Pular para o conteúdo principal
DICA DE DISCO

"BLUNDERBUSS" (2012)
Artista: Jack White




Mesmo alguém participando de vários projetos paralelos, isso não significa que ele não tenha identidade. Apesar de algumas poucas diferenças aqui e acolá, nesses projetos podemos encontrar, de vez em quando, uma "marca registrada" que faz associar imediatamente a determinado artista.

No caso de Jack White, é quase certo que vamos encontrar em qualquer um de seus trabalhos ecos que vão do blues das antigas ao hard rock do bom e velho Zeppelin de Chumbo. Seja no White Stripes ou no Raconteurs, esse é o som que vai predominar, e, mesmo assim, não é nada meramente copiado, sempre com muito bom gosto nas composições.




Esse disco, sua primeira incursão em carreira-solo, segue, basicamente, essa linha... com um diferencial: uma liberdade ainda maior nas sonoridades usadas nas músicas. Além das certeiras influências do bluseiro Robert Johnson e de Plant e cia, também ouviremos muito do punk do Clash, bastante experimentalismo à lá Frank Zappa, e algumas pitadas de jazz.

O disco abre com "Missing Pieces". Sua abertura, com um dedilhado de piano, é muito bacana. O ritmo da canção é cadenciado, lembrando os melhores momentos do White Stripes. A guitarra de Jack chia com uma beleza impressionante. Logo após, o piano volta, ditando os passos. Um ótimo começo, sem dúvida.




O Peso vem com tudo em "Sixteen Saltines", e prova porque Jack White é um dos mais inventivos guitarristas de sua geração. Na sequência, "Freedom at 21" se inicia com o que parece ser uma batida eletrônica, abrindo espaço para um viciante riff composto por White. O meio da canção é Zappa total, com uma mistura insandecida de sons. Outro grande destaque.

O ritmo mais calmo e bucólico de "Love Interruption" nos leva a descansar numa passaigem belíssima. Já, a quinta faixa, a que dá nome ao disco, é uma balada introspectiva, que faz lembrar o lado mais acústico do Led Zeppelin. "Hypocritical Kiss" é mais acelerada, e, mais uma vez, com o piano ditando as regras. Coisa fina!




"Weep Themselves to Sleep" tem ares épicos e é ideal para se tocar em shows. Logo após, assim como "Sixteen Saltines", a oitava faixa ("I'm Shakin') traz mais peso ao álbum, apesar de ser mais dançante. "Trash Tongue Talker", por se parecer demais com outras faixas do disco, talvez seja o ponto mais fraco do trabalho. Mesmo assim, seu ritmo não deixa de ser agradável.

A minimalista "Hip (Eponymous) Poor Boy" se sai melhor, principalmente pelo jeito de White cantar, o que torna o refrão irresistível. "I Guess I Should Go to Sleep" é outra que se parece muito com outras canções (melhores) do álbum. Sem grandes atrativos.




O começo de "On and On and On", com violino, é muito bem feito e interessante. A música, em si, lembra Beatles fase "Sgt. Peppers", e tem uma sonoridade bastante exuberante, com orquestrações e tudo. Mais um destaque num disco quase sempre elaborado e refinado.

O encerramento, com "Take Me With You When You Go", não poderia ser melhor. Mistura, praticamente todas as vertentes e influências que encontramos até aqui: a força do hard rock, o refinamento do jazz, a alma do blues. Tudo com muita emoção e harmonia, além de ser muito bem executada.




"Blunderbuss" entra fácil na lista de melhores performances de Jack White, como no disco "Elephamt" (com o White Stripes) e no primeiro lançamento do Raconteurs. Com bom gosto e um belo de um conhecimento musical, White mostra que sabe das coisas, Na tranquilidade, fez um discaço, altamente recomendável pra quem gosta de boa música; apenas boa música.


NOTA: 9/10.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lista

10 Melhores Discos Nacionais de 2017 (Até Agora)


Sim, meus caros, não está nada fácil. Achar os "10 melhores discos nacionais lançados em 2017 (ate agora)" demandou bastante tempo, mesmo porque, até no meio do cenário indie, anda rolando uma certa mesmice em termos de sons e atitudes, com bandas soando rigorosamente iguais umas as outras. Está faltando identidade e carisma até na nossa música alternativa, infelizmente. Mas, lamentações à parte, esta é uma pequena lista que se propõe a ser um guia atual para quem deseja saber o que anda acontecendo de bom por aí. 
Torcer, agora, para que os próximos meses sejam mais produtivos no sentido de termos mais lançamentos bons como estes.
🎵


10°
"Feeexta"
Camarones Orquestra Guitarrística


"Canções Para Depois do Ódio"
Marcelo Yuka


"Triinca" Triinca

"Galanga Livre" Rincon Sapiência

"Vênus" Tupimasala
Lista Especial Final de Ano

20 MELHORES DISCOS DE 2017


Este ano, em termos de música, foi um pouco melhor do que 2016, indiscutivelmente. Novos artistas mostraram trabalhos maravilhosos (Triinca, Royal Blood, Rincon Sapiência, Kiko Dinucci), ao mesmo tempo que alguns da velha guarda voltaram com tudo, em discos que parecem de início de carreira (Accept, Living Colour). 
Além disso, tevemos obras das mais variadas teméticas, desde a banda instrumental Macaco Bong fazendo uma reeleitura pra lá de insana do clássico "Nevermind", do Nirvana, até artistas como Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis, que, com "Sambas do Absurdo", emularam à perfeição a obra do filósofo Albert Camus. 
O resultado desta excelente miscelânea sonora está aqui, numa lista com os 20 melhores discos lançados neste ano que passou, cada um com cheiro e gostos diferentes, mas, que, de forma alguma, são indigestos.
Bon appétit. 🍴

20º
"In Spades"
The Afghan Whigs


19º
"The Rise of Chaos…
Filme Mais ou Menos Recomendável

"Mulher Maravilha"
2017
Direção: Patty Jenkins


MAIS UM FILME DE SUPER-HERÓI GENÉRICO, "MULHER MARAVILHA" PECA, IRONICAMENTE, POR TER UM SUB-TEXTO MACHISTA EM SUAS ENTRELINHAS
Estamos diante de mais um filme de super-heróis, mais um do universo expandido da DC Comics no cinema, mais um com a enorme responsabilidade de entregar um material minimamente interessante, ao contrários dos pífios "Batman vs Superman" e "Esquadrão Suicida", sem dúvida, os dois piores filmes do gênero desses últimos anos, ao lado de "Quarteto Fantástico". Ou seja, "Mulher Maravilha" chega com uma tremenda carga a ser superada. A pergunta é: conseguiu cumprir a sua missão? Bem, digamos que sim e não. Ao mesmo tempo em que o filme acerta em alguns pontos que ficaram devendo em produções anteriores, ele também erra ao repetir alguns dos erros mais corriqueiros de longas do gênero, com um agravante que pode até causar certa polê…