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DICA DE DISCO

"PEIXE HOMEM" (2011)




O estigma é algo difícil de se livrar, principalmente quando tem a ver com a indústria da música, onde tudo está monopolizado e extremamente igual. Num mundo onde o "jabá" é a regra e vários esquemas são feitos para produzir o último sucesso do momento, uma banda de qualidade como a Madame Saatan, certamente, tem um árduo caminho pela frente, mas como bem mostra "Peixe Homem" (segundo disco do grupo), eles sabem o que querem e estão, até agora, imunes aos vícios de mercado.

Oriunda de Belém do Pará (lugar que, infelizmente, será lembrado por muito tempo como a terra do tecnobrega, devido a coisas de qualidade duvidosa, como a banda Calypso), a Madame Saatan tem vários pontos positivos. A começar pela vocalista Sammliz, que canta muito melhor do que Pitty, só para citar um parâmetro mais direto e conhecido. Sua voz é melódica e rasgada na medida certa, sem exageros. O guitarrista Ed Guerreiro traz um bem-vindo estilo hard ao som, e a cozinha formada por Ícaro Suzukno no baixo e Ivan Vanzar na bateria garantem a coesão do trabalho.




Outro ponto de destaque no disco são as letras. Cantadas todas em português, elas possuem boas variações e ritmos redondos, além de ótimas temáticas. Exemplo é a faixa de abertura, "Respira", que diz: "Da cidade que mora embaixo / Do céu de rios / Calor, concreto, aço e lama / Da cidade que dorme tarde / Na grande onda que afoga / O peixe-homem". A canção "Rio Vermelho" é outra que possui uma letra muito boa: "Aquele rio era como um chão sem curvas / Das histórias sem margens e das horas / Lembranças do nada e do agora".




Mesmo com todo O peso do som, ainda existem músicas com um certo acento pop (mas, de muita qualidade, é bom ressaltar), que são perfeitas para grudarem na cabeça após a primeira ouvida, como o single "Até o Fim" e a intensa "Insônia". Depois de escutá-las, inclusive, fica complicado constatar que a banda não está fazendo o sucesso que merece, pois, nota-se que o trabalho do grupo é bastante competente e está acima da média, não só no que se refere ao atual (e clichê) "rock brasileiro", mas na música nacional, como um todo.




"Peixe Homem" é, sem dúvida, um dos melhores discos lançados nos últimos anos por aqui. Basta pesquisar mais e fugir dos "sucessos em massa" que as rádios e as TV's insistem em nos empurrar, fazendo crer que num determinado lugar só existe aquele estilo de som sendo feito. Por conhecer bandas como Madame Saatan, a curiosidade será sempre válida.


NOTA: 9/10. 

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