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Disco Não Recomendável

"One More Light"
2017
Artista: Linkin Park


MUITO MAIS RAPPER DO QUE ROCKER, O LINKIN PARK VOLTA COM UM DISCO APÁTICO E TOTALMENTE SEM IDENTIDADE

Não há problema nenhum em mudar o seu som, contanto que seja para melhor. Exemplos de grupos bem sucedidos nesse quesito não faltam, do Red Hot Chilli Peppers, que passou a fazer um pop mais dançante e enigmático a partir de "BloodSugarSexMagik", ao Los Hermanos, que deram uma bela e honesta guinada contra o mainstream com o atemporal "Bloco do Eu Sozinho". O caldo entorna mesmo quando a mudança piora algo que, na prática, já não era tão bom assim. Convenhamos: o Linkin Park nunca foi uma exímia banda de rock, apesar de seus dois primeiros álbuns ("Hibrid Theory" e "Meteora") serem até bons discos, com um certo carisma. Mas, de uns tempos pra cá, a banda, em relação ao seu início de carreira, está irreconhecível. E, bastante piorada.



Depois que lançaram o fraco "Minutes to Midnight", lançado há exatos 10 anos, eles, simplesmente, vem abraçando com tudo a sua veia rapper, misturada com um pop anêmico que não empolga ninguém. "Mas, será que essa estratégia não seria para atrair um novo público?" Ok, concordo. Porém, fica a indagação: como o fã de rap/hip-hop ou do pop vai se interessar pelo atual (e, chatíssimo) som do Linkin Park se ele tem opções bem melhores no mercado, como Kanye West e Adele? Essa postura da outrora banda de new metal não só não deve atrair novos fãs, como também acaba, provavelmente, afastando os antigos. Ou seja: é uma fase tão descaradamente ruim que não conseguem agradar nem a gregos, nem a troianos.

Exagero?

Então, desafio o ouvinte (seja aquele mais calejado, seja aquele menos experiente) a escutar "One More Light", o novo disco do Linkin Park, de cabo a rabo sem sentir aquela velha sensação do tipo: "Hum, eu já ouvi isso antes, e, bem melhor". A primeira canção do álbum, "Nobody Can Save Me" é a prova cabal disso. Parece mais um desses singles de rap/hip-hop descartáveis que pululam nas paradas de sucesso a toda hora no dial das rádios. E, se já temos tantas músicas parecidas, pra quê mais uma, e justamente de uma banda que se dizia de rock? Por sinal, um dos destaques do Linkin Park de antigamente, o cantor Chester Bennington, está soando "suave" demais, nem parecendo aquele garoto que soltava uns guturais até empolgantes dos antigos trabalhos do grupo. Em suma: acalmou, amansou. E, perdeu uma de suas melhores características.



A situação piora ainda mais (se é que isso é possível) nas faixa seguinte, "Good Goddbye", que possui umas incursões pop intragáveis. Realmente, não precisamos mais ainda desse tipo de som. Na terceira faixa, "Talking to Myself", eles ainda "arriscam" um pouco de rock. No entanto, fica só na intenção, pois, mais uma vez, é tudo tão apático, tudo tão "mais do mesmo", que, voltando no tempo, temos até a impressão de que os Hanson faziam um som mais pesado. Chega, então, "Battle Symphony", e nem o mais otimista dos fãs pode discordar: o Linkin Park piorou além da conta. Mesmo não sendo maravilhas da indústria fonográfica, os dois primeiros discos deles mostravam um grupo com garra, com punch, com carisma. Agora, nem sinal disso. O restante do álbum segue à risca a fórmula dessas quatro primeiras músicas, com "destaques" para "Invisible", "Sorry For Now" e "Halfway Right", todas esquecíveis, dispensáveis e inúteis até mesmo a qualquer apreciador médio de música.

"O Linkin Park fez o pior disco de 2017 até agora?" Sim. "E, há quem vá gostar desse som?" Provavelmente. Mas, repito: os fãs antigos da banda, muito provavelmente, vão odiar esse mais novo lançamento deles. Já, os fãs de ocasião, mesmo achando algumas das músicas "legalzinhas", vão enjoar rápido, e procurar novas (e, melhores) coisas para escutar. "'One More Light' não tem uma qualidade sequer?" Sim, tem: ele é curto. Possui pouco mais de meia hora de duração, o que já é "muito", dada a "qualidade" do material. E, só.

Um conselho: continuem escutando "Hibrid Theory" à exaustão, pois, aquele Linkin Park do início dos anos 2000 não volta mais. Se bem que, em termos de rock, exite material bem melhor por aí. Em todo caso, uma certeza: "One More Light" é um disco completamente dispensável. Definitivamente, não precisávamos dele em momento algum.

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Nota: 1/10


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