Lista

10 Importantes Desconstruções dos Nossos Paradigmas Culturais


Lugares-comuns fazem parte da nossa cultura. Gostamos de usá-los, pois, geralmente, são ideias muito fechadas, que não exigem muita reflexão. São verdadeiros jargões considerados imutáveis. Quem ousa questionar algum deles, logo é taxado de chato (pra não dizermos algo pior). Mas, será que o mundo está chato mesmo, ou somos nós que nos recusamos a evoluir? Será que não está na hora de revermos certos conceitos, e melhorarmos nossa visão de mundo? Pensando nisso, preparei uma lista básica de 10 paradigmas sociais que ainda persistem, e que já está na hora de caírem por terra (ou, pelo menos, serem bem questionados). Uma ode ao bom debate!


10°
"Lolita" e seus sub-produtos são apologia à pedofilia
Quando o escritor russo Vladimir Nabokov lançou seu mais famoso livro, "Lolita", em 1955, talvez, não tivesse noção do alcance que seu texto pudesse ter na cultura do imaginário masculino, ao erotizar a figura, a bem da verdade, de uma criança. É da obra que surgiu o termo "ninfeta", ou seja, menina que exerce uma forte atração sexual. Uma busca rápida em sites pornográficos mostrará que o termo é um dos mais acessados entre os usuários, e ainda hoje continuamos a achar normal a hiperssexualização de uma criança ou adolescente, e até a uma boa parcela da população achar que se uma menina foi violentada, é porque ela "provocou". Em suma, tudo isso não passa de pedofilia bem diante de nossos olhos, mas, ignoramos por continuarmos sendo uma sociedade machista.


9°
Cenas de estupros em filmes, séries, novelas, ou em qualquer outro veículo, são deploráveis
Claro, o estupro é um crime, infelizmente, muito comum, e ignorá-lo é hipocrisia. A arte sublimar isso, também é uma forma de alienação. Mas, o estupro, seja em filmes, séries ou novelas, quase sempre é usado mais como um exercício de estilo, do que como algo para o espectador sentir repulsa daquilo e se sentir realmente revoltado. Poucas produções, como "Para Sempre Lilya" e "Dogville", trataram tais cenas como se deve. A extensa maioria ("O Último Tango em Paris", "Irreversível", "Laranja Mecânica", "Game of Thrones"...), coloca o estupro como algo meramente chocante, e até como se fosse uma prática sexual, mas, nunca como algo a ser combatido e evitado. A Cultura do Estupro existe, sim, e está muito bem representada, seja em filmes "cults", sejam nas novelas da Globo.


8°
Boa parte do funk e do brega, atualmente, são horrivelmente degradantes, mesmo sendo "cultura de gueto"
Depois dessa tal multiculturalidade, tudo é cultura, e nada pode ser criticado, senão, você é logo chamado de "elitista" ou preconceituoso. Mas, convenhamos: algumas coisas são intragáveis. O funk, por exemplo, do pornográfico, ao ostentação, passando pelo pancadão, tudo é motivo para frases tolas sobre sexo e dinheiro. Nisso, James Brown se revira no túmulo. Já, no brega, o tipo de música é sempre o mesmo, com os mesmos temas nas letras, os grupos reproduzindo cacoetes ridículos e muita erotização da mulher, claro. E, ainda há o "brega universitário", formado por gente bem vestida e moderninha, mas, com um tipo de som totalmente descartável. Pode ser chamada de cultura do gueto, da periferia ou do povão, mas, nada tira o fato de que é arte de péssima qualidade.


7°
O humor pode ser engraçado sem precisar ser machista, racista e homofóbico
Os humoristas modernos acham que agredir, xingar e maltratar, principalmente, as minorias, é uma boa maneira de fazer rir. Gente de talento duvidoso, como Rafinha Bastos e Danilo Gentili, já deram mostras de como o "novo humor" pode ser patético. Certamente, não devem conhecer os trabalhos de Chaplin e de Chico Anísyo, dois grandes comediantes que faziam graça com os opressores, os poderosos, e não com os oprimidos e os que já sofrem discriminação diariamente. Conselho: assistam "O Grande Ditador", e revejam os seus conceitos (além de se divertirem, é claro!).


6° 
"Bandido bom é bandido morto" e "direitos humanos para humanos direitos" são frases estúpidas
Os velhos jargões dos programas policiais (talvez, o pior tipo de programa que uma TV aberta no Brasil possui hoje em dia). Nossa Constituição é clara: não temos pena de morte. Matar alguém, simplesmente, por ele ser bandido é ilegal, além de promover a prática hedionda do linchamento, que não é só uma prática brutal e desnecessária, como também dá margem para que injustiças ocorram. Já, os Direitos Humanos não são só para bandidos, como muita gente adora pregar. Só o fato de alguém praticar sua liberdade de expressão ao dizer esses jargões já demonstra que ela se utiliza dos Direitos Humanos muito bem. Os criminosos possuem direitos também, e isso é imprescindível. Do contrário, iremos retroceder séculos, e a sociedade ficará bem pior.


5°
A pornografia, como ela é feita, é totalmente nociva
Aparentemente, ver uma "inofensiva" cena picante na Internet pode ser tentador, mas, o que está por trás disso, está longe de ser excitante. Diariamente, pesquisas mostram que sucessivas exposições à pornografia causam sérios danos ao cérebro, atrapalhando o convívio social do "consumidor voraz de sexo", e, claro, prejudicando a sua vida sexual, como um todo. Isso sem contar dos horrores escondidos na indústria pornô, com diversos casos de abusos, estupros, depressões fortes, suicídios, etc. Algo realmente ótimo como o sexo, que era pra ser uma atividade saudável, virou um produto b altamente venenoso e, sem dúvida alguma, "broxante". 


4°
Política e religião se discutem, sim
Pra alguns, concordar é a melhor coisa a se fazer, por isso, fogem de qualquer diálogo que se faça pensar como o diabo foge da cruz. Discutir política, por exemplo, é muito chato, mas, é na política que os nossos direitos estão. Nascemos e morremos sob o manto da política, e ignorar isso, é aceitar uma existência "feliz", mas, ignorante. Com religião, outros, praticamente, apelam para a violência, sem se darem conta de que a espiritualidade é individual, e que há espaço para todas as práticas possíveis e imagináveis. O que não pode é a religião interferir na vida do outro que não a tem. Por isso, política e religião não combinam. Mas, precisam (SEMPRE) serem discutidas.


3°
Em briga de marido e mulher, todos são responsáveis
Presenciar a violência e se eximir é um dos grandes absurdos que a nossa covardia permite. Não importa se seja na rua, entre desconhecidos, ou entre marido e esposa; se presenciamos algo realmente errado, por que não denunciar? Meter-se no meio? Reivindicar o direito do outro à dignidade? Um dos mais graves problemas sociais de hoje é a violência doméstica, aonde a mulher é a vítima usual. Covardes somos se nos calamos só porque aquele problema com os vizinhos "não é nosso". É aí que estamos redondamente enganados.


2°
Discurso de ódio não é opinião
Com a ascensão das redes sociais, hoje, todo mundo quer dar a sua opinião sobre tudo. Não deixa de ser meio limitado, pois, ninguém sabe, verdadeiramente, sobre todas as coisas que existem, porém, o principal problema é quando, baseados em nossos preconceitos e intolerâncias, resolvemos que agredir é a melhor política. O linchamento virtual, atualmente, é bastante comum, mas, pode reverberar também na "vida real". A nossa opinião não é isenta de críticas. Se ela tira a dignidade do outro, ela é discurso de ódio, e, como tal, tem de ser combatida. Simples assim.


1° 
Nenhum direito do outro termina quando começa o meu; todos temos direitos, e pronto!
Ninguém é mais detentor de direitos do que outros, muito menos, de privilégios. O que temos que entender é que existem, sim, grupos menos favorecidos, e que merecem uma atenção especial. Nenhum direito é absoluto, mas, também não termina para começar outro. Todos têm direitos básicos, e precisam, essencialmente, de respeito. O que precisamos é tentar construir um ambiente com o mínimo de desigualdades possíveis, respeitando as diferenças naturais. Com isso, já teremos dado um grande passo.


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