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Filme Não Recomendável

"Deadpool" (2016)
Direção: Tim Miller.


Sim, os filmes de super-heróis. Um sub-gênero que, praticamente, tomou de assalto a indústria hollywoodiana nos últimos anos. Se isso é bom? Depende do ponto de vista. Particularmente, esse tipo de filme conseguiu o seu auge com "O Cavaleiro das Trevas" de Nolan, que parecia tudo (menos uma produção de super-herói). De lá pra cá, muitos tentaram o mesmo êxito, mas, parece que esse sub-gênero do cinemão carece de algo essencial: ousadia.

É, então, que chegamos à versão do mercenário tagarela da Marvel, Deadpool. Tudo convergia para algo que poderia até quebrar paradigmas (afinal, o personagem dos quadrinhos é bastante subversivo). Só que o filme acaba sendo muito limitado dentro do nicho ao qual resolveu se inserir. Claro,. é divertido e você ri muito. Mas, seria isso o suficiente? Não estaríamos entrando numa encruzilhada aonde filmes de super-heróis, apesar de alguns parecerem satirizar o sistema, acabam sendo bem rasos, bem mais do mesmo?




"Deadpool", o filme, tem bastante violência. Tem palavrões a rodo. Piadas de baixo calão. Só que algumas vezes funciona; outras, fica apenas a sensação de constrangimento. Sem contar que ele tem o mesmo problema do primeiro filme de Thor: passa muito tempo com o personagem "real", por trás da máscara de Deadpool, num longo flashback. A presença do "herói", propriamente dito, é mínima, assim como ocorreu com o Deus do Trovão. E, essa parte, convenhamos, é muito chata. O mercenário tagarela sem o uniforme é apenas um babaca metido a engraçadinho, com poucas cenas dignas de nota (a comemoração do "Dia da Mulher", ao menos, é bem engraçada).

Falaram que o filme foi feito por nerds para nerds. Se isso é verdade, não saberia dizer, pois, como quase 50% da produção é gasta para contar a origem de Deadpool de maneira até bem convencional, então, acredito mesmo é que faltou um pouco de feeling no trato com o personagem. Sim, algumas gags funcionam bem, mas, parece que Deadpool só sabe fazer piadas de conteúdo sexual. Num primeiro momento, diverte; na continuidade, cansa.




Incrível mesmo é que o filme foi exaltado como uma quebra de convenções desse tipo de produção, mas, tirando as partes mais "pesadas", o que temos é muito lugar-comum. Um "herói" angustiado, um vilão sádico, a donzela em perigo, o inevitável confronto final. Tipo: a ousadia só veio da forma da linguagem, porém, o conteúdo continuou o mesmo. Simplesmente, olhando-se de maneira mais fria, não arriscaram sair de uma certa zona de conforto.

Há, porém, algumas crítica aos filmes de super-heróis e até à concepção desse tipo de personagem no cinema atual. É válido. Mas, acaba sendo muito pouco. Para algo que prometia ser muito sarcástico (e, desafiador), o filme de Deadpool acaba sendo muito igual aos outros, escondendo isso com piadinhas bobas (engraçadas, sim, mas, bobas). E, até as críticas que faz às super produções desse tipo são superficiais, limitando-se a escrachar com alguns personagens conhecidos, como Wolverine.




Um ponto a favor é que o filme tem ritmo e passa voando. As cenas de ação são bem orquestradas, sem serem confusas, mas também muito iguais a tantas outras que vemos por aí. Sim, há de darmos parabéns também à produção como um todo (principalmente, ao ator Ryan Reinolds, que praticamente, bancou o projeto na raça) por terem enfrentado os prognósticos negativos, colocando o filme de Deadpool como uma realidade. Mas, se enfrentaram tantos problemas para realizarem algo que, nem de longe consegue "arranham" o conservadorismo da atual indústria, então, alguma coisa está muito errada.

Apesar dos pesares, o filme entrega um pouco do que promete. É divertido em alguns pontos; em tantos outros, é bem anárquico; e, sim, acaba sendo um produto um tanto diferenciado do que estamos acostumados a assistir quando se trata de gente fantasiada "salvando" o dia. Mas, o conceito colocado na tela ficou mais limitado do que o gibi, este sim, uma boa quebra de regras. Enquanto num, a transposição da quarta barreira se mostra como algo instigante, no outro, acabou servindo como mote para inúmeras piadinhas (muitas, sem graça).

O personagem merecia algo mais arrojado e provocador. Fucking shit!


Nota: 4/10.

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