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DICA DE DISCO

"CABEÇA ELÉTRICA, CORAÇÃO ACÚSTICO", SILVÉRIO PESSOA (2005)




Alguns termos, de tão usados, acabaram se vulgarizando. Cosmopolita e eclético, por exemplo. A ideia de amalgamar diversas tendências, a princípio, foi boa, mas com o passar dos anos, isso gerou muita coisa descartável, como diversos copiadores de Tom Zé ou o tecnobrega. Portanto, é louvável quando artistas com verdadeiro talento, como Silvério Pessoa, conseguem atingir um meio termo.

Oriundo de uma das melhores bandas pós-mangue, o Cascabulho, Silvério consegue unir várias tendências, e mesmo assim, ser original. Nesse álbum, ele mescla de tudo (ciranda, coco, frevo e forró) sem ser datado ou retrô. É apenas música cosmopolita, ou mesmo "world music".




Músicas como "Nas Terras da Gente", "Cipó de Goiabeira", "Na Boleia da Toyota" e "Sambada e Massapê" evocam o que há de mais autêntico em nossas tradições, e mesmo assim, ainda consegue "dialogar" com qualquer parte do mundo. As participações especiais de pessoas que, justamente, influenciaram Silvério nesse busca, como Alceu Valença e Dominguinhos, deixam o álbum ainda mais completo.

A sonoridade do disco é, o que seria esperado, uma boa mistura de tudo, e com propriedade. Do forró ("Forró na Gafieira") ao frevo ("Sabor do Frevo"), tudo é bem executado, com boas letras e uma sonoridade bem harmônica. Falando em letras, muitas parecem poesias cantadas, como a de "Nas Terras da Gente": "Atravessei a ponte da Boa Vista / Lembrando das histórias do Holandês/ Sentindo o cheiro doce da maré seca / Cantarolando sons do dia de Reis".




Após esse disco, Silvério fez várias viagens a Europa, onde pôde conhecer outras tradições culturais, tão ricas quanto as nossas, e que serviram de inspiração para seus futuros trabalhos.

Com folga, "Cabeça Elétrica, Coração Acústico" pode ser considerado um clássico da música popular contemporânea. Se o artista ainda não tem o merecido reconhecimento por grande parte da população, é porque as pessoas estão preguiçosas demais, preferindo músicas mais simples, de apelo raso, para rápida digestão. Silvério Pessoa, alheio a tudo isso, segue sua trajetória digna.





NOTA: 10/10.

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