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Lista

10 Grandes Discos dos Anos 90 (Quase) Esquecidos


Pra muitos, os anos 90 foi a última grande década da música, quando tivemos, realmente, algo de novo (ou de relevante) sendo feito nessa área. Foi o período do grunge, do manguebeat, da eletrônica, entre outros estilos. Diante de tanta diversidade, alguns discos ficaram relegados a um (quase) esquecimento, não porque fossem ruins, bem longe disso, mas, pelo fato de termos tantos lançamentos que causaram impacto na mesma época. Revisitando o tempo, porém, encontramos algumas pérolas que merecem ser revistas (no caso, "re-escutadas"), provando que, dentro do estilo, e na carreira de seus respectivos artistas, elas tiveram muito valor. E, por isso, estão aqui nesta lista.


10°
"Severino" (1994)
Paralamas do Sucesso

Depois de uma estupenda fase nos anos 80, que incluiu o lançamento do clássico "Selvagem?", os Paralamas entraram na década seguinte um tanto "mornos", mas, entre discos um pouco "pop demais", destaca-se o irrepreensível "Severino". Mesmo que não tenha alcançado o mesmo sucesso comercial de outros trabalhos do grupo, este disco é considerado um dos melhores da banda, ao lado de "Selvagem?". Por não ter o mesmo swing de outros álbuns do Paralamas, "Severino" não agradou tanto, mesmo possuindo uma musicalidade bem peculiar, com a inserção de instrumentos como marcada com a inserção de instrumentos não convencionais como cano de PVC, latão de óleo, serrote entre outros. Além disso, o disco ainda conta com as participações especiais de Tom Zé, Linton Kwesi Johnson, Fito Paez, Brian May, Egberto Gismont e Reggae Philarmonic Orchestra. Um trabalho, enfim, pra ser escutar com a devida atenção. 



"Mama Said" (1991)
Lenny Kravitz

Bem antes de "achar" que era Jimi Hendrix, o hoje não tão mega astro Lenny Kravitz forjou um disco sofisticado e cheio de cadência: este "Mama Said". O disco, ao mesmo tempo que emanava muita energia, também refletia bastante tristeza em alguns momentos (na época, Kravitz havia acabado de se separar de sua esposa, Lisa Bonet). Fundindo, de maneira competente, jazz, soul, rock e dance music, o cantor, compositor, guitarrista e até produtor do álbum deixou músicas que, até os dias atuais, soam fantásticas, como "Always on the Run" (com a participação de Slash, dos Guns n'Roses) e a cativante "It Ain't Over 'Til It's Over". Discaço.



"Monster" (1994)
R.E.M.

O R.E.M., em pouco tempo, lançou a trinca de seus discos fundamentais, e que, atualmente, são as verdadeiras "bíblias" de quem quer se aventurar pelo universo do rock independente: "Document", "Out of Time" e "Automatic for the People". Depois desses clássicos, fosse lógico que a banda "relaxasse", lançando discos pouco relevantes. Mas, o R.E.M. sempre esteve acima de qualquer suspeita, e eis que eles, após tanto sucesso de público e crítica, colocaram no mercado o poderoso "Monster", que, mesmo não tendo feito o alarde dos álbuns anteriores, é considerado um dos melhores trabalhos do grupo. Com uma sonoridade mais "rocker" e crua, "Monster" é despojado e empolgante do começo ao fim.



"Mirrorball" (1995)
Neil Young & Pearl Jam

Depois de amargar um tenebroso período de ostracismo nos anos 80, com o lançamento de álbuns que em nada lembravam os seus tempos áureos, o bom e velho Neil Young chegou à década de 90 saudado como o "pai do grunge". E, um dos grupos de Seatle que mais fazia reverência a este digníssimo senhor era uma das bandas de maior sucesso na época: o Pearl Jam. Portanto, nada mais justo que ter sido gravado um disco conjunto entre eles. E, que disco! Mesmo não obtendo um grande êxito comercial, é inegável a qualidade do material que se encontra aqui. Concentrando o melhor de ambos os artistas, num rock de garagem pra ninguém botar defeito, o trabalho exala urgência, riffs sujos de guitarra, e muita emoção nas vozes de Young e Eddie Vedder. Sem mais...



"Titanomaquia" (1993)
Titãs

Quando lançaram o polêmico (e, incompreendido) "Tudo ao Mesmo Tempo Agora", os Titãs foram taxados de oportunistas, pois, estariam pegando o bonde da "onda grunge" que estava começando a dar a caras pelo mundo da música. O clima ficou tão tenso que Arnaldo Antunes preferiu sair, e mesmo com esse baixa, a banda continuou com a mesma pegada no som no disco seguinte: o estupendo "Titanomaquia". E, se antes, eles foram chamados de oportunistas, aqui, o caldo entornou mais ainda, já que o produtor do álbum foi ninguém menos do que Jack Endino, o "papa do grunge", cujos trabalhos incluem discos fantásticos do Mudhoney e do Soundgarden. Porém, mesmo que os Titãs tenham se rendido a um certo "modismo", não há como não elogiar as composições de "Titanomaquia", cheias de punch e muito sarcasmo e provocação nas letras. Um disco, ainda hoje, não degustado por completo.



"Amorica" (1994)
The Black Crowes

Quando estouraram com o ótimo disco de estreia "Shake Your Money Maker", os Corvos Negros de Atlanta foram logo taxados de cópia dos Stones com Small Faces. Tal acusação seguiu firme no maravilhoso trabalho seguinte, o "The Southern Harmony and Musical Companion". E, quis o destino que somente no terceiro rebento eles não seriam mais acusados de cópia nenhuma. O "problema", digamos assim, é que o som de "Amorica" era tão diferente e inclassificável em alguns momentos que isso acabou se refletindo num menor sucesso comercial, em relação aos trabalhos anteriores do grupo. Contribuiu também a polêmica capa original (surrupiada de uma edição da revista "Penthouse"), motivo que levou a gravadora a confeccionar discos com capas alternativas (e, menos explícitas). Porém, independente de qualquer coisa, "Amorica" é um conjunto formidável com algumas das melhores composições do grupo, entre elas, "Gone", "High Head Blues" e "Wiser Time".



"O Marginal" (1992)
Cássia Éller

Mesmo que a saudosa Cássia Éller seja eternamente lembrada por hits como "Malandragem" e "O Segundo Sol", foi no seu segundo trabalho de estúdio que ela alcançou o seu ápice criativo. Bastou, pra isso, que as suas ora poderosas, ora introspectivas interpretações dessem vida própria à composições de terceiros. A versão blues rock para a belíssima "Caso Você Queira Saber" (de Beto Guedes e Márcio Borges) é um bom exemplo disso. Há também outras versões formidáveis para canções de gente como Arrigo Barnabé, Luiz Melodia, Itamar Assumpção e até Jimi Hendrix. Mas, show mesmo é quando Cássia coloca a alma na bandeja na pungente "Marginal", composição da própria cantora. Um fantástico disco de uma das melhores roqueiras que tivemos.



"Fuá na Casa de Cabral" (1998)
Mestre Ambrósio

Quando se fala em manguebeat, os primeiros artistas que, geralmente, vem à mente das pessoas é Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. No entanto, o universo mangue era variado, e comportava diversas bandas de vários estilos. Uma das melhores era a Mestre Ambrósio, junto com o seu talentoso líder, Siba. E, foi no segundo disco, "Fuá na Casa de Cabral", que eles atingiram o que muito artista metido a "antenado" por aí tenta há décadas: ser, ao mesmo tempo, cosmopolita e regional na maior naturalidade possível. As composições passam muita poesia, rima, métrica, num misto de sentimento de "estar na terra natal" e/ou longe dela, além da mistura nem um pouco indigesta de ritmos como forró, frevo, cirando e maracatu e por aí vai. Um dos melhores discos "universais" dos últimos tempos.



"Clandestino"
Manu Chao

Manu Chao começou a ficar conhecido por integrar uma das bandas mais insanas do universos, o Mano Negra, que, na teoria, era punk, e, na prática, era tudo o que se podia imaginar. Tanta mistura de sons iria, de alguma maneira, reverberar na estreia solo do ex-vocalista da banda. "Clandestino" tem composições em nada menos do que quatro idiomas (inglês, espanhol, português e francês), e transita com espontaneidade entre diversos ritmos, do reggae, ao dub, passando pelo eletrônico e o rock. Por ser tão variado, o álbum é um deleite aos ouvidos, e não se torna cansativo. Bom ressaltar que, após "Clandestino", Manu Chao virou figura carimbada em visitas pelo Brasil. Com certeza, sentiu que estava em "casa". 



"Incesticide" (1992)
Nirvana

Responsável por uma verdadeira revolução musical nos anos 90 (e, muito a contragosto, diga-se de passagem), Kurt Cobain foi ao céu e ao inferno com o megasucesso de "Nevermind". O que poucos conheciam, no entanto, é que, antes de forjar um som sujo e pop, mainstream e underground na medida certa, o Nirvana era uma banda, essencialmente, de garagem. O primeiro disco deles, "Bleach", é prova incontestável disso. Mas, pra não deixarem os fãs xiitas esquecerem de seus primórdios, e meio que irritando os fãs de ocasião, que queriam um segundo "Nevermind", a banda simplesmente solta um disco de sobras, covers, b-sides e tudo o que mais queriam, composto, basicamente, de canções despojadas, simples, diretas, sujas, seminais. Um tapa na cara de quem esperava que o grupo fizesse o óbvio. Resultado: um disco com a cara do Nirvana, sem se parecer com o Nirvana (se é que me entendem...).



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