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DICA DE FILME

"SEM NOVIDADE NO FRONT" (1930)




Filmes de guerra possibilitam várias abordagens. E, justamente, por isso, os resultados finais são distintos, indo da abordagem psicológica detalhada ("Apocalipse Now"), passando pela pirotecnia de mostrar mais explosões do que humanidade ("Falcão Negro em Perigo"), até a ironia e o sarcasmo para mostrar alguma crítica ("Nascido Para Matar"). Porém, poucas produções, de fato, expõem todas as incongruências e inutilidades de uma guerra. "Sem Novidade no Front" chegou bem perto, nesse quesito.

Baseado no livro de Erich Maria Remarque, "Nada de Novo no Front", o filme se distancia da obra original por abordar o assunto de maneira mais coletiva, enquanto que no romance, a situação era mais centrada no personagem Paul Baumer. Não chega a ser necessariamente pior, apenas uma forma diferente de apresentar a estória. Estória, essa, que manteve sua força na adaptação para cinema. As cenas de batalha em campo aberto são impressionantes, principalmente se levarmos em consideração a precariedade técnica da época. Mesmo assim, as tomadas aéreas mostrando soldados avançando contra outros, amedrontados em trincheiras, colocam no chinelo o suposto realismo de muitas cenas em computação gráfica de outros filme do gênero.




O esmero para com o filme realmente foi alto. Segundo o site Adoro Cinema, para garantir autenticidade, o diretor Lewis Milestone instruiu ao estúdio a tentar encontrar um lugar nos arredores de Los Angeles onde os veteranos alemães da Primeira Guerra Mundial morassem. Assim, ele poderia ter acesso à uniformes e equipamentos originais. O número de veteranos encontrados foi alto, então Milestone escalou grande parte deles como oficiais germânicos no filme, e deixou que eles guiassem os figurantes que interpretavam soldados das tropas alemãs.

A questão humana também é bem explorada no filme, apesar de haver alguns exageros nas interpretações, e um certo teor cômico em algumas cenas. Porém, é pouco para diluir o principal que a obra quer passar: que a guerra não passa de um joguete político, onde os poderosos colocam na linha de frente pessoas que não têm a mínima noção do porquê estão ali, e são treinados para matar pessoas que estão na mesma situação que elas.




Pelo seu tom pacifista, o longa não foi bem recebido em algumas nações, como a Alemanha, onde grupos nazistas, durante o lançamento nos cinemas, interromperam as sessões com gritos e colocaram ratos dentro dos locais. Persona non grata também virou o ator Lew Ayres, que interpreta Paul Baumer. Após sua experiência nesse filme, ele se tornou um consciente opositor da Segunda Guerra Mundial, tendo por isso, seus filmes banidos em diversos cinemas pelo mundo.

"Sem Novidades no Front" pode ser enquadrado, facilmente, como um dos melhores filmes de guerra já feitos, tanto pela parte visual, ao mostrar cenas estupendas de combates, quanto pela mensagem passada de forma direta. Um pouco abaixo do livro que originou, mas, mesmo assim, ainda obrigatório.





NOTA: 9/10 

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