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Dica de Filme

"A Garota Dinamarquesa" (2015)
Direção: Tom Hooper.


Recentemente, o cinema vem apresentando temas bem relevantes e atuais na abordagem de seus temas. Tivemos, por exemplo, "As Sufragistas", num momento em que o movimento feminista vem crescendo bastante. Já, "A Garota Dinamarquesa" fala da incompreensão que um transsexual passa numa sociedade que ainda não quer lhe entender (e o descrimina, claro). Esta produção, porém, ganha mais pontos do que "As Sufragistas" por tratar o assunto com mais naturalidade e humanidade. Diria até que tem mais alma do que o outro.

Aqui, em linhas gerais, temos a cinebiografia de Lili Elbe. Ela, porém, "nasceu" Einar Mogens Wegener, e, desde sempre, percebia algo estranho: sentia-se mulher num corpo de homem. Ela, por sinal, foi a primeira pessoa trans a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero, ainda no início do século passado. Obviamente, isso gerou certo desconforto na sociedade da época, que não entendia quem era, de fato, Lili (ou por preconceito, ou por pura ignorância mesmo).




Além desse aspecto, o filme se foca também em seu relacionamento amoroso com Gerda, igualmente pintora, e que foi um dos grandes alicerces da protagonista. Inicialmente, propondo "jogos" em que seu marido se veste de mulher, ela vai descobrindo aos poucos, no entanto, a essência de Einar (na verdade, Lili). Temos ainda a introdução na estória do amigo de infância de Lili, Hans, que também presta um valioso apoio a ela. E, basicamente, este é o trio de personagens que compõem a produção.

O ótimo é que o filme não precisa mais do que isso. Lili, Gerda e Hans são personagens muito bem estruturados pelo roteiro, tendo atitudes que poderiam, muito bem, ser consideradas reais, sem exageros. Claro, às vezes, a estória se presta a ficar um pouco melodramática demais, porém, em outras cenas, existe muita força no que se quer passar na produção. Por exemplo, pequenas sutilezas, como a maneira que Lili (ainda como Einar) toca em roupas femininas, demonstrando um pouco de quem seja.




Há outras sequências, inclusive, das quais questionamos se a humanidade, de fato, evoluiu. Vejamos: o filme se passa por volta de 1926, ou seja, há exatos 90 anos atrás. E, vemos Lili sendo espancada na rua por dois homofóbicos, além de presenciarmos o desespero dela quando vai buscar ajuda médica, e os profissionais da área, não entendendo a sua situação, propõem uma espécie de "cura gay", com direito a lobotomia e internamento num manicômio. Isso diz alguma coisa sobre os tampos atuais?

As interpretações estão muito convincentes, em especial, claro, a de Eddie Redmayne, que faz um trabalho corajoso, de uma transformação física impressionante. Está pau a pau com a magnífica atuação de Di Caprio em "O Regresso". E, Alicia Vikander nos oferece uma Gerda muito humana, que, mesmo não entendendo, de início, a situação de Lili, mostra-se extremamente compreensível com ela. Uma interpretação sem grandes arroubos, e, por isso mesmo, ótima.




A direção de Hooper está melhor do que em "O Discurso do Rei", seu filme anterior, até mesmo porque a próprio estória contada em "A Garota Dinamarquesa" é melhor. Sem muita apelação, deixa a estória correr bem, sempre com elegância e respeito ao tema. Pra finalizar, a reconstituição de época também é muito competente (claro, a própria paisagem urbana de Copenhague ajudou nessa reconstituição).

Por fim, temos um trabalho que dialoga com a necessidade do entendimento e da tolerância a respeito de uma parcela da população que ainda é bastante estigmatizada: os transsexuais. Sim, tivemos avanços (a aprovação recente de trans em universidades públicas é a prova de que estão conseguindo se inserir na sociedade, mesmo a contragosto de alguns conservadores). Mas, também, ainda temos muito o que melhorar, até para podermos aceitar as inúmeras Lili's que não pedem mais do que serem aceitas pelo o que são, tendo direitos como outro cidadão qualquer.


Nota: 8,5/10.

Comentários

  1. Sou fã de Redmayne e essa produção foi realmente muito bacana. Adorei o filme.

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