Pular para o conteúdo principal
Dica de Filme

"Capitão América 2: O Soldado Invernal" (2014)
Direção: Joe e Anthony Russo.


Ah, os filmes de super-heróis... Ame-os ou odeio-os, eles são a mina de ouro da Hollywood atual. É se acostumar com o fato de que a cada lançamento assim, centenas de salas de cinema serão ocupadas. Claro, não deixa de ser monopólio, e, por isso, sempre que possível, devemos criticar esse sistema. Mas, tirando essa questão, não sejamos extremistas também. Há ótimos filmes-pipoca por aí, da mesma maneira que temos "produções cabeça" chatíssimas invadindo os circuitos, às vezes, em proporções iguais. Separemos o joio do trigo.

E, aonde "O Capitão América 2" entra nisso? Simples: ele está num meio termo. Está acima da média em se tratando de uma produção do gênero, mas, reproduz muitos clichês, talvez para não nos esquecermos de que o que estamos vendo é só entretenimento, e nada mais. Com um começo movimentado, mas, caindo no lugar-comum, o filme nos mostra o herói numa de suas missões. Então, preparem-se para muita correria, planos panorâmicos, lutas mirabolantes, etc. Enfim, nada de novo no front.




No entanto, quando  o Capitão se encontra com Nick Fury, membro da organização S.H.I.E.L.D., a produção vislumbra uma abordagem inusitada (e, que poderia até ser ousada). Numa conversa entre os dois, Fury tenta convencer o Capitão de que é necessária a implementação de um programa chamado "Insight", que visa prevenir guerras, terrorismos e todo o tipo de distúrbios no mundo, através de armamento pesadíssimo. Nisso, o herói indaga: "Mas, não punimos somente depois do crime cometido? Isso não é prevenção; é medo!"

Sim, meus caros. De forma bem interessante, o filme dá a entender que vai abordar um tema de muita pertinência nos dias de hoje: a cultura do medo para que as pessoas acreditem que perder a liberdade é algo necessário. Ótimo! Só que o tempo passa, e vem a decepção: esse assunto é, realmente, abordado em determinado momento, mas, sob um único viés (o dos EUA). Ou seja, preparem-se para aquele velho maniqueísmo do tipo norte-americanos bons X estrangeiros maus.




Talvez, muitos questionem o porquê de apontar isso; afinal, não estamos falando de um simples filme de super-herói? A resposta é: o próprio filme pede essa análise. Caso se propusesse a ser uma típica produção do gênero, com mocinhos e bandidos, sem problemas. Mas, como o roteiro aborda um tema dessa natureza, só que falando apenas "meias-verdades", então, ele fica vulnerável a uma análise mais criteriosa, que aponte essa falha grave na ideologia que prega. É a velha premissa: quem diz o que quer, tem que ouvir o que não quer também.

E, como diversão? Bem, nesse quesito o filme realmente não decepciona, e empolga bastante. Ouso a dizer que ele possui as melhores cenas de ação de uma produção de super-heróis de todos os tempos (sem dúvida, é o melhor filme de um personagem da Marvel até agora). São sequências grandiosas, realistas, e, melhor, duram o tempo que for necessário (um dia, Michael Bay aprende como se faz...). E, mesmo com as falhas de maniqueísmo e patriotismo muito presentes no enredo, a história é bem amarrada, possuindo, contudo, alguns furos de roteiro bem visíveis.





Quanto ao Soldado Invernal propriamente dito, ele é um ótimo personagem, sem dúvida. Só faltou ser melhor conduzido em alguns momentos. Isso porque a origem dele é muito interessante (e, tem a ver, inclusive, com a própria origem do Capitão América). No entanto, além de aparecer pouco na tela, suas cenas se resumem apenas a sequências frenéticas de ação. O que é uma pena, pois é um antagonista com um grande potencial. Só que, mesmo com essas limitações, são dele os melhores momentos do filme.

Saldo final? Positivo. Não é tão extraordinário como alardearam por aí, mas, é uma das melhores adaptações do gênero para a tela grande. Se o roteiro tivesse sido menos manipulador e ufanista para com os EUA, e tivesse colocado o dedo na ferida a respeito das guerras atuais, teria sido um filmão em todos os termos. Mas, sejamos honestos: fica difícil esperar algo diferente de um personagem que, literalmente, veste a bandeira norte-americana. Porém, se a intenção é, pura e simplesmente, divertir-se, "Capitão América 2" cumpre bem o que promete. Só não esperem mais do que isso.


Nota: 7/10.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dica de Filme

"As Fitas de Poughkeepsie" (2007)
Direção: John Erick Dowdle.


A maldade humana já gerou filmes verdadeiramente perturbadores, mas, que, muitas vezes, são feitos de forma apelativa, sempre expondo mais violência, como numa forma de fetiche, do que propondo alguma forma de reflexão. Exemplos desse desserviço cinematográfico são muitos, e não vou citá-los aqui, porque só servem mesmo para alimentar mentes doentias. Porém, existem aqueles filmes que conseguem fugir dessa regra, e conseguem propor algo válido, ao mesmo tempo que assustam bastante. É o caso deste "As Fitas de Poughkeepsie".
Primeiramente, é bom que se diga que ele se trata de um falso documentário, usando a (hoje batida) técnica de found-footage, que consiste em apresentar filmagens de maneira amadora, aumentado o tom realístico da obra. O resultado, pelo visto, deu certo. Quando "As Fitas de Poughkeepsie" foi exibido pela primeira vez no conceituado Festival de Trapeze, em Nova Ior…
Lista Especial Final de Ano

20 MELHORES DISCOS DE 2017


Este ano, em termos de música, foi um pouco melhor do que 2016, indiscutivelmente. Novos artistas mostraram trabalhos maravilhosos (Triinca, Royal Blood, Rincon Sapiência, Kiko Dinucci), ao mesmo tempo que alguns da velha guarda voltaram com tudo, em discos que parecem de início de carreira (Accept, Living Colour). 
Além disso, tevemos obras das mais variadas teméticas, desde a banda instrumental Macaco Bong fazendo uma reeleitura pra lá de insana do clássico "Nevermind", do Nirvana, até artistas como Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis, que, com "Sambas do Absurdo", emularam à perfeição a obra do filósofo Albert Camus. 
O resultado desta excelente miscelânea sonora está aqui, numa lista com os 20 melhores discos lançados neste ano que passou, cada um com cheiro e gostos diferentes, mas, que, de forma alguma, são indigestos.
Bon appétit. 🍴

20º
"In Spades"
The Afghan Whigs


19º
"The Rise of Chaos…
Dica de Disco

"Shade"
2017
Artista: Living Colour


BANDA CLÁSSICA DOS ANOS 80 CONTINUA NA ATIVA, E ACABA DE LANÇAR UM DISCAÇO DE ROCK QUE VALE A PENA SER OUVIDO ATÉ O ÚLTIMO SEGUNDO
O Living Colour foi um dos melhores grupos de rock surgidos nos anos 80, e que continuaram a ter relativo sucesso no início da década de 90. Entre idas e vindas, a banda já não lançava material inédito desde 2009, com o bom "The Chair in the Doorway". Eis que, em 2017, surge "Shade", 6º álbum de estúdio deles, e que comprova que o som do Living Colour não se tornou nem um pouco datado, visto que aqui vamos encontrar todos os elementos que tornaram a banda mundialmente conhecida, e que, ao mesmo tempo, ainda soa moderno e contagiante.



"Primos" de som do Red Hot Chilli Peppers e do Faith no More, o Living Colour, ao contrário destes, continua, ainda nos dias de hoje, com uma regularidade muito bacana em sua música, mesmo depois de mais de 30 anos de carreira. Isso se deve a…