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DICA DE FILME

"O JARRO" (1992)




Em 2010, o filme "A Separação" mostrou um Irã bem diferente do que estamos acostumados a ver. Expôs uma sociedade com qualidades e problemas como outra qualquer, longe de esteriótipos, e apenas com alguns detalhes mínimos que identificam a cultura islâmica. Porém, quase 20 anos atrás, uma produção, bem mais modesta, chamada "O Jarro", cumpria o mesmo papel.

Aqui, não encontramos nada mais do que uma comunidade simples e que poderia muito bem estar localizada perto de nós ou do outro lado do mundo. O foco da narrativa é uma pequena escola, onde um professor trabalha com muita dificuldade. Sem água encanada, todos os seus alunos dependem de um jarro. Este, no entanto, começa a rachar, o que faz com que todos do local se mobilizem com o passar do tempo para resolver o problema.




Ajuda muito ao naturalismo do filme todas as crianças não serem atores profissionais. Estão ali interpretando elas mesmas, o que torna tudo mais autêntico. Além disso, o roteiro retrata bem questões como o individualismo, já que de início muitos se recusam a colaborar para o conserto do jarro e na compra de um novo. Outro ponto do enredo trata da solidariedade que surge depois, pois, aos poucos, todos os moradores entendem o esforço do professor pelo bem-estar das crianças, e passam a ajudar na medida do possível.

Interessante é notar que não vemos uma menção sequer a respeito de disputas políticas ou fundamentalismos religiosos. Todos estão distantes disso, querendo apenas o mínimo para manterem sua dignidade, nem que seja um mero jarro de barro. Tanto assim o é que os moradores são unânimes em reconhecer a negligência do governo para com eles, e decidem comprar o tal jarro por conta própria, o que faz surgir intrigas e boatos que acabam colocando a cedibilidade do professor em xeque.




A estória de "O Jarro" é tão bem contada que sua projeção passa rápido, sem desprezar nenhum elemento importante. Simples, mas realista e eficiente, ela fala de assuntos indispensáveis em todo lugar, como valores éticos. Além disso é uma bela produção para sepultar um pouco mais qualquer imagem preconceituosa sobre o povo islâmico.


NOTA: 9/10.

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