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Debate Sócio-Político

A FOBIA COMO ARMA DE INDIFERENÇA
Por Erick Silva

Foto: Rick Rycroft/AP

Nas últimas horas, mais um atentado terrorista nos EUA abalou o mundo. Desta vez, um fanático islâmico abriu fogo numa boate LGBT, matando dezenas de pessoas, e ferindo outras tantas. Algo verdadeiramente horrível. No entanto, tão horrível quanto é perceber a que nível chega a desonestidade intelectual de certas pessoas. Nesse momento em que deveríamos estar de luto por tantos mortos de maneira brutal, em que deveríamos estar repudiando toda e qualquer forma de fanatismo, em que deveríamos estar apoiando a comunidade LGBT, pois, além de um atentado terrorista, este teve características de homofobia, o que alguns andam dizendo? Simplesmente que é odioso a Esquerda e a militância gay estarem "usando" o caso para promoverem uma causa, nesse caso, contra o preconceito.

Interessante notar que muitos desses "críticos" de ocasião são justamente da comunidade cristã. Irônico, pois, lembrar que, quando um atentado provoca vítimas que sejam cristãs, muitos abrem a boca para bradarem aos quatro cantos que se trata de mais um caso de "cristofobia", que os cristãos são um povo muito perseguido no mundo, etc. Ou seja, aproveitam tragédias para promoverem uma causa, uma ideologia, da mesma forma que a comunidade LGBT está fazendo agora, e de maneira justa, em relação a esse massacre de Orlando. O problema é que essa falta de escrúpulos para com a dor alheia, abstraindo de um caso de violência extrema suas implicações mais profundas, está se tornado cada vez mais frequente. É como se a falta de empatia fosse o mote desses novos tempos.


Agora, claro, não devemos (nem podemos) deixar de lado as questões relacionadas ao chamado fanatismo religioso (nesse caso, o islâmico), que já se tornou problema a muito tempo. Só que quando esse assunto vem à tona, também vêm com ele, inúmeros preconceitos e lugares-comuns relacionados ao Islamismo, às vezes, demonstrando um preocupante desconhecimento histórico a respeito do tema. Chega a ser sinto,ático que muitos ignorem que a comunidade islâmica conviveu de maneira pacífica com vários povos ao longo dos séculos, além de ter nos legado conhecimentos importantes em diversas áreas. Muitos também não querem refletir o fato de que esse radicalismo islâmico que vemos hoje é fenômeno recente, cerca de 40 anos atrás. Mas, por quê? Ninguém se propõe a pensar. Preferem o velho e batido jargão de que todo árabe é um propenso terrorista.

Terroristas do Boko Haram

E, é justamente apelando para esses lugares-comuns que nunca chegamos ao cerne do problema, como, por exemplo, o surgimento de movimentos ultra-radicais, que nem o Boko Haram. Por sinal, os "críticos" do movimento LGBT nesse caso recente de Orlando se calaram nos últimos anos perante diversos massacres ocorridos pelo Boko Haram na África. Mas, em mais uma dose de grande hipocrisia, mostraram-se compadecidos com os atentados ocorridos na Frnaça há alguns meses. Claramente, dois pesos e duas medidas. Porque a coisa é clara: essa gente não está preocupada com a dor alheia, como o sofrimento do outro, e sim, em fazer politicagens em cima de tragédias, aonde, ardilosamente, apontam esses mesmos defeitos nos outros.

Sartre já dizia que "o Inferno são os outros". Nesse caso, os inquisidores já são os juízes e carrascos de quem eles apenas deveriam discordar. Apontam diversos problemas em vários temas: a culpa é da Esquerda, do Feminismo, dos LGBT'S, etc. Mas, além desses hipócritas não se preocuparem, de verdade, com os problemas pelos quais os demais passam (como se apenas eles fossem dignos de alguma forma de "salvação"), ainda querem proibir causas legítimas, como nessa questão do atentado em Orlando, que, aceitem ou não, também teve ares de homofobia. A empatia, como se vê, é peça rara em tempos aonde o debate está, tristemente, nivelado por baixo.


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