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Dica de Filme

"X-Men: Apocalipse" (2016)
Direção: Bryan Singer.


De onde menos se espera, saem agradáveis surpresas. 2016, que prometia ser o ano dos super-heróis no cinema vem se mostrando bem morno. As duas primeiras produções do gênero a embarcar em nossas salas foram os capengas "Deadpool" e "Batman vs Superman: A Origem da Liga". Melhorou um pouco com o empolgante "Capitão América: Guerra Civil", e, até agora, o nível foi mantido com o bom "X-Men: Apocalipse". Sim, o panorama ainda é bem fraco, mas, pelo menos, esses dois últimos filmes, que prometiam serem bem ruins, acabaram sendo bem satisfatórios.

E, verdade seja dita: as primeiras produções dessa recente geração dos X-Men ("Primeira Classe" e "Dias de Um Futuro Esquecido") são bem mais ou menos, com alguns poucos pontos que se sobressaem. Já, este "Apocalipse" acaba sendo o melhor dos três, justamente, porque não quer inventar a roda. Aos contrário dos anteriores, que tinham premissas até boas, mas, que não concluíam o que começaram, este assume, sem a mínima vergonha, sua função de aventura cartunesca e descompromissada. É divertida, e tem alguns momentos sérios que valem ser debatidos.




Talvez, o que mais prejudique esse filme seja o seu começo pouco inspirador. Pomposo em demasia, mostrando a origem do vilão Apocalipse  (o primeiro mutante a habitar a Terra), a produção não economiza em correrias desenfreadas, que cansam rápido. Até parece alguns dos filmes de Zack Snyder ou do Michael Bay. Mas, se o espectador der mais chances ao filme, ele vai melhorando ao longo de sua projeção. Como basicamente todos os personagens que aparecerão aqui são conhecidos, e já estamos no terceiro filme, então, não ocorrem tantas apresentações assim.

Vemos Charles Xavier já com sua escola para mutantes consolidada, e recebendo novos alunos (Scott Summers - o Cíclope - e Noturno). Em paralelo. Erik Magnus, o Magneto, constituiu família, e vive de forma pacata, escondendo da população local seus poderes mutantes. É quando Apocalipse renasce em nosso tempo que tudo vai convergir para unir, novamente, os destinos de Xavier e Magneto. E, não nos esqueçamos de Mística, que continua assumindo papel importante para a trama, e em sua dubiedade moral, é o elo perfeito para mutantes de ambos os lados.




Muito se criticou as motivações do vilão Apocalipse. De fato, chegam a ser simplórias, mas, ao mesmo tempo, coerentes. Renascido nesses tempos, ele prega que a humanidade virou escrava de outros deuses e que por isso se perdeu no caminho. A cena em, que ele vislumbra isso, apenas tocando numa TV e absorvendo todas as informações históricas desse último século é bem eficaz e interessante. Mas, ao final, ele próprio se revela como um falso deus, que quer destruir esse mundo, para voltar a habitá-lo com as pessoas que ele julga serem fortes. Uma contundente analogia religiosa, pois.

As próprias motivações de outros personagens são melhor estruturadas. Além dos novatos que, confusos com os acontecimentos, precisarão escolher de que lado lutar, os veteranos também passam por dilemas. Magneto, por exemplo, após mais uma tragédia se abater em sua vida, volta a ter certeza de que o melhor para o mundo é o extermínio em massa dos humanos. Inclusive, é dele o melhor arco de histórias no início do filme, mostrando que o personagem poderia render bastante com um roteiro mais ousado.




A primeira metade de "X-Men: Apocalipse" se perde um pouco em alguns clichês e frases de efeito desnecessárias ao enredo. Mas, a partir da segunda parte, a coisa engrena, e a história fica ainda mais empolgante e divertida. Por sinal, uma agradabilíssima surpresa é entregue aos fãs do mutantes, com a aparição de Wolverine em seu melhor momento no cinema. Sério: são poucos minutos que mostram bem o cerne do personagem, e que até desculpa bem as bobagens que fizeram com ele em seus filmes-solo.

A direção de Synger sempre foi ponto positivo, com sua câmera sinuosa, permitindo que o espectador contemple cada cena, sem os tiques nervosos de outras produções do gênero. As atuações continuam boas, e mais uma vez, James MacAvoy e Michael Fassbinder são os destaques. Só Oscar Isaac que poderia ter feito um vilão mais marcante, ao invés de um mutante que tem mais pose do que tudo, só se salvando pelas ótimas falas. E, claro, as cenas de ação completam um pacote que, se não é uma maravilha, também não decepciona.




"X-Men: Apocalipse" pode não ser uma maravilha, e a bem da verdade, é cheio de defeitos. Mas, cumpre bem o seu papel de entreter, com um clima envolvente e uma narrativa fluida. Bem melhor que outros filmes de super-heróis que querem inventar muita moda, e acabam soando forçados e demasiadamente caricatos. Melhor o bom e velho feijão com arroz do que aquela comida intragável, que precisou ser requentada inúmeras vezes, e é vendida em uma embalagem nova.


Nota: 7/10.

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