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Filme Não Recomendável

"Jovens, Loucos e Mais Rebeldes" (2016)
Direção: Richard Linklater


Desde os anos 80, Hollywood se especializou em fabricar comédias besteirol para adolescentes. Com raríssimas exceções, a maioria era, praticamente, a mesma coisa: um show de chauvinismo e machismo, mostrando um monte de marmanjos, cujo único intuito era transar. Só que, mesmo com a baixa qualidade desses filmes, algumas boas mensagens se sobressaiam, e os personagens, em geral, tinham carisma. Coisa que não podemos atribuir a "Jovens, Loucos e Mais Rebeldes". Isso porque o diretor Linklater pesou muito a mão em esteriótipos e ainda quis pagar de intelectual dentro de uma comédia besteirol.

Desde o início, a produção não se mostra promissora. O personagem principal, Jake, como calouro da universidade que está prestes a cursar, chega numa casa aonde vai dividir o espaço com alguns veteranos. E, já nos primeiros minutos, tudo se mostra carregado demais, com exageros nas interpretações, excesso de piadas de cunho sexual e machistas, além de personagens desinteressantes. No decorrer de uma hora, é exatamente isso o que vemos em tela: um bando de rapazes metidos a garanhões e com um humor pra lá de duvidoso tentando qualquer oportunidade para uma transa. Só que, depois dessa uma hora totalmente sem graça, o filme, timidamente, toma outro rumo, e passa a ficar mais verborrágico. No entanto, é uma mudança deslocada e nem um pouco orgânica.




O filme se propõe em ser uma comédia, mas, tem pouca graça. Nesse sentido, uma das melhores falas é de um dos veteranos, que diz: "Era pra eu estar me divertindo, mas, não estou". E, de fato, a produção não passa de um conjunto de gag's para provar a macheza e competitividade dos personagens. Caso essas questões fossem apresentadas num tom mais crítico ou irônico, seria ótimo, mas, é como se o diretor estivesse louvando o estilo de vida e de pensar desses personagens vazios. O que que é uma grande ironia, pois, os melhores trabalhos de Linklater são "Antes do Amanhecer", "Antes do Pô-do-Sol" e "Boyhood", filmes que transbordam sensibilidade, e possuem personagens com bastante carisma.

Já, "Jovens, Loucos e Mais Rebeldes" quer posar de descolado e de intelectual, só que acaba ficando pedante. Automaticamente após uma cenas em que são discutidas a efemeridade das pessoas, o culto à competitividade e a falsidade para se conseguir o que quer, temos os mesmos personagens tratando as mulheres apenas como "peitos" e "bundas", o que mata qualquer tentativa de reflexão que o roteiro possa ter proposto. É como se estivéssemos numa mistura muito ruim de "Antes do Amanhecer" com "Porky's". Só que, em muitos aspectos, até "Porky's" é melhor do que "Jovens, Loucos e Mais Rebeldes", pois, ao contrário deste, ele se assume como besteirol, e não como uma tentativa de querer agradar aos "cults" de plantão.




E, o roteiro, muito mal estruturado, ainda se mostra bastante preconceituoso até mesmo em relação ao sexo, um assunto do qual "parece" ser tão liberal. A única personagem feminina com personalidade na trama (Beverly) é aquela que é toda recatada, a "que é pra casar", enquanto as demais não passam de um mero pedaço de carne para saciar a fome dos marmanjos da história. Na realidade, parece que a trama foi feita com o único intuito de ser um tutorial de como "ser macho" e "viril", e poder "pegar" garotas à vontade. Isso porque os sub-textos que tentam falar de assuntos relevantes, como a verdadeira tara que o norte-americano médio tem por competir, são medíocres e rasos, o que faz com que o filme perca tempo em diálogos que não vão levar a lugar nenhum. Talvez, alguns dos melhores momentos sejam aqueles que se passam no treino de beisebol, que são discutidas boas questões em paralelo ao esporte. Porém, é tudo continua muito risível e sem a mínima profundidade.

Uma coisa positiva, ao menos, é a trilha sonora, calcada nos anos 70 e 80, que vai do country ao punk de maneira muito natural, e dá um certo frescor à chatice do filme em si. O interessante de tudo é que, mesmo com um roteiro tão mal feito e escolhas erradas na concepção dos personagens, a direção até que é boa, fazendo planos sequência e enquadramentos muito bons, dando um certo dinamismo à narrativa. E, mesmo bastante limitados, os atores também não fazem feio, alguns passando um ar até natural em suas interpretações, o que deixa o conjunto só um pouco melhor.




Mas, no geral, "Jovens, Loucos e Mais Rebeldes" é um filme sem propósito. Quer ser o "retrato de uma geração", mas, acaba sendo um amontoado de preconceitos, lugares-comuns e moralismos, bem diferente da sensibilidade e da sagacidade dos trabalhos anteriores de Linklater. Este, por sua vez, teve um retorno pífio pós-"Boyhood", o que faz com que questionemos o que deu no cineasta para apostar num besteirol para pseudo-intelectuais, que quer discutir muita coisa em suas quase duas horas de duração, ao mesmo tempo que tenta ser engraçado, mas, acaba sendo apenas sacal, e, não raro, ridículo. Um desperdício de tempo.


Nota: 3,5/10

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