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DICA DE FILME

"OLDBOY" (2003)




Cru, mas com acento pop. Filosófico, porém, descomplicado. "Oldboy", um dos melhores exemplares da recente safra sul-coreana pode ser, inicialmente, resumido a isso. Claro que ele se mostra bem mais que essas definições. No entanto, comecemos dizendo que ele opta por mexer com extremos.

É um filme que, mesmo sem grandes pretensões (potencializadas pelas suas partes cômicas), consegue ir além do que, usualmente, o cinemão pipoca ousa mostrar. Consegue falar de temas complexos, como vingança, para um público leigo, que irá conseguir absorver a mensagem em meio às cenas estilosas.

E, que cenas...




Não à toa, Tarantino ficou bastante entusiasmado quando o viu pela primeira vez. Afinal, "Oldboy" é, na essência, o que o trabalho do diretor norte-americano tem de melhor: o debate do ser humano imerso em situações absurdas, e mesmo assim, este se mostrando extremamente cínico, fazendo de sua vida uma verdadeira tragicomédia.

"Oldboy" é baseado num mangá (quadrinho japonês), o que, certamente, ajudou na forma como filmar e na construção do enredo. O diretor Park Chan-wook conduz tudo isso de maneira audaciosa, extraindo o máximo das possibilidades do argumento que tem em mãos.

E, é a estória outro ponto forte na produção. Imaginem alguém sendo preso, sem saber o motivo, por longos 15 anos, e depois desse tempo, ser solto, também sem explicação aparente. Pois é isso o que passa o protagonista, Oh Dae-su. Só sabe de uma coisa: precisa encontrar quem lhe tirou 15 anos de sua vida e se vingar.




Contar mais seria estragar as surpreendentes surpresas que vão aparecendo ao longo da produção. Mas, em relação ao enredo, basta dizer que caso fosse feito numa indústria mais careta e conservadora como a atual Hollywood, com certeza, "Oldboy" não teria metade do impacto que conseguiu.

A violência presente no filme nunca é aleatória. Coreografada nos mínimos detalhes, ela tem uma função narrativa importante, mostrando que o desejo de vingança, muitas vezes, se volta contra a pessoa que o pratica, e onde nenhum personagem sairá ileso no final, sejam com sequelas físicas ou psicológicas.

Talvez a questão mais controversa em "Oldboy" como cinema sejam as atuações. Todas são muito exageradas, um tanto histéricas e até caricatas. Só que essa não é uma característica do filme em si, mas de quase todo o cinema oriental. Portanto, não chega a ser um defeito, apenas algo estranho à nossa cultura.




E, como não poderia deixar de ser, a parte técnica é primorosa. As sequências de lutas, mesmo "econômicas", são incrivelmente realistas (uma, inclusive, sem cortes). E, o roteiro ainda faz alguns links com fatos verídicos, como quando mostra Oh Dae-su preso, tendo apenas como companhia uma TV. Nela, vê diversos acontecimentos em tempo real, como o atendo às Torres Gêmeas, em 2001.

Inclassificável, "Oldboy" pode ser visto de diversas óticas, e o espectador não vai se decepcionar. Drama, comédia, ação... Tudo intercalado de maneira brilhante, sem atropelos, e com um ritmo excelente, só pecando no final, quando se arrasta um pouco além da conta. Tirando esse detalhe (pequeno, diga-se), é cinema com estilo, substância e carisma.


NOTA: 9/10.

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