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10 FILMES VIOLENTOS EM QUE A VIOLÊNCIA NÃO É GRATUITA



O cinema, como qualquer válvula de escape, às vezes, exagera, e mostra mais do que deveria, apelando para cenas repulsivas, que têm o único intuito de chocarem. Mas, há aquelas produções em que a violência não é um simples enfeite para atrair a atenção do público. Ao contrário: conseguem suscitar profundas reflexões. São filmes realmente pesados, com cenas fortes, porém, que onde essas mesmas cenas possuem uma função narrativa muito importante dentro da história.

Com base nisso, apresento, agora, a lista dos:


10° 
"A Classe" (2007)
Direção: Ilmar Raag.
Falar de buillyng hoje em dia pode parecer clichê, mas existe que consiga dialogar sobre o assunto de forma precisa e desconcertante. Esta produção da Estônia consegue passar o desconforto de cenas fortíssimas de humilhação, desconcertando o espectador, só que sem endeusar a violência. A reação dos garotos agredidos constantemente não tarda a chegar, o que proporciona uma importante alegoria a respeito do limite de cada um, até aonde conseguimos ser violentados até explodirmos. Primoroso.


9° 
"Um Dia de Fúria" (1993)
Direção: Joel Schumacher.
Schumacher sempre foi um diretor mediano, tendo queimado sua carreira com o horrendo "Batman & Robin", mas, em "Um Dia de Fúria" ele conseguiu se superar, abordando um assunto que continua a ser atual: o descontrole do cidadão média perante todas as barbaridades que é obrigado a presenciar. Com uma atuação poderosa de Michael Douglas, o filme não poupa críticas ao sistema que transforma cidadãos comuns em verdadeiras feras, e à sociedade de consumo como um todo. Uma pequena obra-prima, sem dúvida.


8° 
"Cidade de Deus" (2002)
Direção: Fernando Meirelles.
O filme, um verdadeiro tour de fource do cinema nacional, chocou meio mundo (principalmente, o público norte-americano) ao mostrar crianças sendo mais violentas do que muito psicopata por aí. Felizmente, a produção não é maniqueísta, e mostra que nem todos que estão na favela seguem pelo caminho do crime, porém, o que mais marcou no longa foram as atrocidades do insano personagem Zé Pequeno. Ainda assim, o filme faz uma necessária (e pungente) crítica social.


7° 
"Violência Gratuita" (2007)
Direção: Michael Haneke.
Que Haneke é um diretor ousado, todo e qualquer cinéfilo já sabe. O que talvez poucos esperassem é que essa refilmagem, feita dez anos depois do original (e, do próprio Haneke), pudesse ter tanta força narrativa e ser tão irônico ao abordar o tema da violência como um mal puro e simples. O fato dela emergir de pessoas, aparentemente, acima de qualquer suspeita, deixa o filme ainda mais interessante, sempre nos apontando o dedo, como voyers da desgraça alheia.


6° 
"A Outra História Americana" (1998)
Direção: Tony Kaye.
O neo-nazismo e todas as suas vertentes são devidamente destrinchadas neste excepcional filme. Uma das questões mais interessante levantadas pela produção é a capacidade de influência que a violência pode ter nos mais jovens. Mesmo que possua cenas muito pesadas, a mensagem de "A Outra História Americana" é da necessidade de tolerância e de combate a qualquer forma de preconceito. O final é antológico justamente por causa dessas abordagens.


5° 
"Marcas da Violência" (2005)
Direção: David Cronenberg.
Entre altos e baixos na sua carreira, Cronenberg conseguiu chegar ao auge nesta produção, uma adaptação muito bem elaborada de uma HQ, cujo mote é o resultado que a violência pode causar na vida de pessoas comuns, muitas vezes, alheias a tudo que os cercam. Sempre pronto a alfinetar a sociedade norte-americana, o diretor nos conduz a uma jornada sem volta de sucessivos atos violentos, como se eles fossem inevitáveis em decorrência da (falha) natureza humana.


4° 
"Nascido para Matar" (1987)
Direção: Stanley Kubrick.
Quando se fala em violência nos filmes de Kubrick, muitos se lembram de "Laranja Mecânica". Mas, "Nascido para Matar" consegue ser mais intenso, pois aborda, com muita competência, o horror da violência psicológica, que pode transformar o mais pacato dos seres no pior dos monstros. A sequência inicial, com um histérico coronel humilhando seus recrutas, é antológica, e foi feita toda no improviso. O último grande filme do mestre Kubrick, já que "De Olhos Bem Fechados" é bastante fraco.


3° 
"Assassinos Por Natureza" (1994)
Direção: Oliver Stone.
Existem filmes que, na falta de uma definição melhor, podem ser taxados de "perigosos". E, este é um deles. É simplório dizer que a produção glorifica o casal de facínoras que protagoniza o longa. Na realidade, nós, o público, com a mídia como cúmplice, é que que, na vida real, idolatramos assassinos, canalhas e idiotas de toda a espécie. Não falta no nosso seio social quem se cale ante certas atrocidades. Está aí a crítica certeira de Oliver Stone, mas, que até hoje, ainda não é bem compreendida.


2° 
"Taxi Driver" (1976)
Direção: Martin Scorsese.
Na realidade, a violência nos filmes de Scorsese, com raríssimas exceções, sempre esteve presente. Porém, não com tanta força quanto aqui, em seu grande clássico. Abordando com maestria a solidão nestes tempos bárbaros, em que é considerado "normal" uma garota de 12 anos se prostituir, o personagem Travis Bickle (um Robert De Niro fabuloso) empreende sua vingança pessoal a uma sociedade que se encontra podre. Os últimos 30 minutos do filme (até hoje) são chocantes.


1° 
"Clube da Luta" (1999)
Direção: David Fincher.
Esta produção visceral simplesmente foi a que melhor definiu o vazio existencial dessa atual geração. Com crítica da mais alta acidez a todos (repito: TODOS) os níveis sociais, o filme foi duramente massacrado à época de seu lançamento. "Este não é um filme anti-capitalista, ou anti-consumista; é um filme anti-Deus!", bradou indignado um jornalista, que tinha acabado de assistí-lo. Não é pra menos. "Clube da Luta" é, por natureza, anarquista, inteligente, questionado, e é o que melhor aborda a temática da violência em toda a história do cinema.


Por Erick Silva

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