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Lista Especial
Final de Ano

E, finalmente, chegamos a uma das listas mais aguardadas do blog, a de melhores filmes de 2016. Realmente, não tivemos um ano excepcional em se tratando da sétima arte, mesmo assim, foram muitos filmes de destaque, e o que é melhor: em vários gêneros, como pode ser percebido na diversidade da lista a seguir. De blockbusters a produções independentes, quem teve competência e boa vontade, mandou bem o seu recado, provando que cinema de qualidade existe, mesmo que os multiplex da vida insistam no contrário. E, como poderão perceber, a regra da lista é clara: colocar filmes que estrearam nos cinemas brasileiros em 2016, mas, que não sejam necessariamente produções deste ano que passou. 

Portanto, por um 2017 com mais pequenos grandes filmes como estes aqui. O bom cinéfilo, com certeza, agradecerá.

Vamos aos vencedores.



15°
"A Bruxa" (2015)
Data de lançamento no Brasil: 3 de março
Uma das maiores reclamações dos fãs do cinema de horror é que o gênero, geralmente, costuma produzir sempre o mesmo tipo de filme. Mas, quando aparece algo diferente como "A Bruxa", há quem reclame de todo o jeito. Enfim, o que importa é que esta produção independente entre EUA e Canadá tem um clima aterrorizante do começo ao fim. Não há espaço para momentos de "alívio cômico", pois, algo tenebroso parece sempre estar à espreita, num ambiente eternamente opressor, potencializado pelo sempre nefasto fanatismo religiosa. Com uma atmosfera pestilenta, e apostando mais num terror psicológico, "A Bruxa", realmente, não agradou aqueles que são ávidos por sangue em produções do tipo, mas, assim como o primeiro "A Bruxa de Blair", incomoda se você emergir na história, sem qualquer ideia pré-concebida. 


14°
"Kubo e as Cordas Mágicas" (2016)
Data de lançamento no Brasil: 13 de outubro



































É incrível, mas, quando se quer, as animações, muitas vezes, são mais sérias e relevantes do que muito "filme pra gente grande" por aí. Em 2016, coube a "Kubo e as Cordas Mágicas" o prêmio de melhor desenho do ano. Atributos não faltam. Primeiro, o filme é uma animação em stop motion tão bem feita que nem parece stop motion. Isso, inclusive, serve como metalinguagem na trama, já que o poder do garotinho Kubo é o de dar vida a coisas inanimadas, ou seja, puro stop motion. A história, me si, pode parecer simplório, mas, ao longo da narrativa, vai revelando nuances bem complexas e intensas, o que pode, em determinado aspecto, desagradar o público infantil. Mesmo assim, a favor deste, há uma animação recheada de aventura e alguns toques de humor ingênuo, genuinamente engraçado. Mas, o grande mérito de "Kubo e as Cordas Mágicas" é falar de assuntos delicados, como a morte, de uma maneira muito bonita, e fazendo, além disso, uma bela reverência à cultura japonesa no meio do caminho.


13°
"Snowden" (2016)
Data de lançamento no Brasil: 10 de novembro
Há muito que o senhor Oliver Stone, a despeito de suas boas intenções (que não são poucas), devia a nós um bom filme, E, a resposta veio com "Snowden". Contando de maneira correta os principais momentos na vida de Edward Snowden, funcionário da CIA, que delatou os mais escusos esquemas da companhia, o filme possui uma ótima direção, prendendo a atenção do espectador o tempo todo, e com uma atuação convincente de Joseph Gordon-Levitt como o protagonista. A produção, como era de se esperar, ainda faz questão de tecer críticas políticas e sociais ao modos operanti das autoridades norte-americanas, sendo um filme, de certa maneira, um pouco corajoso ao colocar o dedo na ferida num momento como este. Além de importante em termos de conteúdo, "Snowden" é cinema de qualidade indiscutível.



12°
"Invocação do Mal 2" (2016)
Data de lançamento no Brasil: 9 de junho
Filme de terror é tudo igual? Sim, em muitos casos, temos que admitir que o gênero anda perdendo muita criatividade, e, pior: deixando o seu principal elemento de lado (a capacidade de provocar medo). Só que um diretor muito inventivo chamado James Wan, que já havia surpreendido o mundo do cinema com o primeiro (e, melhor) "Jogos Mortais", fez, em 2013, uma pérola do horror, bastante assustadora: "Invocação do Mal", que tirou o sono de muita gente na época. Três anos depois, o mesmo Wan volta para uma continuação, e o que parecia um mero caça-níqueis, acabou virando um tremendo filme do gênero. Focando mais no casal de paranormais Lorraine e Ed Warren, "Invocação do Mal 2" consegue evitar muito bem alguns clichês desse tipo de filme, ao passo que mostra um lado muito humano dos personagens, que não estão ali apenas como mera diversão de um espírito maligno, e sim, são representados como pessoas comuns que necessitam de ajuda, ao passo que a oferecem na mesma medida. Sem contar que aquela freira é realmente tenebrosa. Pois é: mais uma vez, James Wan acertou.


11°
"O Abraço da Serpente" (2015)
Data de lançamento no Brasil: 18 de fevereiro
A cultura indígena sempre foi vista mais como uma espécie de "folclore" do que como algo de grande importância para um povo, tanto quanto as religiões tradicionais são, por exemplo, para o uma boa parte do restante da civilização. "O Abraço da Serpente" tem como um de seu méritos explorar muito bem como um povo que sempre esteve "distante" de nós pensa e age no dia a dia, num tom de reverência aos seus mais ancestrais valores. O choque cultural entre brancos e índios é evidenciado ora de forma crítica, através dos movimentos "civilizatórios" europeus, ora em forma de aprendizado, mostrando que pode haver tolerância de ambos os lados. Mesmo com um pequeno exagero no enredo na metade do filme, a história aqui é muito bem contada e envolvente, apontando não só para os problemas que sofrem os indígenas, mas, com preocupações envolvendo a todos, sem discriminação.


10°
"A Garota de Fogo" (2014)
Data de lançamento no Brasil: 31 de março
"A Garota de Fogo" é o tipo de filme que não se explica. Ou, até poderia ser esmiuçado um pouco, mas, estragaria eventuais surpresas na trama. Basta dizer que a história bebe muito na fonte de Almodóvar em seus melhores momentos, com uma estrutura fragmentada de narrativa que lembra um pouco os primeiros filme do Iñarritu. Personagens se cruzam o tempo todo, aonde os desejos de uns vão interferindo, geralmente, de forma negativa, na vida do outro. Num duro jogo de ambições, aonde a individualidade reina, há momentos fortes, que desafiam nossa percepção e que incomodam por mostrar até aonde algumas pessoas podem chegar. E, é isso. Um filme intrincado, "diferente", e que merece ser visto a todo custo.



"Ave, César" (2016)
Data de lançamento no Brasil: 14 de abril
Mesmo se quisessem, os irmãos Coen não conseguiriam fazer um filme ruim que fosse. "Ave César", por exemplo, pela proposta, tinha tudo para dar errado: mostrar os bastidores de Hollywood num tom cínico e ácido, intercalando números musicais, e com uma penca de atores famosos. O que perigava se tornar algo chato e com certo ranço da indústria, acabou se tornando uma despretensiosa comédia inteligente, com ótimos personagens, diálogos certeiros, e até uma bem-vinda crítica em tom de deboche às ideologias na época do macartismo. Com dinamismo e criatividade, os irmãos Coen fizeram aquela que pode muito bem ser considerada a comédia de 2016, provando que eles ainda têm muito o que falar.



"Martírio" (2014)
Data de lançamento no Brasil: 22 de setemmbro (Festival de Brasília)


O compromisso de um documentário é com a verdade. A que a produção pernambucana "Martírio" mostra ainda continua a ser ignorada / ridicularizada Brasil afora: o massacre da etnia dos guarani kaiowá. Com uma posição ideológica bem definida, o diretor Vincent Carelli se expõe, em certos momentos, na frente das câmeras para mostrar a sua própria indignação perante essa situação. Em outras ocasiões, dá a câmera para os próprios índios registrarem toda a violência que sofrem. Um retrato duro de um Brasil "invisível", e cujo agronegócio continua a explorar com assombroso sucesso. Em termos da necessidade dos documentários, podemos dizer que "Martírio" foi uma missão muito cumprida de Carelli e cia.



"A Chegada" (2016)
Data de lançamento no Brasil: 24 de novembro


Na literatura, a ficção científica quase sempre cumpriu uma função meio que sociológica ao apontar os erros da humanidade de maneira bem crítica. Já, no cinema, o gênero ficou relegado, nos mais recentes filmes do gênero, a produções de ação sem o mínimo de conteúdo relevante. "A Chegada" veio, portanto, para cumprir o mesmo papel que o excelente "Contato", de 1998: mostrar que a ficção científica, em essência, é complexa e flerta com os nossos mais urgentes anseios. No caso do filme do canadense Dennis Villenueve, o ponto central é a comunicação (ou, a falta dela), o que ocasiona instabilidades sociais seríssimas, inclusive, as guerras. Mas, também não é um filme "didático", podendo ser assistido pelas "massas", sem maiores dificuldades. Uma produção, ao mesmo tempo, ótima e importante em muitos aspectos.



"The Lobster"
Data de lançamento no Brasil: 6 de maio
É errado supor que a ficção científica se restrinja tão somente a invasões alienígenas. Podendo mostrar metáforas sociais em qualquer aspecto, o gênero poderia ser mais rico em produções diversas e criativas, como "The Lobster", interessantemente, demonstra. Aqui, a crítica é quanto à nossa (cada vez mais) inabilidade às relações humanas, em que, para seguirmos convenções sociais, precisamos da "ajuda". Caso não consiga se enquadrar, automaticamente, a pessoa é (literalmente) transformada num animal. "The Lobster", em muitos aspectos, é um filme cruel, que não poupa em mostrar nossa frieza diante do outro, e como somos facilmente compelidos a nos "desumanizarmos". Uma produção que merece bem mais atenção do que conseguiu até agora.



"Elle"(2016)
Data de lançamento no Brasil: 17 de novembro
"Elle" já começa com uma cena de estupro. Mas, aos poucos, o que parecia ser apenas algo apelativo, passa a ser um interessantíssimo estudo de personagem. A vítima da violência em questão é uma mulher bem sucedida financeiramente, mas, que tratou do abuso que sofreu de uma forma fria (cínica, até), e isso chocou muito espectador por aí. Porém, bem longe de ser uma espécie de apologia à violência contra a mulher, o filme do holandês Paul Verhoeven explora muito bem como as várias carências afetivas da geração atual podem reverberar em doentias patologias. E, ainda há uma sutil, mas, precisa crítica à violências do jogos eletrônicos, em especial, os que tratam a figura da mulher. Sem contar que Isabelle Huppert está formidável como a protagonista. Em suma: um filme ousado e "difícil", pra não dizer indispensável.



"Invasão Zumbi" (2016)
Data de lançamento no Brasil: 29 de dezembro


Primeiramente, esqueçam o horrível título nacional que esta fantástica produção sul-coreana ganhou, e se concentrem "Train to Busan". Dito isto, guardem qualquer preconceito que possam ter em relação a zumbis na cultura pop, e "embarquem" na história desse filme alucinante. O fato dele ser tão bom é até muito simples: todos os seus elementos são um primor. A narrativa é acelerada, mas, envolvente, o roteiro é muito bem estruturado, os personagens são cativantes e nem um pouco caricatos, as cenas de ação são estonteantes e a crítica social é bastante presente, porém, sem perder o fio narrativo. Ou seja, se fossem feitos vários filmes com cada um desses elementos de "Invasão Zumbi", todos seriam filmaços. Como estão reunidos num só, não é preciso nem dizer o porquê dele ser um dos melhores do ano.



"O Quarto de Jack" (2015)
Data de lançamento no Brasil: 18 de fevereiro


"O quarto de Jack" é o tipo de produção que mexe com a percepção a cada momento. Logo no começo, fica um pouco difícil se envolver com o drama de uma mãe trancafiada junto com seu filho num minúsculo quarto. Mas, com o passar do tempo, entendemos que isso era proposital. Bem como era proposital algumas situações em que o roteiro nos leva a julgarmos a personagem principal, para depois, entendermos o porquê dela agir assim. Nesse ótimo jogo de ideias, em que situações nem sempre são o que parecem, a trama nos convida a uma profunda reflexão a respeito do abuso e suas consequências. Com atuações fantásticas de Brie Larson e Jacob Tremblay, este filme é, sem dúvida, um dos mais sensíveis do ano que passou.



"Capitão Fantástico" (2016)
Data de lançamento no Brasil: 22 de dezembro
Temos aqui um típico "filme de princípios", na mesma linha de "O Substituto - Indiferença". Ou seja, ou você ama ou você odeia. Mas, antes de qualquer pré-julgamento, cabe conferir esta inusitada e excêntrica fábula moderna de um pai que protege os seus filhos da futilidade do mundo, ao mesmo tempo que ensina valores que muitos atualmente podem achar "cafonas". Além disso, a produção também tem uma "ideologia" bastante clara, o que pode incomodar os mais chatos de plantão, afinal, os protagonistas celebram o "dia de nascimento de Chomsky"! Mas, mesmo não tendo vergonha de mostrar o que pensa e dando a cara pra bater, "Capitão Fantástico" se sustenta otimamente bem como cinema, com atuações formidáveis de todo o elenco. E, sim, é um filme "cafona", "careta" e "de princípios" também. Quem quiser algo mais "descolado", o que não faltam por aí são produções pseudo-cults que parecem dizer alguma coisa, mas, não dizem nada, no final das contas.



"O Cavalo de Turim" (2011)
Data de lançamento no Brasil: 7 de janeiro
Há filmes que transcendem a própria existência humana, e se mostram como algo além da arte, como se ali tivesse vida real, palpável, da qual pudéssemos sentir o cheiro, o sabor, a tristeza, a desesperança. Um dos filmes definitivos do húngaro Bélla Tarr, "O Cavalo de Turim" é um filme questionador por natureza. Questiona desde o cotidiano até a vida em todos os seus elementos (bons e ruins). E, também é uma produção de assimilação complicada. Assistí-la requer esforço, estado de espírito e ânimo para entender cada minuto, e mergulhar em algo que talvez muitos não estejam preparados. Trata-se de cinema em outro patamar de qualidade, longe de qualquer escapismo ou respostas fáceis. Mesmo que depois se deteste este filme, "O Cavalo de Turim" necessita ser visto, pelo menos, uma única vez. Não mais que isso.



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