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DICA DE FILME

"SEVEN - OS SETE CRIMES CAPITAIS" (1995)




É inevitável. Em toda temporada no cinema, aparecem cópias e mais cópias só para testar a nossa paciência. Já se chega diante da tela grande com aquela sensação de deja vú...

Por exemplo: hoje, um thriller policial, cujo protagonista é um serial killer sádico e extremamente inteligente, virou algo sacal, bastante comum. Mas, nem sempre foi assim. Há alguns anos, um filme nos trouxe um cenário interessante e perturbador nesse tipo de gênero. As diferenças que vamos encontrar em "Seven" não são poucas, mas significativas.

Primeiro, a personalidade da dupla principal de detetives é bem delimitada. Aqui, não temos simplesmente o novato e o veterano que irão aprender a conviver juntos, e passarão a ser grandes amigos. David Mills e William Somerset vão, sim, respeitando-se ao longo do filme, mas as divergências nos seus modos de pensar serão sempre visíveis. E, mesmo assim, a química entre eles fvai funcionar.




Outro ponto a favor da produção é ter pequenas, mas ótimas críticas ao estilo de vida das grandes cidades. Somerset, prestes a se aposentar, já está cansado de ver como os crimes estão se tornando mais e mais cruéis, e, ao mesmo tempo, banais. Num de seus constantes desabafos diz que, recentemente, próximo de seu apertamento, um homem teve os olhos perfurados só porque não tinha dinheiro para entregar aos assaltantes.

O filme não vai fazer análises profundas sobre a violência, mas esses momentos o deixam com um ar muito mais sério do que o habitual. Bem longe de coisas ao estilo "Máquina Mortífera", aqui não vamos encontrar piadinhas, muito menos alívios cômicos.

O próprio serial killer não é tratado de forma banal. Suas motivações e frustrações são um pouco mais humanas do que a maioria desse tipo de personagem. Não há traumas de infância, abusos ou grandes tragédias em sua vida. O desgoto que ele nutre é pela sociedade, com todas as suas nuances. Claro que os seus métodos são totalmente questionáveis, porém, o roteiro consegue fazer o antagonista ter carisma, mesmo aparecendo pouco no filme.




Mas, nada disso surtiria o efeito desejado sem um grande maestro que é David Fincher. Importante lembrar que ele tinha acabado de vir de um fracasso de público e crítica dois anos antes com "Alien 3", um filme muito mal compreendido à época.

Já, com "Seven", ele tem sua grande chance, e aí sim, todos se rendem ao seu talento. Isso porque o diretor contar uma boa estória, unida a uma criatividade técnica fantástica (sua marca registrada). É bom dizer que antes de partir para o cinema, Fincher já era um aclamado diretor de vídeoclipes. Alguns de seus trabalhos mais famosos são "Vogue", da Modonna e "Freedom '90", do George Michael.

E, as atuações? O que dizer delas? Simples: estão em perfeita harmonia com o material que lhes foi dado.




Brad Pitt convence como o impetuosos detetive Mills. Já, Morgan Freeman, como sempre, empresta um grande charme e competência ao seu personagem Somerset. Gwyneth Paltrow, quase sempre irritante, saiu-se muito bem como Tracy, a esposa de Mills, e que tem papel fundamental na trama.

No entanto, é próximo do climáx que vemos a grande estrela do filme: Kevin Spacey. Numa atuação primorosa, ele vai provocar temor nas pessoas, ao mesmo tempo que mostrará suas vulnerabilidades. Sua conversa com Mills e Somerset dentro de um carro, e próximo do desfecho da produção, é de tirar o chapéu.




Ou seja, "Seven" é desses tipos de filmes em que tudo está no lugar. Além ter fugido do óbvio em alguns pontos, foi ousado em outros, principalmente, em seu explêndido desfecho, um verdadeiro tapa na cara no bom mocismo e no politicamente correto. Enfim, é um trabalho marcante de gente competentíssima.

Precisa mais?


NOTA: 9,5/10.

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