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DICA DE FILME

"DEUS DA CARNIFICINA" (2011)




Nos últimos anos, o cineasta Roman Polanski vem se notabilizando por realizar filmes muito bons. Ao contrário de muitos diretores que, após ganharem um prêmio como o Oscar, acomodam-se, Polanski, ao contrário, depois do reconhecimento por "O Pianista", está acertando a mão com frequência. "Deus da Carnificina" comprova isso.

O filme é baseado numa obra teatral escrito por Yasmina Reza (que também roteiriza o filme ao lado do diretor), e, fala sobre um assunto aparentemente banal: uma briga entre adolescentes no pátio da escola. Os pais de um deles, indignados, chamam os pais do outro rapaz para seu apartamento a fim de terem uma conversa e resolverem essa questão. Porém, o que poderia ser um diálogo apenas amigável, desemboca num festival de acusações e xingamentos.




Penelope e Michael, pais do que foi agredido, a princípio, dão exemplos e mais exemplos de "civilidade", num show de sorrisos e simpatia. Mas, tudo parece soar falso. Enquanto isso, Nancy e Alan apenas querem resolver essa questão o quanto antes; ela, envergonhada pelo o que aconteceu, e ele, levando o problema de maneira bem natural, querendo ir logo embora para cuidar dos seus negócios. Este, chega a dizer que brigas entre jovens é natural; faz parte de nossa evolução.

Obviamente, as coisas não ficarão nesse patamar. Todo o "respeito" com que se tratavam não corresponde ao que, no fundo, um sente pelo outro. Até mesmo entre os casais, acabam acontecendo desentendimentos, mostrando que as relações sociais não são tão sólidas quanto aparentam. Ao mesmo tempo, o celular de Alan toca incessantemente, aborrecendo a todos, mas ninguém tem coragem de censurá-lo mais severamente por isso.




"Deus da Carnificina" se inicia e termina com o mesmo plano sequência. Fora isso, toda a ação se passa no apartamento de Penelope e Michael. O ambiente único, em que todos estão numa espécie de clausura, já que ninguém (a não ser Alan) aceita sair até resolver o caso, dá um ar de teatralidade ao que o texto pede. Claro que os atores ajudaram muito nesse processo. Christoph Waltz é o melhor, com seu jeito irônico de pronunciar cada palavra. E, é o que menos fala em cena, por sinal.

Polanski também dirige com bastante segurança, apesar de ser um filme rápido (de apenas 80 min.). E, o roteiro realmente toca em temas interessantes (conceitos de moral, violência, falso altruísmo...), e tem o mérito de desnudar personagens tão diferentes a partir de um acontecimento necessariamente simples.

Enfim, é um ótimo exercício narrativo, envolvente, e bem contado.


NOTA: 8,5/10.

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