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DICA DE FILME

"Um Brinde à Amizade" (2013)
Direção: Joe Swanberg.


Gêneros cinematográficos servem, em princípio, para delimitar gostos e orientar as escolhas do espectador. No entanto, hoje em dia são a "desculpa perfeita" para a falta de criatividade. Qualquer gênero possui os seus clichês, mas, nenhum filme precisa seguí-los à risca. Ao contrário, é sempre gratificante quando assistimos algo que subverte as regras do jogo, e chega a surpreender. Nas seara das comédias românticas, parece que não há mais nada de bom que possa ser feito. Será? Pois, bem: "Um Brinde à Amizade" prova que ainda se pode contar uma boa história assim, e com o frescor da novidade.

Muitos dos méritos da produção se devem ao cineasta Joe Swanberg. Um dos mais promissores nomes da cena independente atual, Joe, desde 2005, já dirigiu mais de 20 filmes, entre dramas, comédias e até um conto de terror. E, todos muito bem conceituados. A diferença dele pra outros diretores pseudo-cults é que ele não pretende inventar a roda. Trabalha com o que tem, muitas vezes, extraindo da banalidade do cotidiano, coisas brilhantes. E, é o que faz "Um Brinde à Amizade" ser tão bom.




A premissa parece básica: casal de amigos trabalham juntos numa fábrica de cerveja, e, entre um drinque e outro, vão descobrindo mais e mais afinidades. Nas mãos de qualquer um menos talentoso, isso seria a deixa perfeita para situações ridículas, com alta carga emocional (desnecessária), e piadas aos montes de gosto duvidoso. Mas, Swanberg conduz tudo com leveza, simplicidade e carisma, mostrando situações reais, que podem, realmente, acontecer com qualquer um. Isso causa uma empatia automática com quem assiste, mesmo para os que nunca passaram por algo do tipo.

O casal de amigos em questão é Kate e Luke, e de tão bem construídos, os personagens parecem interagir com o espectador a todo momento. A atração entre ambos será tão inevitável quanto o conflito gerado pelo fato deles já serem compromissados. O interessante é que, mesmo essa atração surgindo aos poucos, e ter razão de existir, Kate e Luke conseguem, na medida do possível, viverem uma amizade honesta e muito bonita. A química entre eles é tão natural, que no final, acabamos torcendo mais para que eles permaneçam como amigos do que qualquer outra coisa.




A narrativa é tão bem bolada que não esquece de mencionar Jill, a noiva de Luke, e Chris, namorado de Kate. Inclusive, os dois casais mostram-se muito amigos, após todos se conhecerem numa festa de empresa. Interessante notar que Kate e Luke se dão bem por terem gostos parecidos, e também seus respectivos companheiro e companheira acabam nutrindo uma certa amizade por terem posturas semelhantes. Melhor de tudo: o filme trata todos esses personagens com o devido cuidado, evitando obviedades. Na realidade, todos os quatro, independente dos seus (naturais) defeitos, são mostrados de maneira muito positiva, como pessoas do bem.

Geralmente, em produções assim, o elenco se destaca, e aqui não é diferente. Olivia Wilde (que faz Kate) e Jake Johnson (que faz Luke) estão muito bem em seus respectivos papéis. Claro, muito ajudou também o método adotado pelo cineasta Swanberg: este filme foi totalmente improvisado, não tendo roteiro inicial, e com os atores seguindo apenas uma vaga linha cronológica passada pelo diretor. Como curiosidade, é bom destacar que o elenco também escolheu os nomes de seus próprios personagens.




Como saldo, temos uma comédia romântica independente muito humana, envolvente e bem realizada. Até pelos diálogos bem construídos e da atmosfera descompromissada, lembra um pouco outra produção independente que quebrou convenções anos atrás: "Antes do Amanhecer". Não esperem, contudo, grandes conflitos ou arroubos fascinantes na história de "Um Brinde à Amizade". O negócio aqui é ser o mais minimalista possível, mas, sem perder a capacidade de refletir ou se divertir, a depender da dose. Uma bebedeira, enfim, das boas.


Nota: 8,5/10.

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