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DICA DE FILME

"Drive" (2011)
Direção: Nicolas Winding Refn.


Tarantino: referência de cinema moderno. Imitadores seus: temos aos montes. Qualidade dessas imitações: praticamente nenhuma. Dito isto, "Drive" se destaca como uma grata surpresa. Não chega a ser espetacular como nos melhores momentos de seu mestre, mas consegue se sobressair com alguma substância, mesmo que requentada.

O enredo se foca no cotidiano de um motorista aparentemente normal. Aparentemente! Pois, enquanto trabalha como dublê de filmes de ação em Hollywood, à noite, faz alguns serviços para a máfia. As coisas mudam quando conhece Irene e seu filho. O marido dela, que acabou de sair da prisão, envolve-se com ele num assalto mal sucedido, passando a ser perseguido por uma dúzia de criminosos. Tipicamente Tarantino!




Mesmo com uma estória tão simplória, o diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn consegue impor um estilo fluente à narrativa, ora contemplativa, ora alucinante. Existem momentos singelos como no relacionamento do motorista com o filho pequeno de Irene, e outros vigorosos, como o tiroteio num apartamento. Cenas completamente antagônicas, mas que, como um todo, produzem uma coesão entre o absurdo e o normal.

No entanto, o filme erra quando exagera no desenvolvimento de algumas sequências. Por exemplo: uma boa parte da película é gasta mostrando uma tensão de desejos entre o motorista e Irene, que nunca se concretizam. Tudo bem que desenvolver isso correria o risco de afundar em clichês tão comuns do gênero. Mas, também, deixar essa construção só na "vontade", acaba tirando, em certos momentos, os pontos fortes do filme.



E, podemos encontrar qualidades aqui. A atuação de Ryan Gosling é uma delas. Contudo, não esperem um segundo Robert De Niro em "Taxi Driver". Mesmo assim, Gosling (que estará na sequência de "Blade Runner") faz um personagem calculista e um tanto perturbado de maneira competente. Os coadjuvantes, porém, limitam-se a representarem esteriótipos (desde a mulher em perigo até o vilão).

Outro ponto alto do longa é a sua parte técnica. As tomadas aéreas são fenomenais, e o jogo de cenas, principalmente quando o diretor usa câmera lenta, dão estilo ao produto final. E, claro, o quesito violência também está presente, na medida certa, não para chocar de maneira gratuita, mas como condutor narrativo, na maioria das vezes.



"Drive", no final das contas, cumpre o seu dever. Não é o "Pulp Fiction" dos nossos tempos, porém, não decepciona aqueles que buscam um filme divertido e estiloso, que desce sem traumas, e que dá a promessa de que o seu realizador (o Nicolas Winding) venha a fazer coisas mais geniais num futuro próximo. É só aguardar.

NOTA: 7,5/10.

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