Pular para o conteúdo principal
DEBATE SÓCIO-POLÍTICO

BOLIVARIANISMO UMA OVA!




Depois das eleições, um dos assuntos políticos que encontram-se atualmente em pauta é o da possibilidade de uma nova Constituinte. De início, confesso que fiquei favorável a ela. Mas, analisando os argumentos contrários, estou entendendo que isso pode ser um retrocesso.

Por que? Simples: uma Constituição a ser elaborada, seria feita por uma Assembléia Constituinte, convocada para tal, e formada pelo Poder Legislativo. Ora, nessas recentes eleições, o parlamento brasileiro ficou mais conservador, mais retrógrado, com muitos membros que, por exemplo, desdenham os direitos humanos com todo o vigor.

É aí que fazemos um paralelo com a Constituição de 88. Naquela época, estávamos saindo de uma Ditadura Militar. Era tempo de mudanças, e a maioria estava ávida por ares democráticos. Tanto é que uma das principais lideranças políticas naquele momento era Ulisses Guimarães, um dos mais ferrenhos defensores de nossa democracia.




E, o que temos hoje? Lideranças políticas cada vez mais conservadoras, algumas até pedindo a volta da Ditadura. E, como já disse, que dão pouca ou nenhuma importância aos direitos humanos e aos avanços sociais. Imaginem, pois, uma Constituição formulda por gente assim?

Diante desse quadro, então, cabe reforçar nossa participação popular nas esferas políticas. Justamente, nesse ponto, que o Decreto 8.243, que regulamenta isso, faz-se necessário. Só que, nesse aspecto, entra uma batalha ideológica absurda, onde a palavra de ondem da vez é um tal de "bolivarianismo".

E, que seria "bolivarianismo"?

Para ajudá-los, seguem dois links que podem responder mais claramente essa pergunta:

http://lucianoayan.com/2014/08/24/glossario-bolivarianismo/

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/11/bolivarianismo-mitos-e-verdades.html

Percebam, pois, que regulamentar a participação popular não tem, necessariamente, nada a ver com tal termo empregado. Trata-se de uma tentativa de "demonizar" o Decreto 8.243 através de uma expressão pejorativa, que, pelo visto, deu certo, pois todos agora só falam nesse tal de "bolivarianismo".

Quem acusa o decreto disso diz que certos conselhos populares, como o MST (teoricamente, ligados ao governo), poderiam mandar e desmandar em leis importantes para o país. Passaríamos a viver numa ditadura comunista, onde esses conselhos iriam impor no governo suas ideias, certo?

Errado! Como bem demonstra essa entrevista do coordenador do Fórum Transparência, André Luiz da Silva:




Se fomos levar realmente em consideração o que o Decreto 8.243 diz, conselhos e grupos populares apenas seriam ouvidos, consultados, e as leis seriam elaboradas com base na pauta de suas reinvidicações, o que não significa que elas fossem cumpridas à risca. Óbvio, não?

Cabe lembrar que foi o Legislativo (o Poder que pode elaborar uma nova Constituinte) que derrubou, recentemente, o Decreto 8.243. E, a alegação foi: "Querem implantar uma ditadura bolivariana no país"! Coincidência, ou não, depois disso, vários começaram a repetir este jargão.

Regulamentar a participação popular é necessária? Sim. Diversos países democráticos possuem tal mecanismo, o que facilita, e muito, na elaboração e fiscalização das leis, além do governo estabelecer demandas realmente importantes para a sociedade no momento certo, na hora certa.

Segue, inclusive, fala de José Geraldo de Souza Júnior a respeito da participação popular em outras nações (e no próprio Brasil)




O Decreto 8.243 possui falhas? Ao que tudo indica, sim. Mas, como toda boa nação democrática, vamos discutir esse decreto! Vamos melhorá-lo! Adaptá-lo! Organizá-lo! E, não jogando-o para debaixo do tapete, utilizando-se de terrorismos ideológicos furados!

Se uma nova Constituição é inviável agora, que uma participação popular mais ampla seja estabelecida, enfim.

Ditadura bolivariana?

Bolivarianismo uma ova!

Erick Silva
12/11/2014

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lista Especial Final de Ano

20 MELHORES DISCOS DE 2017


Este ano, em termos de música, foi um pouco melhor do que 2016, indiscutivelmente. Novos artistas mostraram trabalhos maravilhosos (Triinca, Royal Blood, Rincon Sapiência, Kiko Dinucci), ao mesmo tempo que alguns da velha guarda voltaram com tudo, em discos que parecem de início de carreira (Accept, Living Colour). 
Além disso, tevemos obras das mais variadas teméticas, desde a banda instrumental Macaco Bong fazendo uma reeleitura pra lá de insana do clássico "Nevermind", do Nirvana, até artistas como Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis, que, com "Sambas do Absurdo", emularam à perfeição a obra do filósofo Albert Camus. 
O resultado desta excelente miscelânea sonora está aqui, numa lista com os 20 melhores discos lançados neste ano que passou, cada um com cheiro e gostos diferentes, mas, que, de forma alguma, são indigestos.
Bon appétit. 🍴

20º
"In Spades"
The Afghan Whigs


19º
"The Rise of Chaos…
Dica de Filme

"As Fitas de Poughkeepsie" (2007)
Direção: John Erick Dowdle.


A maldade humana já gerou filmes verdadeiramente perturbadores, mas, que, muitas vezes, são feitos de forma apelativa, sempre expondo mais violência, como numa forma de fetiche, do que propondo alguma forma de reflexão. Exemplos desse desserviço cinematográfico são muitos, e não vou citá-los aqui, porque só servem mesmo para alimentar mentes doentias. Porém, existem aqueles filmes que conseguem fugir dessa regra, e conseguem propor algo válido, ao mesmo tempo que assustam bastante. É o caso deste "As Fitas de Poughkeepsie".
Primeiramente, é bom que se diga que ele se trata de um falso documentário, usando a (hoje batida) técnica de found-footage, que consiste em apresentar filmagens de maneira amadora, aumentado o tom realístico da obra. O resultado, pelo visto, deu certo. Quando "As Fitas de Poughkeepsie" foi exibido pela primeira vez no conceituado Festival de Trapeze, em Nova Ior…
Dica de Disco

"Shade"
2017
Artista: Living Colour


BANDA CLÁSSICA DOS ANOS 80 CONTINUA NA ATIVA, E ACABA DE LANÇAR UM DISCAÇO DE ROCK QUE VALE A PENA SER OUVIDO ATÉ O ÚLTIMO SEGUNDO
O Living Colour foi um dos melhores grupos de rock surgidos nos anos 80, e que continuaram a ter relativo sucesso no início da década de 90. Entre idas e vindas, a banda já não lançava material inédito desde 2009, com o bom "The Chair in the Doorway". Eis que, em 2017, surge "Shade", 6º álbum de estúdio deles, e que comprova que o som do Living Colour não se tornou nem um pouco datado, visto que aqui vamos encontrar todos os elementos que tornaram a banda mundialmente conhecida, e que, ao mesmo tempo, ainda soa moderno e contagiante.



"Primos" de som do Red Hot Chilli Peppers e do Faith no More, o Living Colour, ao contrário destes, continua, ainda nos dias de hoje, com uma regularidade muito bacana em sua música, mesmo depois de mais de 30 anos de carreira. Isso se deve a…