Pular para o conteúdo principal
Dica de Disco

"Rust" (2016)
Artista: Stone Cream


O mercado da música, a cada ano, cresce em termos quantitativos, mas, continua sempre com os mesmos vícios. Enquanto somos constantemente bombardeados por novos artistas de qualidade duvidosa, ou até mesmo alguns cânones musicais, mas, que hoje não conseguem fazer mais nada de relevante, ótimas bandas surgem todos os dias, e, por não ser dada a devida atenção, muitas duram o suficiente para lançarem apenas um disco, e nada mais. Os motivos para que isso aconteça são muitos, em especial, o fato de termos um público cada vez menos exigente, e quem sai perdendo é quem tenta encontrar algo de novo que seja, pelo menos, bom (não precisa reinventar a roda).

É o caso da novíssima Stone Cream. Em outros tempos (digamos, por exemplo, no início dos anos 90, auge do grunge), ela talvez passasse despercebida, e seria "apenas" mais uma banda competente. Mas, como hoje em dia não vemos a maioria, sequer, conseguir fazer um bom "feijão com arroz", este grupo de stoner rock acaba se tornando uma grata surpresa agora já no final de 2016, e um alívio aos ouvidos. Originária da Grécia, a Stone Cream tem um pouco de tudo de melhor que o rock alternativo teve anos atrás, do Pearl Jam, passando pelo Soudgarden, e desembocando mais especificamente no Monster Magnet.

O que esperar do som de estreia deles, "Rust"? Obviamente, muitas guitarras distorcidas, letras passionais e ao mesmo tempo lisérgicas, e um vocalista bastante rouco, como se estivesse bêbado, ou em algum outro "plano" da realidade, se é que me entendem. São cerca de 33 minutos de sonzeira, e não muitas variações ao longo das canções, todas tendo, basicamente, a mesmo estrutura. Mesmo um tanto previsíveis, as composições do disco são muito boas, e funcionam bem dentro do estilo proposto. A abertura, com "Jail Dog" é a prova disso: efeitos "viajantes", e muito blues rock no decorrer dela (uma das melhores do disco, por sinal).

A "pegada" das canções segue o mesmo perfil, caso das ótimas "Broken Child" e "Galiandra", em que o vocalista encarna um Eddie Vedder um pouco mais tenso e nervoso. Já, "Ghost" é Monster Magnet em estado bruto, e tem bem aquele estilo de trilha sonora "chapante" para se ouvir na estrada. Mesmo que as influências aqui sejam visíveis, e saibamos exatamente o que esperar, alguns momentos pecam pelo excesso de falta de criatividade (mesmo dentro de uma certa zona de conforto), caso da penúltima canção do disco, "Haunted Train", que poderia, claramente, ter sido melhor trabalhada.


Ao final, temos um bom disco de rock, coisa incrivelmente rara neste ano de 2016, em que poucos lançamentos, principalmente do mainstream, salvaram-se. Diante desse quadro, não se sabe o futuro do grupo Stone Cream. Estariam confinados a um único (bom) disco, ou a sorte vai ser favorável a eles, e, mesmo aos trancos e barrancos, poderão ter uma carreira vindoura? O que é certo mesmo é que os rapazes têm competência, sabem tocar, e com uma produção certa, podem até surpreender. Porém, é uma pena que eles estejam na época errada, aonde o que impera é a mesmice. Mesmo assim, torçamos pela banda. O som que fazem é merecedor de uma atenção extra.

Website:


Nota: 7,5/10

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dica de Filme

"As Fitas de Poughkeepsie" (2007)
Direção: John Erick Dowdle.


A maldade humana já gerou filmes verdadeiramente perturbadores, mas, que, muitas vezes, são feitos de forma apelativa, sempre expondo mais violência, como numa forma de fetiche, do que propondo alguma forma de reflexão. Exemplos desse desserviço cinematográfico são muitos, e não vou citá-los aqui, porque só servem mesmo para alimentar mentes doentias. Porém, existem aqueles filmes que conseguem fugir dessa regra, e conseguem propor algo válido, ao mesmo tempo que assustam bastante. É o caso deste "As Fitas de Poughkeepsie".
Primeiramente, é bom que se diga que ele se trata de um falso documentário, usando a (hoje batida) técnica de found-footage, que consiste em apresentar filmagens de maneira amadora, aumentado o tom realístico da obra. O resultado, pelo visto, deu certo. Quando "As Fitas de Poughkeepsie" foi exibido pela primeira vez no conceituado Festival de Trapeze, em Nova Ior…
Lista Especial Final de Ano

20 MELHORES DISCOS DE 2017


Este ano, em termos de música, foi um pouco melhor do que 2016, indiscutivelmente. Novos artistas mostraram trabalhos maravilhosos (Triinca, Royal Blood, Rincon Sapiência, Kiko Dinucci), ao mesmo tempo que alguns da velha guarda voltaram com tudo, em discos que parecem de início de carreira (Accept, Living Colour). 
Além disso, tevemos obras das mais variadas teméticas, desde a banda instrumental Macaco Bong fazendo uma reeleitura pra lá de insana do clássico "Nevermind", do Nirvana, até artistas como Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis, que, com "Sambas do Absurdo", emularam à perfeição a obra do filósofo Albert Camus. 
O resultado desta excelente miscelânea sonora está aqui, numa lista com os 20 melhores discos lançados neste ano que passou, cada um com cheiro e gostos diferentes, mas, que, de forma alguma, são indigestos.
Bon appétit. 🍴

20º
"In Spades"
The Afghan Whigs


19º
"The Rise of Chaos…
Dica de Disco

"Shade"
2017
Artista: Living Colour


BANDA CLÁSSICA DOS ANOS 80 CONTINUA NA ATIVA, E ACABA DE LANÇAR UM DISCAÇO DE ROCK QUE VALE A PENA SER OUVIDO ATÉ O ÚLTIMO SEGUNDO
O Living Colour foi um dos melhores grupos de rock surgidos nos anos 80, e que continuaram a ter relativo sucesso no início da década de 90. Entre idas e vindas, a banda já não lançava material inédito desde 2009, com o bom "The Chair in the Doorway". Eis que, em 2017, surge "Shade", 6º álbum de estúdio deles, e que comprova que o som do Living Colour não se tornou nem um pouco datado, visto que aqui vamos encontrar todos os elementos que tornaram a banda mundialmente conhecida, e que, ao mesmo tempo, ainda soa moderno e contagiante.



"Primos" de som do Red Hot Chilli Peppers e do Faith no More, o Living Colour, ao contrário destes, continua, ainda nos dias de hoje, com uma regularidade muito bacana em sua música, mesmo depois de mais de 30 anos de carreira. Isso se deve a…