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Dica de Disco

"The End" (2016)
Artista: Black Sabbath.


Pois, é. O fim chegou. O ocaso foi inevitável. Depois de décadas de ótimos serviços prestados ao rock'n roll a visionária banda Black Sabbath faz a sua última turnê agora em 2016, e, de quebra, lança o seu derradeiro disco. Trata-se, é bom dizer, de uma edição limitada, que será vendida exclusivamente nos shows do grupo. Ótima estratégia. Mas, e o som do álbum, como está?

Bem, aqui temos 4 faixas inéditas, "sobras" da gravação do mais recente disco deles, "13", e mais 4 músicas ao vivo, gravadas em diversos shows do Sabbath. A primeira das inéditas "Season of the Dead" não se diferencia muito do que a banda mostrou no lançamento anterior. Ou seja, esperem a voz peculiar de Ozzy, o baixo poderoso de Butler e, claro, os riffs de guitarra inconfundíveis de Iommi. Tudo está lá, magistralmente. Sem novidades, mas, é necessário a essa altura do campeonato?

"Cry All Night", a segunda inédita, é ótima, apesar de mais parecer uma mistura de várias canções do disco "13", como "God is Dead?" e "Loner". O que a diferencia dessas outras é, sem dúvida, as incursões de Iommi, com solos precisos. "Take Me Home" é a mais pesada e cadenciada dessas novas faixas, tendo, no meio da sonzeira, até uma parte acústica, conseguindo ser empolgante o suficiente para lembrar a banda em seus tempos áureos, quando ainda não sabiam que chegariam tão longe.

Para finalizar as novidades, "Isolated Man". Nada de novo no front. E, por isso mesmo, excelente. Todos os integrantes dando o suor para para comporem uma música maravilhosa. Um grande desfecho. Interessante notar que escolheram justamente músicas pesadas para esse lançamento. Nada de baladas, arranjos lentos ou arrastados. Em suma: feitas sob medida para serem tocadas ao vivo, com a plateia indo ao delírio.

O restante do álbum é composto por faixas gravadas diretamente de shows para comprovar que o velho Sabbath, no palco, era fenomenal. Nessa parte, destaque para "God is Dead?", que continua uma canção fantástica, e "Age of Reason", outro grande momento do disco "13". Vale elogiar também o competente trabalho dos bateristas Brad Wilk (nas canções de estúdio) e Tommy Clufetos (nas partes ao vivo).

E, as cortinas se fecham. Ponto. Não importa que ainda tenhamos discussões se foi o Sabbath que "inventou" ou não o heavy metal, que a banda tenha passado por inúmeras atribulações, principalmente, pela sucessiva troca de vocalistas, e outras polêmicas do tipo. O grupo fez mais do que suficiente para a boa música, e só isso é o que basta para este últimos disco ter um valor sentimental incomparável.

Black Sabbath, eternamente!


Download do disco: 


Nota: 8,5/10.

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