe forçado aqui, mesmo que sejamos sempre lembrados de que estamos num ambiente em constante conflito, seja ele bélico ou cultural.


O diretor de "A Pedra da Paciência", incrivelmente, é homem. Trata-se de Atiq Rahimi. Incrível porque ele tinha tudo para transformar o filme num drama forçado, onde a personagem é uma eterna mártir sofredora. Mas, ele teve a sensibilidade de ir libertando ela, pouco a pouco, e mudando suas concepções de mundo (ela chega, inclusive, a questionar o Alcorão).

A liberdade, o amor e a compaixão são essenciais a todos nós. E, a personagem desse filme, ao descobrir esses sentimentos, até então adormecidos, agarra-se com todas as forças a isso. É o seu renascimento; uma nova vida.

Trata-se, pois, de um filme delicado e muito bem realizado, cujo tema não dá margem a preconceitos nem a sofrimentos desnecessários. É apenas A nossa humanidade à flor da pele, querendo sair.


NOTA: 9/10.

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