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DICA DE FILME

"O Garoto" (1922)
DIREÇÃO: Charles Chaplin


Dizer que Chaplin foi um gênio do cinema pode ser redundante, mas se faz necessário. Revisitar os clássicos sempre dá vigor e ânimo a uma arte, mesmo que, atualmente, ele tenha um certo desgaste, como a sétima arte.

Em "O Garoto", ainda em sua fase muda, Chaplin está, em essência, simples e ingênuo. Não que nunca tenha abandonado essas características, mas em filmes posteriores a este, ele adicionaria bastante maturidade à sua obra, seja pela mordaz crítica em "Tempos Modernos", ou a melancolia latente de "Luzes da Ribalta".



Aqui, não. Temos o famoso vagabundo Carlitos com seus trejeitos usuais, suas formas simples (porém, autênticas) de fazer piada, e sua grande preocupação com humano. Alguém com uma certa dos de malandragem, sim, mas cuja bondade é notória e tocante.

É esse caráter que o faz cuidar de um órfão, deixado à sua porta, e que o cria como se fosse seu filho. O desenrolar do filme é, basicamente, as aventuras vividas por Carlitos e o garoto, principalmente, quando precisam escapar da polícia ou dos oficiais do orfanato.


Olhando assim, parece que "O Garoto" é uma obra limitada. Engano. Chaplin parte de uma estória comum para tocar em assuntos, como a caridade e o altruísmo, por exemplo. Mesmo vivendo em condições desfavoráveis, Carlitos consegue ser um excelente pai para o menino.

A relação de ambos é mostrada de maneira bastante singela. Inclusive, isso proporciona uma cena tristíssima, talvez uma das mais conhecidas do cinema, que é quando o garoto é levado, ao prantos, pra o carro do orfanato, enquanto Carlitos é segurado por guardas, em total desespero. Uma cena soberba.


E, mesmo se tratando de um filme antigo, ainda da fase muda, sua técnica é muito bem feita. A sequência do telhado, por exemplo, é elaborada, chegando a ser empolgante. E, praticamente, sem efeitos especiais! Trata-se, tão somente, do perfeccionismo de um mestre.

"O Garoto" pode não estar no mesmo nível de excelência que as produções posteriores de Chaplin (mas, aí também seria exigir demais). No entanto, continua sendo, até os dias atuais, uma obra primorosa, que, como muito pouco, consegue muito.


É, enfim, mais um emocionante clássico deste (perdoem-me novamente o clichê) gênio.


NOTA: 9/10.

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